Escritores insatisfeitos e um inédito de Nabokov

Como sofrem os escritores nas mãos dos editores! Sejam os de editores de fundo de quintal, sejam os de editoras cinco estrelas, todos têm um grave defeito que é não compreender, muitas vezes, o gosto exigente (e quase sempre exótico) de quem está publicando seu livro.

Há aqueles escritores que não estão nem aí porque acreditam que tudo o que sabem fazer é só mesmo escrever, mas, atentemos, fazer um filho de tinta e papel tem seus trabalhos para outros que estão longe apenas da briga corriqueira com as palavras. Sim, e entram a dar pitacos sobre formas de capa, tipografia, editoração e por aí vai. 

Quando por ocasião do especial sobre Carlos Drummond de Andrade, publicamos aqui um fôlder que traz no seu rol de imagens um desenho criado pelo próprio poeta para o que seria a capa de seu livro Lição de coisas. O editor José Olympio acatou ipseris literis e fez a capa dentro das linhas do desenho. 

(clique na imagem para ampliar. Capa desenhada por Jack Kerouac para o seu On the road)

Agora, foi disponibilizado algo parecido, que aconteceu a Jack Kerouac com a publicação de seu romance mais conhecido, On the road. Insatisfeito com a capa criada pelo seu editor, Harcourt Brace, para o seu primeiro romance, The town and the city, publicado em 1950, o autor pegou do lápis de cor e deu forma a capa para o seu clássico On the road. O desenho foi enviado ao possível editor com uma pequena nota digitada no topo destacando que estava ali uma sugestão de capa para o novo livro, ideia que considerava atraente, expressiva e comercial. 

O livro só seria publicado em 1957. Tornou-se Best-seller com capas de vários formatos mundo afora e o desenho ao que parece nunca foi considerado, apesar de muitas das edições primarem pela ideia da estrada, espaço que nomeia a própria obra. 

Nabokov e gosto pelos esportes. Boxe é o tema de um de seus primeiros textos publicado recentemente em inglês.

Mudando do desenho para escrita, lembram que comentamos aqui sobre escritores recusados e anunciamos um inédito de F Scott Fitzgerald publicado no The New Yorker? Pois bem, quem aparece agora, não que tenha sido rejeitado, até onde pudemos saber, foi Nabokov, autor do clássico Lolita.

O texto data de 1925 e não havia sido traduzido ainda para o inglês. É um dos seus primeiros trabalhos e toma como tema uma partida de boxe entre o alemão Hans Breitensträter e o basco Paolino Uzcudun, no Sports Palace, em Berlim, Alemanha. O texto foi publicado no jornal russo Slovo, redescoberto em 1990 e reimpresso para só então integrar a antologia de obras completas do escritor publicada na Rússia.

Sabemos todos da devoção de Nabokov pelos esportes, que vão do boxe, futebol, tênis, passando pelo xadrez e palavras cruzadas até o jogo com a própria linguagem. O texto pode ser lido na íntegra em The times literary supplent, aqui.



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