As várias faces de "Alice no país das maravilhas" - Parte 4



Ralph Steadman nasceu em maio de 1936 em Wallesey, Liverpool, onde viveu os primeiros cinco anos de vida. Quando a guerra começou, em 1939, foi levado para um abrigo.  Para escapar da morte nos bombardeios, em 1940 ele foi empacotado e junto com seus pais e a irmã mais velha foram para as colinas de North Wales. Seu pai, um vendedor de casacos femininos tinha um cliente que morava em Abergele e os ajudou a encontrar um novo lar longe dos terrores da cidade.

Com a eclosão da guerra, o governo emitiu declarações para acabar com o galês com a desculpa de que seu uso poderia ser pervertido de alguma forma por espiões alemães que queriam enviar informações de volta para o Führer. Os pais de Ralph, acreditando plenamente na infalibilidade do governo, pararam de falar sua língua nativa, e Ralph para sua frustração foi impedido de se tornar proficientes na mesma. 

Fez os estudos entre 1947 e 1952 em Abergele Grammer School e durante igual período foi um estudante excelente, mas logo depois o diretor da escola foi substituído por um homem pelo qual Ralph desenvolveu um medo fora do comum e o que parecia excelente foi decaindo.

Usava como passatempo favorito o gosto pelos modelos de aeronave que influenciou a escolha de um de seus primeiros trabalhos com o Havilland Aircraft, um aprendiz de engenharia aeronáutica. Vieram problemas e ele teve de ir trabalhar ainda com aprendiz numa agência de publicidade, muito embora largasse o trabalho também logo início para cumprir serviço militar, cumprido na Real Força Aérea entre 1954 e 1956. Foi aí que ele, trabalhando como operador de radar, aprendeu desenho técnico. E terá sido mesmo uma das razões que o fez um curso em artes por correspondência em Forrest Hill.

Os primeiros desenhos sempre foram os ligados à sua vida militar; até que em 1956, vende para o Manchester Evening Chronicle o seu primeiro desenho. Voltou para Londres quando saiu do Serviço Nacional, onde fez vários cursos de impressão gráfica no Colégio e Faculdade de Artes e depois East Ham Technical College, onde conheceu seu grande mentor, Leslie Richardson. Foi quando começou a publicar caricaturas e cartoons político-sociais.

Além de Alice no País das Maravilhas, ilustrou outros clássicos como a Revolução dos Bichos, de Orwell. Publicou livros ilustrados sobre a vida de Sigmund Freud e Leonardo da Vinci. Também fez ilustrações para livros William Shakespeare a William Burroughs.

Do clássico de Lewis Carroll preparamos uma amostra com 20 ilustrações.






Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Os segredos da Senhora Wilde

Os conselhos de Wislawa Szymborska aos aspirantes a escritores

Torquato Neto, exercício de liberdade

Livros para o Dia do livro

Emily Dickinson, por Ana Cristina Cesar

Eu sei que nunca se dirá tudo o que a poesia é

Cinco razões (talvez algumas mais) para desfrutar do “Ulysses”, de James Joyce

O macaco e a essência, de Aldous Huxley

Boletim Letras 360º #268

Como nasce e renasce um leitor