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Mostrando postagens de Abril 13, 2020

Segredos e sementes: O olho mais azul, de Toni Morrison

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Por Guilherme Mazzafera “onde as crianças brincam existe um segredo enterrado” (Walter Benjamin, “Chichleuchlauchra: Sobre uma cartilha”) O primeiro romance de Toni Morrison, O olho mais azul (1970), relançado recentemente pela Companhia das Letras em tradução de Manoel Paulo Ferreira, debruça-se em sua própria concepção sobre um problema dificultoso: como uma escritora negra pode falar de pessoas e assuntos negros valendo-se de uma forma concebida para adequar-se ao indivíduo branco, burguês, livre tanto na esfera da produção (o romancista) quanto na de representação (os personagens)? Em face de tal pergunta, recorramos ao didático Marxismo e crítica literária, em que Terry Eagleton fornece uma importante observação sobre o imbricamento profuso entre forma literária e ideologia: “Ao selecionar uma forma, portanto, o escritor descobre que sua escolha já está limitada ideologicamente. Ele pode combinar e transmutar as formas disponíveis em uma tradição lit