Boletim Letras 360º #675

DO EDITOR

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Lisa Ridzén. Foto: Gabriel Liljevall



LANÇAMENTOS

Um romance que capta com sensibilidade a realidade do envelhecimento e da despedida.

Nos últimos dias de sua jornada, Bo se agarra àquilo que mais importa em sua vida: a liberdade de escolher até o fim. Quando os pássaros voam para o sul é a estreia de Lisa Ridzén na literatura. Um romance tocante sobre memória, afeto e o que realmente permanece quando o tempo se estreita. Bo mora em uma pequena cidade na Suécia cercada por florestas, neve e um silêncio que parece eterno. Aos 84 anos, sozinho desde que a esposa foi transferida para uma casa de repouso, ele depende das visitas de uma equipe de cuidadores e agarra-se aos pequenos gestos que o ajudam a conservar sua autonomia, principalmente passear com Sixten, seu cão fiel. Até que seu filho, Hans, insiste que ele já não é mais capaz de cuidar do animal e decide levar o cachorro embora. É neste momento que Bo percebe que está prestes a perder algo essencial. O cão não é apenas companhia, mas seu último vínculo concreto com uma vida inteira de afetos, perdas e lutas. A ameaça leva Bo a colocar em perspectiva todo o seu passado: o amor profundo por Fredrika, a amizade longeva com Ture e a relação conflituosa com o próprio pai. Entre as memórias e um presente cada vez mais restrito, ele é levado a refletir sobre autonomia, dignidade e o direito de decidir até o fim. Lisa Ridzén constrói um delicado retrato humano, lembrando-nos de que vale lutar por aquilo que dá sentido à nossa existência até o último dia. O livro, com tradução de Guilherme da Silva Braga, sai pela editora Record. Você pode comprar o livro aqui.

Nesta estreia de Fabiane Secches no romance, Ilhas suspensas equilibra ensaio e ficção para contar não apenas uma história sobre saudade e solidão, como também sobre amor, família e amizade.

Mariana tem encarado a maternidade sob diferentes formas: primeiro, com a morte de sua mãe; depois, com a frustração de várias fertilizações in vitro malsucedidas; por fim, com o distanciamento da própria língua materna, quando se vê migrando com o marido para um país cujo idioma, “composto de fonemas desconhecidos”, ela não compreende. A dinâmica de constantes perdas leva Mariana a um quadro depressivo que só é aliviado pela companhia dos livros e de seu cachorro, Quincas. Entre se adaptar ao novo bairro, acostumar-se ao clima estranho e se moldar à atual rotina do marido — que, devido ao trabalho, se ambientou às mudanças com muito mais facilidade —, Mariana se dedica à escrita de sua tese de doutorado, sobre a presença de animais na literatura, enquanto coleciona trechos das obras de Donna Haraway, Susan Sontag e Carola Saavedra, na tentativa de encontrar algum tipo de resposta para as suas inquietações. De fato, é na literatura que ela experimenta esse acalanto, mas é ao lado de um grupo de amigas imigrantes que a possibilidade de recomeçar se apresenta. Publicação da Companhia das Letras. Você pode comprar o livro aqui.

Um romance histórico envolvente, no qual Valentine Penrose mescla imaginação e experimentação poética para expor um universo dominado por talismãs, demônios, astrologia e rituais ancestrais.

A condessa ensanguentada conta a história de Erzsébet Báthory (1560–1614), aristocrata poderosa nascida na Hungria feudal e pertencente a uma das mais antigas famílias magiares. Protagonista de uma das lendas mais macabras do leste europeu, a condessa se destacou tanto por sua beleza como por sua crueldade. Embora não existam provas cabais que comprovem seus crimes, há uma série de documentos sobre seu julgamento, materiais que serviram de base para a narrativa desenvolvida por Valentine Penrose. Segundo a história, Erzsébet, obcecada pela ideia de preservar sua beleza, atraía jovens servas para seu castelo nos Cárpatos e, com a ajuda de suas assistentes, as submetia a torturas e experimentos sinistros. Estima-se que, no silêncio do seu covil, mais de 600 jovens foram assassinadas. Por fim, após suas mortes, a condessa se banhava no sangue dessas moças para assim alcançar a juventude eterna. Quando a ausência de certas moças da nobreza começa a ser observada e alguns corpos são encontrados, as suspeitas começam a recair sobre Erzsébet. Traduzido por Flávia Falleiros, este livro recria a vida desta nobre húngara do século XVI, cuja existência e feitos macabros compõem o imaginário do horror ocidental. Assim como Vlad Tepes ― o Drácula, a biografia de Erzsébet transcende o tempo, transformando-se em matéria-prima para diversas narrativas ficcionais. Publicada originalmente em 1962, a obra tem como ponto de partida documentos reais sobre a condessa Erzsébet Báthory e outros relatos sobre seus crimes. A nobre, que pertencia a uma das famílias mais poderosas da Hungria, foi acusada de torturar e matar dezenas ― possivelmente centenas ― de jovens servas, culminando em processos judiciais e a uma lenda que perdura até hoje. Ao longo dos séculos, sua figura passou a navegar entre a documentação histórica e o mito, tornando-se um dos principais arquétipos do horror europeu. Leitura de especial interesse para fãs de literatura de horror , o romance de Valentine Penrose apresenta um diálogo com o romance gótico, que conduz o leitor com maestria no caminho entre inventividade e narrativa histórica.  O livro conta ainda com apresentação da obra feita por Flávia Falleiros; ela contextualiza a trajetória da autora e sua obra. No texto para a orelha da edição da Ercolano, a crítica literária Eliane Robert de Moraes afirma que “Penrose constrói um romance que se recusa a tratar o mal como exceção ou anomalia. Em vez disso, destrincha suas raízes profundas na cultura, na história e no inconsciente europeu.” Você pode comprar o livro aqui.

