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Mostrando postagens com o rótulo Lewis Carroll

Alice: 150 anos

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Alice Liddell. Exímio fotógrafo, Carroll acompanhou sua personagem em vários ensaios 4 de julho de 1862. O reverendo Charles Lutwidge Dodgson, professor de matemática em Oxford, anotou em seu diário que, acompanhado de seu amigo, o senhor Duckworth, havia levado as três meninas dos Liddell numa pequena barca pelo Tâmisa para um chá em Godstow. As crianças – Lorina, Edith e Alicia – eram filhas do decano Christ Church e as três gostavam de escutar as histórias que o reverendo Dodgson lhes contava, armando argumentos espalhafatosos a partir das interrupções, comentários e sugestões das meninas. Nessa tarde, Dodgson decidiu que a protagonista da história fosse Alice, que acabava de completar dez anos. À medida que ia desenvolvendo o argumento, o assombro do senhor Duckworth ante o maravilhoso conto era tal que perguntou ao amigo se ele estaria mesmo improvisando. “Sim”, respondeu Dodgson, também surpreso com a pergunta, “estou inventando passo a passo”. Em tais milagrosas...

Na dimensão do avesso: personagens de Lewis Carroll

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Por Alfredo Monte Alice. Ilustração do próprio Lewis Carroll para a primeira versão de Alice no país das maravilhas . Biblioteca Britânica. 1. ALICE “Meu querido Charles, Você pode confiar em que não esquecerei  da sua encomenda. Assim que chegar a Leeds, começarei a gritar, no meio da rua ´Ferrageiros´, `Ferrageiros´. Seiscentos homens acorrerão de uma loja num instante, voando de todas as direções, os sinos tocarão, a polícia será convocada, a cidade será incendiada. Eu HEI de conseguir uma lima e uma chave de fenda e uma argola, e se essas coisas não forem trazidas imediatamente, em quarenta segundos, não deixarei pedra sobre pedra em toda a cidade de Leeds, e a única coisa que sobreviverá será um gatinho, porque não sei se terei tempo de matá-lo. Então haverá gritos e arrancar de cabelos! Porcos e bebês, camelos e borboletas, rolando juntos na sarjeta, mulheres velhas tentando escapar pelas chaminés e vacas correndo atrás delas, patos escondendo-se em...

Lewis Carroll: porque um dia odiou ter escrito Alice no País das Maravilhas

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Fac-símile da primeira página da carta de Lewis Carroll em que se sente cansado pela fama de Alice no País das Maravilhas . As aventuras de uma menina chamada Alice que cai um buraco para sair no País das Maravilhas converteram Lewis Carroll num autor reconhecido e bem sucedido, numa celebridade de seu tempo. Tudo terá chegado ao extremo que o criador daquele fantástico relato desejou um dia não haver escrito o livro que acabou por torná-lo em lenda literária. Charles Lutwidge Dodgson, o verdadeiro nome de um escritor que desejava guardar zelosamente sua privacidade sob o refúgio de um pseudônimo, reagiu mal quando sua identidade deixou de ser um segredo. A fama pública o fazia sentir-se como um animal de zoológico, tal como lamenta numa carta que escreveu a uma amiga, documento que acaba de vir a lume por ocasião de um leilão realizado recentemente em Londres.   “Toda esta sorte de publicidade conduz os desconhecidos a vincular meu verdadeiro nome com o livro, neste ...

As várias faces de “Alice no país das maravilhas” (7)

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Foi revirando nosso caderno de notas de ideias para publicações no Letras que encontramos “Alice por Arthur Rackham”; quem não nos acompanha diariamente ou mesmo quem a isso se dispõe lembramos que fizemos durante seis semanas seguidas uma espécie de homenagem ao já clássico de Lewis Carroll, Alice no país das maravilhas , que neste ano de 2012 fecha exatos 150 anos da primeira edição.  Nesse percurso, visitamos os traços e as formas de John Tenniel, Salvador Dalí, Peter Newell, entre outros. Quase dávamos por fechada a série, quando encontramos com esta anotação extraviada de continuidade da série. Como não há problemas nisso de continuidade, do contrário, saímos é ganhando com descobertas assim, vamos aos desenhos feitos por Arthur Rackham (1867-1939), não sem antes saber mais quem é esta personagem e sobre o processo de recriação do universo de Lewis Carroll através da imagem. Arthur Rackam foi um  ilustrador   inglês que deixou muitos trabalho...

