Boletim Letras 360º #511

 
 
DO EDITOR
 
1. Caro leitor, o Letras está no mês de recesso. As atividades neste blog ficam à própria sorte, caindo vez ou outra uma postagem nova; as redes permanecem ativas; e estes boletins deixam de apresentar as seções extras.
 
2. Assim como acontecerá deste lado, é tempo oportuno para re-visitar nosso extenso arquivo, sempre aberto à leitura, à partilha e ao comentário.
 
3. Aproveito a ocasião para informar foi divulgado o resultado do último sorteio de 2022 entre os apoiadores do blog. Se você ainda não viu, pode saber todos os detalhes aqui.

4. Reitero o convite para continuar com a participação nesse clube. Sempre tem sorteios interessantes acontecendo. Outra forma permanente de ajudar é na aquisição de qualquer um dos livros pelos links ofertados neste Boletim: você garante desconto sem pagar nada mais por isso.

5. A todos, um rico final de semana e, já em tempo, boas festas!

Deborah Levy. Foto: Jérôme Bonnet


 
LANÇAMENTOS
 
Editora retoma projeto de publicar os três volumes do ciclo Autobiografia viva, de Deborah Levy sobre escrita, feminilidade e filosofia.
 
1. O projeto começa com a reedição de Coisas que não quero saber. Neste livro, a sul-africana radicada em Londres tece uma resposta tão feminina quanto feminista ao conhecido ensaio de George Orwell “Por que escrevo”, de 1946. Aqui ela reflete, literariamente, sobre as razões que a levaram a escrever, tendo como pano de fundo a África do Sul, onde cresceu e onde seu pai foi preso por lutar contra o apartheid; o subúrbio londrino em que, exilada, passou a adolescência; e Maiorca, a ilha espanhola que é como um refúgio na maturidade. Trata-se de um relato vívido e perspicaz sobre como despretensiosos detalhes da vida pessoal de uma autora podem ganhar força na ficção, Levy sugere muito mais do que de fato diz. De certa forma, uma versão atualizada de Um teto todo seu, de Virginia Woolf, esta elegante autobiografia literária desvela a necessidade da mulher de dizer o que pensa, de projetar sua voz e ocupar seu lugar no mundo. Tradução de Celina Portocarrero e Rogério Bettoni. Você pode comprar o livro aqui.
 
2. Deborah Levy começa a escrever O custo de vida quando, aos cinquenta anos, se vê diante de muitas mudanças: seu casamento chegou ao fim, sua renda está diminuindo, sua mãe está morrendo e suas filhas começam a deixar o ninho. Em um momento em que “a vida deveria estar desacelerando, se tornando mais estável e previsível”, ela decide abraçar a tempestade em troca de recuperar, sufocado sob camadas e camadas de resignação, um nome próprio. Qual é esse papel ficcional escrito por homens e interpretado por mulheres que chamamos “feminilidade”? Quanto custa para uma mulher desestabilizar velhas fronteiras e derrubar as hierarquias sociais que fazem da mulher uma personagem secundária em um mundo que não é arquitetado a seu favor? Criando pontos de diálogo com intelectuais como Marguerite Duras, Simone de Beauvoir e Emily Dickinson, e evocando suas memórias com sensibilidade e um delicioso senso de humor, a autora avalia o que significa ver na vida sentido, valor e prazer, além de o que significa apoderar-se da liberdade de escrever a própria vida. A tradução é de Adriana Lisboa. Você pode comprar o livro aqui.
 
3. Fecha a trilogia, Bens imobiliários — o estudo de uma casa para si, uma reflexão íntima, tão emocionante quanto corajosa, sobre o lar e os fantasmas que o assombram. Entrelaçando passado e presente, filosofia e história literária, convocando Marguerite Duras ou Céline Sciamma, Levy faz um inventário de seus bens reais ou imaginários e questiona nossa compreensão de patrimônio e posse, e também a nossa forma de tratar o valor da vida intelectual e pessoal de uma mulher. A tradução é também de Adriana Lisboa. Os três livros são publicados pelo Selo Contemporânea, da Editora Autêntica. Você pode comprar o livro aqui.