Livro reúne a obra do poeta Sebastião Nunes.

“Ser rotulado é começar a morrer artisticamente” ― essa afirmação do poeta Sebastião Nunes, em entrevista a Fabrício Marques em 2008, é uma ótima divisa para a obra de uma vida inteira que se mostra nas páginas de Antologia mamaluca. De fato, seus poemas ocupam um lugar único, não se dobram a qualquer rótulo e expressam uma vitalidade criativa ― e não menos combativa ― que se mantém intensa até os dias atuais. Não há dúvida de que estamos diante de um poeta, mas o que ele exige vai bem além da leitura. Como afirma Ademir Assunção na orelha do livro, a obra de Nunes se caracteriza por uma “inusitada engenharia de texto, fotomontagem, tipografia, cartum e distorção gráfica que utiliza para fustigar sem dó, e com humor implacável, a idiotia humana expressa em convenções sociais, políticas e até mesmo literárias”. Desde os anos 1960, é essa engenharia mamaluca, ácida e sarcástica, que tanto choca quanto cativa leitores das mais diferentes gerações. Na sua obra poética, mas também ficcional e ensaística, além do trabalho como editor da Dubolso, Sebastião Nunes sempre esteve atento e inconformado, captando e denunciando a tragicomédia de nosso tempo. Organizada pelo poeta Fabrício Marques, esta edição da Antologia mamaluca reúne mais de uma centena de trabalhos do poeta, retirados dos livros Última carta da América (1968), A Cidade de Deus (1970), Finis Operis (1973), Zovos (1977), A velhice do poeta marginal (1983), Papéis higiênicos (1985), Poesias (1988) e Aurea Mediocritas (1989). Publicação do Círculo de poemas/ Fósforo. Você pode comprar o livro aqui.

Obra de estreia do poeta, ativista e jornalista Mohammed El-Kurd

Rifqa é uma coletânea de poemas que mobiliza o verso como ferramenta de denúncia do colonialismo, da expulsão forçada de palestinos e do trauma gerado pela Nakba. O cerne deste manifesto lírico é sua avó, Rifqa El-Kurd, uma mulher centenária que sobreviveu a expulsões sucessivas e tornou-se o símbolo da resiliência palestina. Rifqa é a bússola moral da obra e a chave para compreender a subversão de sua linguagem: é ela quem ensina ao neto que as frases devem ser lançadas como mísseis contra a opressão. Publicado pela editora Tabla com tradução de Gabriel Semerene, o livro traz o prefácio da poeta Aja Monet e traça paralelos poderosos entre a violência em Jerusalém e a repressão policial em periferias do Sul Global, evocando pensadores como Frantz Fanon, Audre Lorde e Aimé Césaire. Para Monet, a poesia de El-Kurd é “um lar que nos foi devolvido”. Você pode comprar o livro aqui.

Livro apresenta a amostra da poesia de Ann Cotten para o leitor de língua portuguesa. 

Ann Cotten publicou o seu primeiro livro de poemas em 2007 e desde então vieram outros títulos no gênero, além de livros de prosa. Seus textos são caracterizados por experimentos e distorções linguísticas, pela transgressão e deslocamento de fronteiras entre significados, gêneros, literaturas e saberes. Uma amostra do trabalho com a poesia é reunida pela primeira vez em língua portuguesa neste Poemas, que sai pelas Edições Jabuticaba com traduções de Douglas Pompeu, Érica Zíngano, Mário Gomes e Simone Brantes. Você pode comprar o livro aqui.

Uma história herdeira dos clássicos do gênero fantástico e de fantasmas — mas numa versão contemporânea, cheia de lirismo, estranhamento e crueldade.