As várias faces de “Alice no país das maravilhas” (6)

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Fechamos seis semanas em que, a cada terça-feira, publicamos um instante de relevância na história das ilustrações para Alice no país das maravilhas , de Lewis Carroll, obra alcança 150 anos neste 2012. A ideia de fazer esse tour  veio a partir do blog Brain Pickins , que conduz um trabalho de comentário das principais publicações de ilustradores em diferentes partes do mundo cujo foco é a obra de Carroll. Optamos, entretanto, por uma seleção: cumprir um percurso entre os mais famosos ilustradores e aqueles que, de alguma maneira, contribuíram de maneira inovadora com o tratamento visual de Alice . Assim, visitamos as obras de John Tenniel, Salvador Dalí, Leonard Weisgard, Ralph Steadman e Peter Newell.  É verdade que há muitos outros trabalhos; belos e inusitados trabalhos, como os do brasileiro Luiz Zerbeni feito para a edição dos livros de Carroll caprichadamente desenvolvida pela Cosac Naify, ou os da japonesa Yayoi Kusama. Poderemos até o último instante deste ano e dos...

As várias faces de “Alice no país das maravilhas” (5)

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O jovem Peter Newell. O trabalho Peter Newell de ilustrar Alice no país das maravilhas , de Lewis Carroll, não é um dos mais conhecidos no Brasil. Por aqui, dentre outras publicações do ilustrador estadunidense, estão dois livros editados pela Cosac Naify: O livro inclinado e O livro do foguete . Mas, as ilustrações de Newell para o já clássico inglês, aparecidas pela primeira vez em 1901, o coloca no seleto hall  dos que melhor ilustraram Alice . E, pela ocasião em que o livro foi publicado casou certa controvérsia entre leitores, acostumado que estavam com ilustrações mais convencionais, como as de John Tenniel. Peter Newell nasceu em 1862, nos Estados Unidos; “filho da guerra civil” naquele país. Passou boa parte de sua vida em McDonough, Illinos, e depois foi viver em Nova York, onde estudou artes no Art Students League.  Em 1884, abriu seu estúdio em Springfield, de onde saíram os seus trabalhos, ora inclinados para o tom humorístico, ora para o poético. Pela é...

As várias faces de “Alice no país das maravilhas” (4)

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Ralph Steadman nasceu em maio de 1936 em Wallasey, Liverpool, onde viveu os primeiros cinco anos de vida. Quando a guerra começou, em 1939, foi levado para um abrigo.  Para escapar da morte nos bombardeios, em 1940, foi empacotado junto com seus pais e a irmã mais velha para as colinas de North Wales. Seu pai, um vendedor de casacos femininos tinha um cliente que morava em Abergele e  ajudou a família a encontrar um novo lar longe dos terrores da cidade. Com a eclosão da guerra, o governo emitiu declarações para acabar com o galês com a desculpa de que seu uso poderia ser pervertido de alguma forma por espiões alemães que queriam enviar informações de volta para o führer . Os pais de Ralph, acreditando plenamente na infalibilidade do governo, pararam de falar sua língua nativa e os filhos precisaram seguir essas determinações. Steadman fez os estudos entre 1947 e 1952 em Abergele Grammar School e durante igual período foi um estudante excelente, mas log...

As várias faces de “Alice no país das maravilhas” (3)

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Leonard Weisgard. Foto: Arquivo do artista. A primeira edição de Alice no país das maravilhas , de Lewis Carroll, foi publicada em 1865. Uma edição que foi depois retirada das prateleiras pelo próprio autor no ano seguinte devido a qualidade do impresso que estava com muitos defeitos.  Evidentemente que houve um retorno do texto às livrarias e foi quando o livro se tornou logo um Best-Seller; terá vendido mais de 100 mil cópias enquanto o seu autor esteve vivo. Em 1949, as aventuras de Alice são apresentadas numa nova versão das muitas que circularam logo depois da edição de 1865. A edição em questão também foi uma das que primeiramente viriam com ilustrações coloridas; trabalho de Leonard Weisgard (196-2000). Weisgard foi um desses apaixonados por livros infantis e terá ilustrado, além de Alice , mais de 200 outras obras, a grande maioria, livros da escritora infanto-juvenil Margaret Wise Brown.  O seu interesse pela arte dos livros infantis começou ainda aos oit...