Inédito no país, romance considerado um dos textos fundadores do surrealismo é publicado pela 100/Cabeças.

“Não passaria a vida de uma imensa mentira? Não seria ela nada além da sombra de um sonho fugaz?”, indaga-se em certo momento o personagem enigmático que conduz a narrativa e dá nome ao livro do pintor italiano Giorgio de Chirico (1888-1978). Publicado originalmente em francês em 1929, Hebdômeros é considerado um dos textos fundadores do surrealismo e chega ao Brasil em tradução de Flávia Falleiros pela edições 100/cabeças. “Tudo é visto pela perspectiva do herói — um ‘metafísico’ que pensa filosoficamente sobre o sentido da vida”, observa a tradutora no ensaio que acompanha a edição brasileira. Um “homem singular”, que “nem os mais inteligentes de seus amigos conseguiam definir” são algumas das características atribuídas ao personagem durante a narrativa. “Sua voz interior forma uma espécie de duplo com a do narrador em terceira pessoa, confundindo-se com ela. Hebdômeros torna-se, assim, uma presença compacta, como uma sombra projetada por todo o texto, semelhante àquelas que povoam as telas de De Chirico”, aponta Flávia. Ela define o livro como “um perturbador experimento com a linguagem, a começar pelo fato de desautomatizar a percepção do leitor em relação ao que se entende por narrativa”. No posfácio desta edição, Marcus Rogério Salgado classifica Hebdômeros como “uma das manifestações mais radicais da arte verbal na década de 1920”. “É uma das obras de sua época que rompe com a ideia convencional e convencionada da literariedade como código estável e investe toda sua carga em uma estruturação da prosa a partir de valores analógicos (ou seja: poéticos), com a linguagem operando sob o Primado da Imagem”. Muito mais do que “narrar”, destaca Salgado, o que se dá em Hebdômeros é o “dar a ver”. “A experiência resultante do texto, focalizada nas ordens visual e afetiva, não é a da escuta de uma voz, e sim a da visão de cenas sucessivamente carregadas com conteúdos emocionais. Estamos mais próximos da pintura do que da literatura (pelo menos da arte da narrativa enquanto convenção de gênero)”. Você pode comprar o livro aqui.

Sai no Brasil o aclamado segundo romance de Garth Greenwell.
 
Pureza pode ser lido como um livro de histórias ou como uma delicada sinfonia em três movimentos. Greenwell dá voz a um professor americano que fez da Bulgária sua casa. Ele acaba de se separar de R., único homem que já amou. Com sua prosa sensual e rica em detalhes, Greenwell consegue capturar os diferentes dialetos do erotismo e do desejo contemporâneos em um texto de força extraordinária. Com tradução de Fabricio Waltrick, a publicação é da editora Todavia. Você pode comprar o livro aqui.
 
O regresso de Sergio Bizzio.
 
Em Era o céu, Bizzio dá voz a um narrador atormentado pela indefinição do que fazer diante daquilo que vê: sua mulher é estuprada por dois homens dentro de sua própria casa enquanto ele, da janela, do lado de fora, encontra tantos motivos para agir quanto para se acovardar. Essa tensão, que o paralisa, impregna não só essa cena, mas todas as situações que o narrador nos traz ao relembrar como ele foi parar ali, ao mesmo tempo em que se move para encontrar as razões pelas quais a sua esposa, após o estupro, decide mantê-lo em segredo, inclusive sem contar a ele. Que pergunta a faria contar-lhe? A análise que o narrador faz dos gestos e reticências de sua esposa acabam também refletindo sobre os seus próprios, já que ambos passam a atuar um para o outro. É isso um casamento? Conviver com alguém sabendo que ambos escondem partes tão íntimas, coisas tão suas? A espiral de cenas do passado que culmina nessa ação / inação corre por quase todo o romance. Dessa forma, descobrimos que o narrador, após dez anos de casado, tinha acabado de voltar com Diana, sua mulher, depois de dois anos separados; descobrimos também que, nesse tempo, afastados, ele se envolveu com Vera, uma escritora de sucesso pela qual se apaixonou e se desapaixonou; e que além de marido, também é pai, e essa condição lhe obriga a guardar seus medos em silêncio, para que o filho não absorva as vulnerabilidades e o terror que, aos leitores sim, são expostos e justificados. Isso porque, o narrador, assim como o próprio autor, é roteirista e diretor de cinema, o que nos leva a, como leitores, desconfiar de como ele constrói a narrativa, para provocar um efeito e, consequentemente, um afeto no leitor. Assim, não só pelo conteúdo, mas também pela forma, acabamos identificados com suas imperfeições, com sua incomunicabilidade, e inclusive com seu desejo de vingança. Em um momento em que carecemos de personagens demasiadamente humanos, mas conscientes de que toda ação tem reação, Era o céu finalmente chega aos leitores brasileiros. (Ellen Maria Vasconcelos) Com tradução de Wilson Alves-Bezerra, o livro é publicado pela editora Iluminuras. Você pode comprar o livro aqui.
 
