Boletim Letras 360º #345


O Letras in.verso e re.verso publica há 345 semanas as edições deste boletim que reúne as informações copiadas pela página do blog no Facebook: traços do mercado editorial com a literatura no Brasil, curiosidades e outros temas relacionados ao nosso circuito de interesses passam por aqui. Um informativo com notícias, acreditamos, melhores que as continuamente veiculadas noutras redes e nas mídias comuns. Boas leituras!

A Editora Estação Liberdade publicará extensa parte da obra de Peter Handke.


Segunda-feira, 14 de outubro

A Editora Âyiné divulgou a primeira lista com as últimas publicações de 2019.

1. Blues dos fins dos tempos, de Ian McEwan

A humanidade sempre se deixou encantar pelas histórias que anunciavam sua destruição total: os últimos dias, o fim dos tempos, a extinção da vida no planeta. Hoje, a fantasia de um fim violento e coletivo ressurge nos movimentos apocalípticos: pacíficos ou belicosos, muçulmanos ou cristãos, mas todos capazes de influenciar a política contemporânea. Assistimos impotentes ao reaparecimento do pensamento apocalíptico, porque a ciência e a cultura da razão ainda não conseguiram encontrar uma mitologia que possa competir com o encanto do fim. Mas se a crença apocalíptica é uma função da fé, aquela íntima convicção que não requer confirmação alguma, então o antídoto não é tanto a razão quanto o impulso humano para a curiosidade. Porque o mandato de nossa maturidade é agir com sabedoria, escolhendo entre a salvação e a autodestruição. De um mestre da literatura contemporânea, uma reflexão provocante e surpreendente sobre as formas de olhar para a nossa existência coletiva. A tradução é de Andre Bezamat.

2. Cadernos de Talamanca, de Emil Cioran

Escritos no verão de 1966, durante uma estada em Ibiza, à beira de um abismo nada metafórico, estes cadernos formam um arquivo de páginas ardentes, dentre as mais intensas e radicais já escritas pelo filósofo romeno. A tradução é de Flavio Quintale.

3. Novo esclarecimento radical, de Marina Garcés

Autoritarismo, fanatismo, catastrofismo, terrorismo são algumas das facetas de uma poderosa reação anti-ilustração que domina as histórias do nosso presente. Em face da crise atual da civilização, parece haver apenas duas saídas: condenação ou salvação. O que esse dilema esconde é uma rendição: nossa renúncia à liberdade, isto é, a melhorar, juntos, nossas condições de vida. Por que acreditamos nessas histórias apocalípticas? Que medos e oportunismo os alimentam? Este livro está comprometido com uma nova ilustração radical, uma atitude de combate contra as credulidades do nosso tempo e suas formas de opressão. A tradução é de Julia Scamparini.

4. Instruções para se tornar um fascista, de Michela Murgia

Este é um livro urgente, que nasce para despertar consciências, para nos provocar e nos chamar a atenção. Mas que também serve como espelho, no qual podemos encarar diretamente os lados mais sombrios que vivem em cada um de nós. Sob a falsa aparência de um manual, a obra reflete sobre o surgimento de movimentos neofascistas, investigando por que as pessoas se sentem cada vez mais atraídas por esses movimentos e fazendo um alerta poderoso: não querer reconhecer que eles «já estão aqui», ou a importância que têm, já não é uma opção. Por vezes, subestimamos e chegamos a ridicularizar o eleitor desses partidos sem entender ou estudar suas motivações; outras vezes, somos tomados de um medo genuíno de recebermos o rótulo de antidemocráticos por não tolerarmos opiniões diferentes. A autora se move com grande talento entre a ironia e a provocação. Além das instruções para realizar a suposta "conversão" de um indivíduo em um fascista, descritas no texto de forma muito bem-sucedida, Michela Murgia propõe um exercício divertido ao final do livro: o fascistômetro, uma lista de afirmações que desafia aqueles que acreditam que o fascista é sempre o outro. Qual o grau de fascismo existente em nossa sociedade, em nosso ambiente e em nós mesmos? A tradução é de Julia Scamparini.

Morreu Harold Bloom, um dos maiores nomes da crítica literária estadunidense.

