Orpheu ou 100 anos de um ano que não acabou

Fernando Pessoa e o segundo número de Orpheu, por Almada Negreiros (detalhe).


“Se existisse qualquer instinto do sensato em moderna literatura, eu começaria pela paisagem e terminaria pelo Orpheu. Mas, graças a Deus, não há nenhum instinto do sensato em moderna literatura, por isso deixo de parte a paisagem e começo e termino pelo Orpheu.”
– Álvaro de Campos


A revista surgida com o afã de ser uma publicação trimestral sobre literatura não nasceu ao acaso. Ela é produto de outros movimentos que já rondavam o circuito literário português ou é a conjunção de uma quantidade variável de fatores que culminaram na sua criação. Talvez esteja aqui, sem quaisquer misticismos, a raiz de sua eternidade. Além disso, Orpheu significou um ponto fora da linha comum que dominava Portugal.

Antes, em 1910, por exemplo, havia sido publicada outra revista com mesmo afã, A Águia, mas com ambição maior: ser um mensário. Sim, numa época que não deve, de maneira alguma ser confundida com a de hoje (que proliferam revistas para todos os gostos e gêneros literários) era uma revolução ter um periódico, primeiro, com pretensões literárias, segundo, com uma frequência dessas. 

As principais figuras desse periódico anterior a Orpheu são Teixeira de Pascoaes, Jaime Cortesão e Leonardo Coimbra. Mas, logo fixada à Renascença Portuguesa, o que poderia ter um caráter renovador da literatura findou por alcançar e ficar apenas na ideia de revigorar a cultura portuguesa. E teve vida longa se comparamos com os dois números da revista de 1915. Pelo menos duas décadas mais adiante. Nesse longo tempo, no seu terceiro ano, sai do grupo António Sérgio, Jaime Cortesão e Raul Proença, não à vontade com o caráter visionário que vai assumindo o Saudosismo de Pascoaes; o grupo dissidente publica em 1921 a Seara Nova

Mas, não é a dissidência e sim o visionarismo do grupo de A Águia então publicada no Porto que irá produzir num grupo de jovens em Lisboa, alguns deles chegam a colaborar com a revista de 1910, a necessidade de fomentar um movimento de igual envergadura na capital portuguesa. São Fernando Pessoa e Mário de Sá-Carneiro que, ao lado de Raul Leal, Augusto de Santa-Rita Pintor, Luís de Montalvor, José de Almada Negreiros, Rui Coelho, Tomás de Almeida, Alfredo Guisado, Armando Cortes-Rodrigues e o brasileiro Ronald de Carvalho dão substância a uma revista capaz de concretizar seus ideais estéticos em consonância com as modernas correntes europeias, quais sejam o Cubismo, o Futurismo etc., ou, na ambição do seu criador principal, o fomento de novas vanguardas.

A ideia de uma revista moderna aparece por volta de 1912. No ano seguinte, Mário de Sá-Carneiro, contista, escreve seus primeiros poemas. Em 1914, Fernando Pessoa publica, no único número da revista A Renascença (outro periódico, além de A Águia – é esse um período de efervescência, já veem) dois poemas: “O sino de minha aldeia” e “Paúis”. A publicação deste último poema é matéria para mais um ismo (agora naturalmente português) e o primeiro do grupo de Orpheu: o Paulismo

Essa tendência portuguesa do modernismo era, segundo o próprio Fernando Pessoa, vinculada ao Simbolismo, movimento que considera a primeira manifestação desse novo braço estético modernista. Posterior a este, tratará mais adiante do que designou como Interseccionismo e Sensacionismo. Este último terá sido o ponto de encontro que melhor perfomava seus interesses de vanguarda uma vez que fundiam-se nacionalismo e cosmopolitismo, neossimbolismo e a possibilidade de ter pela literatura lugar de sentir tudo de todas as maneiras e ser tudo e ser todos. O Interseccionismo figurou como um novo gênero do paulismo, nas palavras de Fernando Pessoa. 