Livro de ensaios de uma das autoras mais prestigiosas da atualidade revela detalhes de seu processo criativo e traça paralelos entre importantes vozes femininas da literatura mundial.
 
Em 2020, a The Oprah Magazine descreveu a amada e prestigiada romancista italiana Elena Ferrante como “um oráculo entre os autores”. Nos breves ensaios reunidos em As margens e o ditado, a autora fala sobre a própria jornada como leitora e escritora e oferece um raro olhar sobre as origens de seus caminhos literários. Escreve a respeito de suas influências, lutas e sua formação intelectual, descreve os perigos do que ela chama de “língua ruim” e sugere maneiras pelas quais a tradição há muito excluiu a voz das mulheres. Partindo de suas brilhantes reflexões a respeito dos trabalhos de Emily Dickinson, Gertrude Stein, Ingeborg Bachmann e outras, Ferrante propõe, então, uma fusão do talento feminino. Ao discorrer sobre o tênue equilíbrio entre seu gosto por limites e organização ― por permanecer dentro das margens ― e seu desejo por desordem e clamor, ela indica uma passagem secreta para o processo de criação de suas obras mais conhecidas: a Tetralogia Napolitana, Dias de abandono, A filha perdida e A vida mentirosa dos adultos. A autora aborda como criou e quais as motivações de suas emblemáticas personagens Lenù e Lila, deixando pistas do quanto as duas incorporam o próprio dilema da literatura para Ferrante. As três palestras ― inicialmente escritas para os cidadãos de Bolonha, por ocasião das Umberto Eco Lectures ― e o ensaio composto para o encerramento da Conferência de Italianistas sobre Dante e outros clássicos dão corpo a um livro ao mesmo tempo sutil e potente, de uma das maiores escritoras da atualidade. Um livro sobre aventuras na literatura, sejam elas dentro ou fora das margens. Com tradução de Marcello Lino, o livro é publicado pela editora Intrínseca. Você pode comprar o livro aqui.
 
Dois livros importantes para os estudos literários em tradução no Brasil.
 
1. O sentido do fim, de Frank Kermode. Considerado um dos livros de teoria literária mais importantes do século XX, neste livro o autor parte do princípio de que o ser humano vive em angústia com a ideia de que sua vida é um “meio” distante do começo e do fim. E afirma que, dos críticos, se espera que possam “dar sentido às maneiras como tentamos dar sentido à nossa vida”. É isso que ele faz nesta obra essencial para qualquer admirador da literatura. Com tradução de Renato Prelorentzou, o livro sai pela editora Todavia. Você pode comprar o livro aqui.
 
2. Retórica da ficção, de Wayne C. Booth. A primeira edição deste livro transformou a crítica da ficção e logo se tornou parte essencial da bibliografia nos estudos literários. Um dos textos inescapáveis sobre como funciona a forma ficcional, como os autores tornam os romances acessíveis e como os leitores recriam textos e seus conceitos e termos, como “o autor implícito,” “o leitor postulado” e “o narrador não-confiável” tornaram-se parte do léxico crítico padrão. Com tradução de Igor Barbosa, o livro sai pela editora Eleia. Você pode comprar o livro aqui.
 
As memórias de Ai Weiwei.
 