Uma corretora imobiliária prepara uma casa vazia para a visita de alguns compradores. Dedicada, sempre busca encontrar o proprietário perfeito para cada imóvel e orgulha-se de conseguir perceber o clima interior das casas, sentir sua história particular. Um dia, enquanto percorre uma mansão vazia à espera de novos moradores, depara-se na cozinha com um menino de sete anos que não pisca. A aparição se repete, e a mulher acaba deixando para trás seu mundo cotidiano — e, como a Alice de Lewis Carroll, atravessa o espelho. O que há do outro lado é um tempo suspenso, um ciclo e uma vida. Se no cotidiano ela é uma mulher de meia-idade, filha de um cabeleireiro e casada há dois anos com um homem mais velho por quem não sente mais atração, neste novo capítulo temporal as coisas não parecem ser tão fixas. A criança espera algo dela — isso ela sente. Aos poucos, desenvolve-se entre os dois uma dependência perturbadora, que mudará para sempre a vida da mulher. Repleto de aparições de duplos cruzamentos temporais, este pequeno romance do espanhol Andrés Barba guarda um parentesco com grandes clássicos do gênero de fantasmas, como A outra volta do parafuso, de Henry James, mas também com as narrativas impactantes de Clarice Lispector e Shirley Jackson. Barba se aprofunda nos vínculos entrepassado e presente, no que deixamos para trás, no que não deve ser perdido ou não pode ser perdoado. O último dia da vida anterior é publicado pela editora Todavia. Tradução de Fabiane Secches. Você pode comprar o livro aqui.

Nesta multifacetada coletânea de contos, os leitores serão transportados para o Japão moderno e o tradicional, um mundo onde as relações, como as entre gatos e seus donos, são construídas com afeto, cumplicidade e compreensão

Hachi e Nana, dois gatos com caudas tortas, compartilham mais do que a característica física: ambos foram abandonados por pessoas cruéis que se livram dos filhotes como se fossem objetos descartáveis. Mas, por mais que a vida de um bichinho comece em dor e solidão, sua presença e amor incondicionais são capazes de provocar profundas transformações ao seu redor. Em sete contos que percorrem diferentes ciclos da vida ― a dos humanos e a dos animais ―, Hiro Arikawa narra as histórias de Hachi, Nana e de outros gatos e seus donos, explorando essas relações com uma sensibilidade única. Através das palavras da autora, miados se tornam uma linguagem compartilhada que permite uma imersão no cotidiano desses seres pequenos e mágicos, companheiros fiéis com o poder de emocionar os seus humanos. Nestas histórias do universo do best-seller Relatos de um gato viajante, os personagens são, juntos, protagonistas de narrativas que exploram o nascimento e a morte, e como, em ambas as situações, o amor pode surgir de formas inesperadas. O gato do adeus sai pela editora Alfaguara; tradução de Rita Kohl e ilustrações de Takahiro Suganuma. Você pode comprar o livro aqui.

REEDIÇÕES

Reunindo o melhor de Carlos Drummond de Andrade, a Seleta em prosa e verso do poeta mineiro, com ensaio e notas de Gilberto Mendonça Teles, retorna ao catálogo da Editora José Olympio com capa fac-símile da edição original de 1971.

Reunindo poemas, contos e crônicas selecionados pelo próprio autor, esta antologia oferece uma leitura privilegiada da obra de Carlos Drummond de Andrade: reúne os textos que o escritor considerava essenciais, permitindo ao leitor não apenas acessar sua produção, mas percorrê-la guiado pelas suas escolhas. Ao contemplar tanto os versos que o consagraram quanto sua deliciosa prosa, o volume evidencia as múltiplas facetas de Drummond: o poeta de imaginação rigorosa, o cronista atento ao cotidiano, o observador sensível capaz de extrair beleza e inquietação dos gestos mais simples da vida. A até então única edição da Seleta em prosa e verso integrava a Coleção Brasil Moço, responsável pela formação literária de gerações de leitores. Nesta nova edição, além de manter o estudo crítico e revisar as notas do professor Gilberto Mendonça Teles, os textos de Carlos Drummond de Andrade passaram por nova fixação realizada pelo especialista Edimílson Caminha. O volume oferece, assim, um panorama consistente e qualificado da produção drummondiana, aliando leitura literária e contextualização crítica. Valiosa tanto para admiradores quanto para estudiosos, esta seleta reafirma o lugar de Carlos Drummond de Andrade como um dos pilares da literatura brasileira e como autor fundamental na formação de leitores ao longo de gerações. Você pode comprar o livro aqui.

Esta é uma edição reduzida, de recesso, por isso o Boletim Letras 360º é apresentado sem as costumeiras seções complementares.

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* Todas as informações sobre lançamentos de livros aqui divulgadas são as oferecidas pelas editoras na abertura das pré-vendas e o conteúdo, portanto, de responsabilidade das referidas casas.


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