Sete romances sobre o 11 de setembro



Aproximamos de uma década dos atentados terroristas de 11 de setembro e desde então esse fato, sem dúvidas um marco na história do novo século, começa a povoar narrativas da literatura produzida dentro e fora dos Estados Unidos. A lista resume a extensa quantidade de materiais do gênero livreiro (dentre HQ's, livro-reportagem, entrevistas) apresentada por outros editoriais. O critério escolhido na seleção foram, portanto, dois: um, textos literários; outro, que já tenha tradução no Brasil. 

1. Homem em queda, de Don DeLillo (Trad. Paulo Henriques Brito, Companhia das Letras)

Somente alguém que já escreveu sobre outras catástrofes tão ou mais dramáticas (lembramos de Cosmópolis) poderia tomar parte nos acontecimentos do dia 11 de setembro de 2001. O tema do terrorismo também não é algo novo para DeLillo, mas com Homem em queda o romancista mergulha no coração da tragédia e busca criar um nova estética literária. A recriação do choque é tão potente como sua prosa destilada; através da protagonista Keith, uma sobrevivente do ataque, e de Hammad, um mártir em ascensão, DeLillo constrói um texto de forte penetração realista só comparável a John Updike com A terrorista.

2. A terrorista desconhecida, de Richard Flanagan (Trad. Donaldson M. Garschagen, Companhia das Letras) 

O terror visto pelo lado de fora. É fato que o país atingido diretamente foi os Estados Unidos, mas a expressividade do ato, num contexto global, mexeu com os países no mundo inteiro. É assim, que Flanagan conjuga as duas pontas do planeta: depois do 11 de setembro, uma stripper de uma boate em Sydney, na Austrália, se envolve com um árabe muçulmano, Tariq. Só uma noite juntos e o desaparecimento do rapaz leva a moça a descobrir que ele era um dos suspeitos nos atentados e procurado pela justiça estadunidense. Como foi vista junto de Tariq, a stripper é associada a seu nome como cúmplice e tem que lutar para provar sua inocência.

3. Extremamente alto & incrivelmente perto, de Jonathan Safran Foer (Trad. de Daniel Galera, Editora Rocco)

O título é sempre um dos primeiros a ser lembrado quando o assunto é 11 de setembro. Trata-se do melhor livro do escritor estadunidense publicado até o presente. Narra a história de Oskar, um menino de apenas nove anos, depois da perda do pai no ataque ao World Trade Center. O ponto para a narrativa é que Oskar foi o único a escutar as últimas palavras gravadas pelo pai numa secretária eletrônica. 

4. Terras baixas, de Joseph O'Neill (Trad. de Cassio de Arantes Leite, Alfaguara Brasil)

Nomeado Man Booker e ganhador do Prêmio William Faulner, este romance foi eleito como um dos dez melhores do ano pelo The New York Times em 2008 e saudada com entusiasmo pelo público e pela crítica. Com o fundo do 11 de setembro, O'Neill constrói uma sólida história com um eco mais que notável de O grande Gatsby, de F. Scott Fitzgerald. Chuck Ramkissoon, um importante nome do mercado financeiro, é encontrado morto num canal em Nova York. Na Holanda, Hans Van Den Broek, ao saber da notícia, buscará lembrar da amizade que manteve com este homem que tentava ganhar a vida nos Estados Unidos de maneira diversa. 

5. Terrorista, de John Updike (Trad. de Paulo Henriques Brito, Companhia das Letras)

O livro é um panorama da vida dos estadunidenses comuns, com suas pequenas paixões e misérias, mas dedica-se à vida do adolescente Ahmad, filho de mãe irlandesa e pai árabe, que se converte ao Islã e é atraído pelo movimento terrorista. O título, apesar de ter sido lido pela crítica com um dos piores da bibliografia do escritor, chama atenção para o fato de lançar uma interrogação sobre o fenômeno do terrorismo: até que ponto a luta armada é de um todo vã. Entre uma e outra via, a vida de Ahmad seguirá passos além dos experimentados pelo seu pai.

6. Sábado, de Ian McEwan (Trad. de Rubens Figueiredo, Companhia das Letras)

O eco do 11 de setembro na vida de um neurocirurgião londrino um ano e meio depois dos atentados é justaposto a uma série de outros acontecimentos na Inglaterra, como a maior manifestação popular contra a iminente invasão ao Iraque. A grandiosidade do romance está em explorar de acontecimentos inesperados como esses mais outros da vida particular da personagem Henry Perowne sobre a impossibilidade do uso da razão e da lógica científica como determinantes sobre a compreensão do panorama quaisquer questões na vida do indivíduo contemporâneo.

7. Homem no escuro, de Paul Auster (Trad. de Rubens Figueiredo, Companhia das Letras)

A narrativa acompanha a vida de August Brill, um velho crítico literário que se recupera de um acidente de carro. Tomado pela insônia e numa tentativa de espantar pensamentos indesejáveis (num claro desejo de desfazer o lugar de mente vazia oficina do diabo) ele começa a construir um mundo paralelo ao seu em que os Estados Unidos se mostra em guerra não com o Iraque, mas consigo mesmo, no auge da corrida presidencial dos anos 2000. Nesse mundo, Auster busca conceber que o 11 de setembro não aconteceu.


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