Nascido em Nova York em 11 de junho de 1930, Bloom era professor titular de ciências humanas, na Universidade de Yale e ocupou cátedra na Universidade de Harvard. Ávido leitor, deixou escrito mais de 25 títulos de crítica literária, entre os quais Abaixo as verdades sagradas, O cânone americano, O cânone ocidental e A anatomia da influência. Ganhou o prêmio McArthur, da Academia Norte-Americana de Letras e Artes, e recebeu inúmeras distinções e diplomas honorários, incluindo a Medalha de Ouro de Crítica e Belles Lettres, conferida pela mesma academia, o prêmio Internacional da Catalunha e o prêmio Alfonso Reyes, do México.

Terça-feira, 15 de outubro

A Editora Grua organiza uma nova coleção para livros que há uma década, mesmo com sucesso de estreia, não foram mais reeditados.

1.  À margem da linha, de Paulo Rodrigues

Dois jovens irmãos caminham à margem da linha do trem, deixando a casa materna, partindo em uma jornada por indeterminados bairros suburbanos em busca do pai: na singeleza do propósito, das peripécias e do percurso, o narrador e seu irmão mais velho recobram um enredo que transcende tempos e povos. No entanto, de que trata a narrativa do menino mais moço: unicamente do périplo de seu Mano, de quem acompanha os passos e registra os sentimentos em seu esforço de entregar o narrador à custódia de um pai desconhecido, ou da construção de individualidades e caminhos próprios? Como nos ensina esse narrador anônimo, as trilhas também se fazem de desvios – desvios que, por sua vez, constituem caminhos por si. De Homero a Guimarães Rosa, a travessia é intrínseca ao universo épico, de tal forma que todas as grandes peripécias e grandes heróis podem se reduzir a um único e imemorial movimento – a uma única e imemorial linha pontuada de acontecimentos. À margem da linha nos introduz a uma delicada épica, em que diferentes mundos e perspectivas se insinuam como que em traços abstratos para nos dar notícia de um imemorial percurso de formação e construção da identidade.

2. Os jacarés, de Carlos Eduardo de Magalhães

Mario e Antonio são amigos de infância e companheiros de adolescência. Desde o início de sua amizade, compartilharam as desventuras vividas entre a família desestruturada do primeiro e sentimento de fracasso paterno do segundo. Com a força cultivada no enfrentamento de seus demônios passados, ambos conhecem cedo o sucesso profissional e o bem-estar material – um como redator publicitário em ascensão, o outro como administrador das empresas da família da esposa. Confrontando a fragilidade e a ilusão de seus percursos, Mario se vê às voltas com perseguições de automóveis, mortes misteriosas e agentes russos que só ele enxerga, e o ambicioso Antonio, com o duro reconhecimento do vazio de suas certezas. Num hábil jogo de ruptura e continuidade, em que os personagens se constroem no entrelaçamento de consciência angustiada, fragmentos de memória e a realidade da metrópole, Carlos Eduardo de Magalhães produz o retrato de indivíduos no limiar de serem devorados por suas próprias vidas. E os jacarés, à espreita, rastejam às margens do rio Pinheiros.

3. As moças, de Isabel Câmara

A jornalista Tereza conheceu a atriz Ana em razão de uma entrevista, e a empatia imediata levou as jovens, oriundas de diferentes pontos do país, a dividir uma quitinete em Copacabana, no Rio de Janeiro de fins dos anos 1960. Unidas sob o objetivo comum de concretizarem os próprios sonhos e realizarem suas vidas com autonomia, ambas experimentam uma dura resistência, derivada não só do tradicionalismo como da internalização da repressão a seus projetos e desejos. A chegada da carta de uma tia de Tereza serve de gatilho para uma reavaliação desses percursos. No embate entre a extrovertida e enlouquecida Ana e a introvertida e cansada Tereza, encontram-se os caminhos de duas mulheres em sua luta por amor, reconhecimento e liberdade – uma luta em que a vida individual e a política se mesclam num só movimento afirmativo contra o conservadorismo vigente. O drama de um só ato As moças elevou Isabel Câmara à condição de figura representativa de um grupo de autores teatrais – a chamada Geração de 1969 –, responsáveis por um significativo retrato de uma juventude que abraça a contracultura e debate questões de liberdade sexual, de gênero e de expressão no contexto ditatorial brasileiro.

Quarta-feira, 16 de outubro

Novo livro de Carlos Nejar revisita os momentos mais cruéis de nossa recente história.

