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A lista de Schindler, de Steven Spielberg



Steven Spielberg é considerado, por muitos, um gênio da indústria cinematográfica de Hollywood desde o megassucesso de Tubarão (1975). Mas sua carreira ficou marcada por filmes de universo infanto-juvenil, como E. T. (1982), Contatos imediatos do terceiro grau (1977) e a trilogia Indiana Jones (1981, 1984 e 1989). Suas tentativas eventuais de abordar temas adultos ou "sérios", como em A cor púrpura (1985) e Além da eternidade (1989), foram recebidas sem muito entusiasmo. 

Nesse quadro, quando realizou A lista de Schindler, o cineasta e produtor deu o passo mais importante rumo à consolidação de sua imagem, o que se traduziu em oito Oscar em 1994, incluindo Melhor Filme e Direção. Sua abordagem do Holocausto mostra as formas mais cruéis do extermínio utilizadas pelos nazistas, mas procurando evitar a espetacularização. Para isso, ele concentra e transfere sua visão humanista para o personagem real de Oskar Schindler, industrial que aproveitava a fachada de suas indústrias de munição para resgatar judeus dos campos de concentração.

Apesar dos cuidados ao abordar um dos acontecimentos mais traumáticos do século 20, o diretor não escapou de críticas, como a feita por Claude Lanzman, diretor do documentário Shoah (1985), acusando-o de ter transformado a morte de 6 milhões de pessoas em um melodrama, além de mostrar o Holocausto na visão de um germânico. "Mesmo que tenha sido um alemão a salvar judeus, isso muda completamente a perspectiva da história", argumentou.

* Revista Bravo!, 2007, p.107

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