As várias faces de “Alice no país das maravilhas” (2)

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Salvador Dalí e Walt Disney. Só recebemos as imagens compostas por Salvador Dalí para Alice no país das maravilhas de Lewis Carroll por este ano. Graças à iniciativa da William Bennett Gallery. Uma edição com esse material foi publicada em 1969 pela Maecenas Press-Random House, uma editora de Nova York que vendeu a obra como o livro de destaque do mês. No total, o mestre catalão compôs treze ilustrações, uma para cada capítulo da obra, sendo a primeira apresentada ainda como rascunho no frontispício. A obra de abertura, que leva o nome do livro, seria terminada com guache em 1974 e depois reproduzida numa escultura de bronze de 1984. Convém lembrar aqui que Walt Disney, que elegeu Alice para o seu primeiro projeto de longa-metragem nos cinemas desde quando foi para Hollywood, em 1923, recebeu a significativa colaboração inicial do próprio Salvador Dalí para este trabalho.  Devido aos atropelos, o pintor sairia em 1951, sem que o seu nome fosse para os créditos: a ruptura e...

As várias faces de “Alice no país das maravilhas” (1)

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Alice Liddell em foto de Lewis Carroll em que aparece vestida como mendiga (Reprodução/ detalhe). Já contamos por aqui como tudo começou: Alice no país das maravilhas nasceu como fábula oral inventada/ contada por Lewis Carroll às filhas de Henry Liddell, entre elas Alice, a que inspirou o autor na criação da sua personagem. Passado 150 anos, a historieta começa a ganhar os ares de clássico. Carroll já figura, apesar de todos os detratores, entre os mais importantes nomes da literatura da Era Vitoriana, ao lado de nomes como os de Charles Dickens, Emily Brontë, Oscar Wilde, Samuel Butler, entre outros. O contexto de Carroll terá favorecido à importância do infante como personagem principal na literatura; estamos numa época em que a extensa exploração infantil custeada pelos vapores da Revolução Industrial era coisa corriqueira. E as provas estão na obra de vários outros escritores da época. Dos citados, certamente o leitor logo recordará a literatura de Dickens. A fáb...

Alice digital (2)

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Páginas de abertura do manuscrito para Alice. A primeira edição foi manuscrita e ilustrada pelo próprio Lewis Carroll. Copyright © The British Library Board Ano passado disponibilizei por  aqui  uma nota sobre uma versão digitalizada para a web  de Alice no país das maravilhas , de Lewis Carroll. Agora, foi disponibilizada a versão original, manuscrita. Um trabalho da British Library. O achado, assinado ainda pelo nome verdadeiro de Carroll, Charles Dodgson, é de 1864. Dodgson era uma matemático em Oxford e dois anos antes conheceu Alice Liddell,  com então 10 anos, Lorina e Edith, todas  filhas do reitor da universidade. Parece que a primeira menina chamou mais atenção do professor que, durante um passeio de barco no Tâmisa, com as três, teria contado uma história de aventura para entretê-las. Na história inventada, Alice era a personagem principal em aventuras por um mundo mágico subterrâneo aonde chegava com a ajuda de um coelho falante.  Co...

Nelson Rodrigues

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"Não sou pornográfico. Pelo contrário, me chamo de moralista. O único lugar onde o homem sofre e paga pelos pecados é em minhas peças." Assim se pronunciou Nelson Rodrigues. Mas, o epíteto de anjo pornográfico não se desfez e chegou mesmo a intitular uma biografia escrita em 1992 por Ruy Castro. Hoje, o escritor integra a galeria de um dos mais importantes dramaturgos que a literatura brasileira já produziu, se não for engano e exagero, o único. O drama da existência humana enxergado pelo prisma da morbidez foi o que mais explorou, o que mais o destaca nesse cenário e, talvez por isso, aquele que melhor viu a sociedade por aquilo que ela é: um bem moldado arcabouço que esconde atrás de si aquilo que realmente seus habitantes são. No mês de agosto deste 2012 marca o primeiro centenário de Nelson que nasceu no Recife; ocupa ainda o lugar de um escritor por ser descoberto, uma vez que, muito tardiamente foi que se gestou um público que vê no seu trabalho uma riqueza ...