Carlos Nejar é um homem partido pelas tragédias brasileiras. Com sessenta anos de lira nos ombros, algo que nenhum outro autor nacional tem hoje, ele descreve as tragédias de Brumadinho, de Mariana, o incêndio no Museu Nacional e o desmatamento covarde da Amazônia. Sua voz teatral inconfundível põe-se a favor de todos os invisíveis, dos flagelados, dos desalojados, dos índios Awás perseguidos, dos mortos pagos e dos familiares inclementes. Os invisíveis fala em nome dos que desapareceram pelo simples fato de serem brasileiros. Fala de nossa omissão histórica no presente. Fala sem fim do fim iminente da honra e da dignidade.

Concebido em 1987 e finalizado em 1992 – período em que o autor viveu na zona rural da infância para viver a atmosfera que queria recriar – o livro que alçou Chen Zhongshi ao patamar de autores como Yu Hua ou o Prêmio Nobel Mo Yan ganha edição no Brasil.

Na planície que dá nome ao livro, as famílias Bai e Lu, parte de um mesmo clã, alternam-se no poder. Acompanhamos três gerações destas famílias, enquanto testemunham a onda de mudanças e destruição a que o povo chinês foi submetido na primeira metade do século XX. Com o fim da dinastia Qing e a queda do Império, em 1912, os senhores feudais locais passam a brigar entre si. Depois, é a disputa entre o Partido Nacionalista e o Partido Comunista, cada um com sua ideia de libertação popular. Ao mesmo tempo, ocorre a invasão japonesa e a devastadora Segunda Guerra Mundial. Novamente, a guerra total entre partidos, que culmina na Grande Marcha e na fundação da República Popular da China. Com o estabelecimento do novo Estado revolucionário, novos valores e formas de vida vêm substituir a cultura arraigada há milênios. Contra esse pano de fundo histórico, o elenco de personagens criado por Chen Zhongshi compõe um retrato das formas possíveis de viver perante às catástrofes. Conhecemos a ética e a organização da vida local; experimentamos os rituais simbólicos tradicionais, bem como a filosofia do confucionismo – incorporados no doutor Leng e no sábio Mestre Zhu. Acompanhamos personagens em busca de suas revoluções pessoais por meio da educação, do banditismo ou da adesão aos grupos de poder. Vemos a opressão patriarcal e as tentativas de libertação feminina, encarnadas nas personagens Xiao’e Bai Ling. Por fim, vemos como as escolhas pessoais levam famílias amigas a lados opostos de uma guerra fratricida. Concebido em 1987 e finalizado em 1992 – período em que o autor viveu na zona rural da infância para viver a atmosfera que queria recriar – O livro alçou Chen Zhongshi ao patamar de autores como Yu Hua ou o Prêmio Nobel Mo Yan, com a diferença de que, em vez de buscar uma literatura globalizada, ele trata de assuntos eminentemente chineses. Na terra do cervo branco é um clássico moderno da literatura chinesa. A tradução de Tradução de Yeh Chia Ho, Mauro Pinheiro e Márcia Schmaltz sai pela Editora Estação Liberdade.

Franny & Zooey, o novo livro de J. D. Salinger pela Editora Todavia.

Nestas que são duas das mais belas novelas da língua inglesa, Salinger continua a explorar os meandros da família Glass, que os leitores conheceram em Nove histórias. Em “Franny”, a mais jovem dos Glass se encontra com seu namorado na universidade, mas o que prometia ser um fim de semana aprazível acaba se tornando uma descida ao mal-estar espiritual que domina Franny. Em “Zooey” encontramos Franny em meio a um colapso nervoso, e cabe ao seu irmão tentar ajudá-la. Um retrato lírico, ocasionalmente cômico, e sempre cortante da vida em família e do fim da infância. A tradução é de Caetano Galindo.

Quinta-feira, 17 de outubro

Ainda em 2019, leitores brasileiros terão novos livros do Prêmio Nobel de Literatura Peter Handke.