A infância de Ai Weiwei foi permeada por restrições. Nascido na China na década de 1950, ele foi compulsoriamente exilado com a família após seu pai, Ai Qing, um dos mais renomados poetas chineses, tecer críticas ao governo de Mao Tsé-Tung. Tachado de reacionário durante a Revolução Cultural, ele e os filhos foram banidos para a “Pequena Sibéria” — região desértica onde, segundo o autor, a privação material trouxe uma diferente forma de plenitude, modelando o que viria a ser seu futuro. A liberdade era seu principal objetivo. Tomando a difícil decisão de deixar pai e irmão na China e sair do país, Ai Weiwei foi para os Estados Unidos, país em que teve contato com a obra de Andy Warhol, fez amizade com Allen Ginsberg e se tornou célebre no mundo da arte ao reconstruir em seu trabalho a experiência de viver sob um regime totalitário. As esculturas e instalações de Ai Weiwei foram vistas por milhões de pessoas em todo o mundo — a exemplo da projeção do icônico Ninho do Pássaro, estádio olímpico de Beijing. Seu ativismo político o tornou alvo das autoridades chinesas, o que culminou em meses de detenção secreta sem acusação em 2011. Neste livro, pela primeira vez, Ai Weiwei explora as origens de sua criatividade excepcional. Ao mesmo tempo ambicioso e íntimo, Mil anos de alegrias e tristezas oferece uma compreensão profunda das inúmeras forças que moldaram a China moderna — e ao próprio autor — além de servir como um lembrete oportuno da urgência de defender a liberdade. Com tradução de Camilo Adorno, o livro é publicado pela Companhia das Letras. Você pode comprar o livro aqui.
 
Uma revisitação ao submundo do álcool sem o romantismo beat.
 
O Sonho Americano tem dois lados como a moeda de um dólar. Um deles é reluzente feito o sol dourado do Vale do Silício. Já o outro, fosco e arranhado, é o que perfaz as histórias de Filho de Jesus, livro fundamental da literatura estadunidense do final do século XX. O que encontramos aqui não é a idílica América com o pé na estrada dos livros de Jack Kerouac e da geração beat, e a relação com a droga não guarda mais qualquer sentido libertário ou espiritual. Publicado originalmente em 1992, este livro consagrou Denis Johnson, ele próprio um sobrevivente do alcoolismo e do vício. Narrados por um personagem anônimo que participa da ação o tempo todo, os contos são povoados por seres à deriva, gente que trocaria a própria mãe por um pico na veia. São enfermeiros junkies num pronto-socorro onde deveriam ser os socorridos, não o contrário; ladrões que roubam casas arruinadas e homens que são esfaqueados no olho pela mulher enquanto dormem. A despeito de o sonho da contracultura ter acabado, a realidade dura e cinzenta dos anti-heróis de Johnson tem como único ponto luminoso o delírio fugaz de um barato qualquer. A via-crúcis bíblica tem catorze estações, assim como o programa de recuperação dos Alcoólicos Anônimos tem doze passos. Filho de Jesus, por outro lado, não ultrapassa as onze histórias, fábulas embebidas em ácido nas quais ninguém se recupera nem ressuscita ao final. (Joca Reiners Terron). Com tradução de Ana Guadalupe, o livro é publicado pela editora Todavia. Você pode comprar o livro aqui.
 
Livro reúne o essencial de Sérgio Buarque de Holanda
 
Autor de uma produção extensa como crítico, historiador e sociólogo, com obras que marcaram o pensamento nacional; a tarefa de selecionar o essencial desse vasto universo não é simples. O essencial é uma antologia que reúne ensaios de história e literatura que passam por assuntos variados, como a crise do Segundo Reinado e a centralidade da escravidão na formação social brasileira, até reflexões sobre as heranças do modernismo e lembranças pessoais do autor. Nas palavras dos organizadores, Lilia Moritz Schwarcz e Pedro Meira Monteiro, as páginas deste livro “hão de revelar mais de um Sérgio Buarque de Holanda, ou, quando menos, permitirão enxergar um autor interpelado por temas diversos e interligados, mas raramente satisfeito com a forma final de seus textos”. O livro sai pelo selo Penguin/ Companhia das Letras. Você pode comprar o livro aqui.

REEDIÇÕES
 
Nova edição de A vida descalço, de Alan Pauls.
 
