A última sessão de cinema, de Peter Bogdanovich

Cybill Shepard. A última sessão de cinema foi o primeiro filme para a atriz.

A vida nos Estados Unidos durante os dourados anos 1950 vista na perspectiva ordinária de uma cidade do interior do Texas

O fim de um época e a decadência de seus ícones refletidos no cotidiano de uma pequena cidade do interior do Texas. A partir dessa idéia simples, o diretor Peter Bogdanovich fez um filme que homenageia, sem nostalgia e com muita personalidade, o início do fim do modelo clássico hollywoodiano que alcançou seu ápice anos de 1950.

A última sessão de cinema se passa em 1951 e acompanha dois adolescentes que vivem o fim da juventude. Sonny Crowford (Timothy Bottoms) e seu melhor amigo, Duane Jackson (Jeff Bridges), jogam no time de futebol americano do colégio. A cidade tem na piscina pública, na lanchonete e na ida ao cinema seus únicos lugares de quebra da rotina.

Os últimos dias do colégio e a solidão dos personagens tingem de melancolia o filme e tudo parece estar em decadência. A sensação de abandono e perda se acentua pelas relações amorosas conflitantes e pela convocação de Duane para lutar na Guerra da Coréia.

A banalidade dos fatos poderia ter resultado num filme menor, não fosse a habilidade da direção, que soube explorar cada nuance. Feito em preto-e-branco, o retrato da cidadezinha na década de 1950 cria a idéia de testemunha de uma realidade, documento histórico do cotidiano dos personagens.

O filme exibido em sessão que dá título ao longa é Rio Vermelho, faroeste feito por Howard Hawks em 1948, e a escolha reitera a paixão de Bogdanovich pelos clássicos. Mais relevante, talvez, que sua atuação como cineasta é seu trabalho como jornalista. Influenciado na juventude pela crítica francesa, ele realizou um conjunto de importantes entrevistas com grandes diretores. Publicou suas extensas conversas com John Ford e Orson Welles em livros reveladores e reunião seus diálogos com outros 16 realizadores na obra Afinal, quem faz filmes? (Companhia das Letras, 1997).

A última sessão de cinema marcou também a estréia de Cybill Shepard no cinema, depois conhecida com a parceira de Bruce Willis no seriado de TV dos anos 1980 A gata e o rato.

Indicado a oito Oscar em 1972, o filme venceu nas categorias Ator Coadjuvante (Ben Johnson) e Atriz Coadjuvante (Cloris Leachman).

* Revista Bravo!, 2007, p.78.

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