A Editora Estação Liberdade, que já publicou no Brasil dois romances de Peter Handke, Don Juan (narrado por ele mesmo) e A perda da imagem ou Através da Sierra de Gredos, em 2007 e 2009, adquiriu a edição de várias obras do autor austríaco. O acordo firmado prevê a publicação de clássicos de Handke: O medo do goleiro diante do pênalti (Die Angst des Tormanns beim Elfmeter), Breve carta para um longo adeus (Der kurze Brief zum langen Abschied), Falsos movimentos (Falsche Bewegung), Asas do desejo (Der Himmel über Berlin), Tarde de um escritor (Nachmittag eines Schriftstellers). O próximo romance do autor – que será o primeiro finalizado após o prêmio – também será traduzido pela mesma casa editorial. A celebrada série de experimentos ou novelas ensaísticas – Ensaios – do autor, que inclui Ensaio sobre o cansaço, Ensaio sobre o jukebox e Ensaio sobre a calmaria, contratados antes do prêmio, terá sua publicação iniciada já em novembro deste ano. Em O ensaio sobre o louco dos cogumelos, o autor relembra um amigo e seu fascínio por se embrenhar pelo mato (como o próprio Handke fez após o telefonema da Academia Sueca na última quinta-feira) em busca de preciosidades ocultas.

Escritos de Carlos Marighella reunidos por Vladimir Safatle sai pela Ubu Editora.

Reunião de ensaios, cartas, manifesto e poemas de Carlos Marighella, incluindo textos que só circularam clandestinamente, com nova edição após muitos anos fora de catálogo. Militante comunista desde a juventude, deputado federal constituinte e, depois de romper com o PCB, fundador do maior grupo armado de oposição à ditadura militar – a Ação Libertadora Nacional, Marighella já foi considerado o “inimigo número um” do regime. A ALN chegou a participar de assaltos a bancos, carros-fortes e trem-pagador, e do famoso sequestro do embaixador americano Charles Elbrick, ainda que seu líder não soubesse da operação. Seus métodos fizeram com que Marighella se tornasse uma das figuras mais controversas da história do Brasil. A nova edição organizada por Vladimir Safatle inclui: livro integral Por que resisti à prisão (1965); textos de análise política do país e a ruptura com o PCB, escritos sobre a luta armada, incluindo Frente a frente com a polícia e Cartas de Havana; poemas e sátiras de Marighella podem ser lidos ao longo do livro. O livro inclui ainda textos de Antonio Candido e Jorge Amado.

Sexta-feira, 18 de outubro

Poderoso e contundente relato autobiográfico sobre a vida das mulheres escravizadas nos Estados Unidos ganha nova edição.

Incidentes na vida de uma menina escrava, de Harriet Ann Jacobs é um dos mais poderosos relatos sobre o período da escravidão estadunidense; esta é a história de uma mulher em busca de sua identidade, sua sobrevivência e sua liberdade. A nova edição publicada pela Editora Todavia tem tradução de Ana Ban.

Livro conclui a trilogia brasileira de Alexandra Lucas Coelho.

A escritora portuguesa publica em simultâneo, no Brasil e em Portugal, Cinco voltas na Bahia e um beijo para Caetano Veloso no início de novembro. O livro é apresentado por aqui pela editora Bazar do Tempo, meses depois da mesma casa editorial publicar Deus-Dará, o segundo título da trilogia; o primeiro, Vai, Brasil, saiu pela Tinta-Da-China.

Itinerários pela memória

Este livro é quase um golpe baixo, é um convite à curiosidade que nos dobra. No texto de orelha, Julia Dantas já avisa “Abrimos os cadernos de solidão de Mario Lavale como quem viola o cadeado de um diário alheio: cientes de que estamos invadindo um território íntimo que não nos pertence, mas que, ao mesmo tempo, se esforça por nos seduzir”. Folhear os cadernos de Mario Lavale é compartilhar um estranho desejo de penetrar os vestígios de humanidade desse homem sem rosto, que conhecemos pelo que conta, que existe pela palavra atravessada da literatura nela mesma. Numa perspectiva que flerta com a distância de Brecht, testemunhamos a intimidade de Mario Lavale, a solidão desfiada à contragosto desde o primeiro conto, que vai ganhando densidade e até aceitação quanto mais se avança. A solidão que rejeitamos e, mesmo assim, compartilhamos em segredo com Mario. Arthur Telló dança e brinca com diferentes pontos de vista, estruturas, ecos e retornos metaliterários. Usa com precisão a lâmina fria da palavra e traça um cotidiano interior que se desdobra em uma construção primorosa de personagens, revelando um livro de fragmentos em perfeita unidade e ainda assim com diferentes temperaturas. Sem errar o passo, o autor – do livro –, desequilibra o leitor com um ritmo que lhe é absolutamente próprio e inusitado. Nas cadernetas sobre a arte e a palavra, sobra uma dúvida: “Por que escrever se torna mais importante justamente quando tudo parece tão frágil?”. Este livro é o próprio desejo de resposta.