Nesta mescla magnética de ensaio e memória, o autor argentino faz da praia o lugar da disponibilidade, dos encontros, do ócio, espaço-chave na vida moderna; experiência íntima e estereótipo, utopia selvagem e palco daquilo que chamamos de civilização. “Nós, os que vamos à praia, vamos sempre mais ou menos atrás da mesma coisa: das marcas do que o mundo era antes que a mão do homem decidisse reescrevê-lo.” É dessa maneira que o narrador de A vida descalço avança, em uma deriva que o levará da memória à história social, do ensaio cultural a tudo aquilo que jaz sob a areia da praia, esse lugar “franco, transparente, aberto ao céu ‘como uma boca ou uma ferida’.” Desafiando os lugares-comuns tanto do pensamento como do prazer, Alan Pauls nos apresenta a praia como ambiente da imaginação. Entre hordas turísticas e a areia deserta, os enigmas da praia se veem auscultados ao contrário: a beira-mar como lente de aumento para investigar a vida civil, a superprodução de sonhos (“sonha-se muito na praia”), a utopia política, os corpos bronzeados, e o verão como invenção midiática. Fenomenologia íntima e paródia do intelectual em férias, este livro nos conduz à praia da infância do narrador — o litoral de Villa Gesell, ao sul de Buenos Aires, onde por mais de quinze anos o autor passou suas férias de verão —, às ficções estivais de François Ozon e Eric Rohmer, às areias do Rio de Janeiro dos anos 70, às fantasias ascéticas da antipraia invernal. De shorts e havaianas, “com a pele branca de sal e os ombros em processo avançado de descascamento”, o narrador nos mistura ao balneário, ao calor, e faz deste livro um dos grandes triunfos daquele que, nas palavras do autor chileno Alejandro Zambra, é “um dos escritores imprescindíveis da atual literatura latino-americana”. A tradução de Josely Vianna Baptista, da então Cosac Naify, é reeditada pela Companhia das Letras. Você pode comprar o livro aqui.
 
Nova edição de Sashenka.
 
O jornalista e historiador Simon Sebag Montefiore conhece a história da Rússia como ninguém; seus livros sobre o tema se tornaram premiados best-sellers e já foram traduzidos para quase cinquenta idiomas. Na área da ficção, ele também se mostra um exímio autor. Neste romance histórico, Montefiore narra a trajetória de Sashenka durante os acontecimentos que culminaram na revolução bolchevique de 1917 até o Grande Terror stalinista, que vigorou nos anos 1930 e teve como um de seus alvos os próprios membros da burocracia estatal soviética e a alta cúpula do Partido Comunista. A Trilogia Moscou — iniciada por Sashenka, ao qual se seguem Céu vermelho ao meio-dia e Uma noite de inverno — conquistou o prêmio Paddy Power Political Novel e já foi publicada em quase trinta idiomas. A tradução de Paulo Afonso é reeditada pela Alfaguara Brasil. Você pode comprar o livro aqui.

OBITUÁRIO
 
Morreu Nélida Piñón.
 
Nélida Piñón nasceu no Rio de Janeiro a 3 de maio de 1937. Formada em Jornalismo pela Pontifícia Universidade Católica (PUC-Rio), a estreia na literatura foi com o romance Guia-mapa de Gabriel Arcanjo, publicado em 1961, que tem como temas o pecado, o perdão e a relação dos mortais com Deus. Desde então, sua literatura se fez em várias direções: no conto, na novela, na crônica, no ensaio. Da vasta obra, destacam-se títulos como A casa da paixão (1972), Tebas do meu coração (1974), A república dos sonhos (1984), A doce canção de Caetana (1987), Vozes do deserto (2004), A camisa do marido (2014) e Um dia chegarei a Sagres (2020). Com seu trabalho foi inúmeras vezes premiada; recebeu, dentre outros, o Prêmio Príncipe das Astúrias, o Prêmio Juan Rulfo e o Prêmio Vergílio Ferreira. Integrante da Academia Brasileira de Letras, foi a primeira mulher a presidir a instituição. Nélida Piñón morreu em 17 de dezembro de 2022, em Lisboa.

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