Café da manhã dos campeões chega às livrarias depois do sucesso da reedição de Matadouro cinco.

O livro, publicado originalmente em 1973, é uma sátira ácida e bem-humorada da sociedade norte-americana, abordando temas como guerra, sexo, racismo, fama e política. Com a ajuda de seus famosos desenhos, Kurt Vonnegut conduz o leitor por uma trama sobre os absurdos da civilização americana enquanto tece uma narrativa repleta de personagens marcantes, situações inusitadas e um final surpreendente. O livro segue o projeto gráfico do anterior editado pela Intrínseca: capa dura e pintura trilateral. A nova tradução é de André Czarnobai.

DICAS DE LEITURA

Passam-se sete décadas da publicação de 1984, de George Orwell. A data é assinalada pela Companhia das Letras, editora que tem publicado a obra no Brasil nos últimos anos, com a apresentação de uma edição especial com os elementos recorrentes nesse tipo de trabalho e uma riqueza de aparato crítico. Aproveitamos a ocasião já citada numa das edições deste Boletim para, além de recomendar a obra do visionário escritor britânico, outros títulos do gênero fundamentais aos leitores.

1. Kallocaína, de Karin Boye. Esta pequena joia, uma ficção futurista escrita quase uma década antes do clássico de George Orwell, foi apresentada aos leitores brasileiros só agora pela Carambaia. A narrativa apresenta uma sociedade baseada no controle estrito de seus cidadãos: um Estado tentará dominar o último rebelde, o pensamento humano, a partir da kallocaína, um soro da verdade. A narração é do próprio inventor dessa arma, Leo Kall. O cientista se encontra preso e é submetido ao exercício dos testes de sua invenção em cobaias humanas.

2. Nós, de Ievguêni Zamiátin. Este livro é o precursor da ficção distópica; a edição brasileira mais recente foi publicada pela Editora 34. A narrativa deste romance se passa num futuro distante, com a população mundial reduzida a 10 milhões de habitantes que formam um só estado controlador. O escritor imagina um todo coletivo; as pessoas deixam de ter nomes e são identificadas apenas por números e são punidas com a morte se se desviarem das determinações do Estado. A narração é de um dos construtores de uma nave que quer levar esse modo de vida a outras galáxias.

3. Admirável mundo novo, de Aldous Huxley. O mesmo fascínio das sociedades de controle encontradas nos romances recomendados aqui se repete neste que é sempre lembrado como um dos mais importantes da distopia. O espaço é uma sociedade inteiramente organizada segundo princípios científicos, um mundo de pessoas programadas em laboratório para cumprir seu papel numa sociedade de castas biologicamente definidas desde o nascimento. Em relação aos romances anteriores, este tem impacto profundo na compreensão sobre os destinos de nossa civilização, uma vez que se apropria de situações muito próximos daquilo que a história já guardou registros; anos depois da sua publicação, conhecíamos os campos de concentração nazista, um princípio para além do ódio à raça, mas a imposição radical de modelo social no qual vigora um comando universalizante por justificações científicas e místico-ideológicas. Uma edição foi apresentada recentemente pela Biblioteca Azul, selo da Globo Livros no âmbito do novo projeto editorial da obra de Huxley no Brasil.

VÍDEOS, VERSOS E OUTRAS PROSAS

1. No dia 22 de novembro de 2017, quando se passaram os 54 anos da morte de Aldous Huxley, replicamos em nossa página no Facebook este vídeo de uma entrevista com o autor de Admirável mundo novo. Trata-se de um registro de maio de 1958. 

2. Karin Boye se destacou fora de seu país com o romance distópico Kallocaína, mas em seu país natal, a Suécia, é uma das mais importantes poetas do modernismo. Foi dela a atitude de traduzir para sua língua materna poemas de T. S. Eliot. As traduções de três de seus poemas foram publicadas no blog da revista 7faces.

BAÚ DE LETRAS

1. No blog, o leitor encontra vários textos sobre George Orwell, com destaque para sua obra-prima 1984. Citamos dois textos: neste cumprimos um percurso sobre o impacto desse romance nas sete décadas de sua circulação entre os leitores; e neste observamos alguns dos valores da obra.    

2. Quando da reedição de Admirável mundo novo no âmbito do novo e belíssimo projeto conduzido pela Biblioteca Azul, da Globo Editora, escrevemos sobre este clássico atemporal de Aldous Huxley. 

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