É no interior desses experimentalismos que chegam a Lisboa Sá-Carneiro e Santa-Rita; retorna do Brasil, onde estivera como embaixador no Rio de Janeiro, o poeta Luís de Montalvor. É na capital carioca que nasce a ideia da revista entre Montalvor e o poeta brasileiro Ronald de Carvalho. Em fevereiro de 1915 a revista já está quase pronta; seria trimestral e teria dois diretores: Ronald, no Rio, e Montalvor, em Lisboa. Em fins do mês de março o primeiro número de Orpheu é distribuído aos assinantes e vendido nas livrarias.

Orpheu trouxe à luz o que Massaud Moisés uma vez chamou de “poesia alucinada, chocante, irritante, irreverente, com o fito de provocar o burguês, símbolo acabado da estagnação em que se encontra a cultura portuguesa.” Esta observação é dominante na crítica. Cabral Martins, na introdução para a edição fac-similar da revista diz que o segundo número consegue estabelecer “a violência de ruptura”; Jorge de Sena reitera que esta publicação “constituiu um escândalo, que ainda hoje dura”; e João Gaspar Simões, no ano do cinquentenário da revista, celebrado em 1965, disse que desde então “tudo o que se faz em Portugal em matéria de arte e literatura sem tomar em conta a revolução operada pelo Orpheu não chegar a ser arte nem literatura.”

Num inédito, de outubro de 1934, Almada Negreiros, quem participou da formação do grupo literário comenta que a revista é produto de um período decadente e hostil “congestionado de realidades políticas que tiranizavam exclusivamente todo país”. Havia (os artistas) tanto que destruir quanto construir. O tempo necessitava da ação dos mais ousados. “Se não nos entendessem, ao menos que nos ouvissem gritar”.

Orpheu foi, assim, signo de um tempo de angústia geral, fruto de uma crise que tomava a Europa e o mundo – a Primeira Guerra Mundial é manifestação maior dessa crise. E o tom com que as produções se assumem é de uma rebeldia e tomada pela necessidade de abandonar os velhos modelos tradicionais no intuito de alcançar novas fórmulas substitutivas. Tem vazão nesse contexto os sentimentos da anarquia, do relativismo cujas raízes são mais profundas do que solo contemporâneo donde emergem, dialogam com o as bases românticas.

As duas edições de Orpheu em fac-similar da editora Ática.


O primeiro número de Orpheu traz capa desenhada por José Pacheco e refere-se ao trimestre janeiro-março de 1915. Colaboram Luís de Montalvor (quem escreve o editorial), Mário de Sá-Carneiro (doze poemas com título de geral de “Para os Indícios de Oiro”), Ronald de Carvalho (cinco poemas), Fernando Pessoa (o drama estático “O marinheiro”), Alfredo Pedro Guisado (“Treze sonetos”), José de Almada Negreiros (“Frisos, prosas”). Cortes-Rodrigues (três “Poemas”) e Álvaro de Campos (“Opiário" e “Ode triunfal”). É uma edição ainda assinalada por transições. A rebeldia se vê mais nos aspectos estéticos e formais das criações publicadas; tanto que o sismo que se desencadeia a partir da publicação dessa revista melhor se observa em torno do segundo número. 

Publicamente a revista teve a pior das recepções; e desde o primeiro número desencadeou na imprensa da época comentários que reduziram o grupo de jovens escritores ao epíteto de doidos varridos: “Literatura de manicómio”; “Os bardos do Orpheu são dois com juízo”; “Os poetas do Orpheu e os alienistas”; “O suposto crime do Orpheu”; “Orpheu nos infernos”). Os poemas de Mário de Sá-Carneiro e de Álvaro de Campos formam a marca desse celeuma da imprensa. Mas, o escândalo deu-lhe audiência, como escreveu o próprio Pessoa em carta a Armando Cortes-Rodrigues

“Ontem deitei no correio um Orpheu para si. Foi só um porque podemos dispor de muito poucos. Deve esgotar-se rapidamente a edição. Foi um triunfo absoluto, especialmente com o reclame que A Capital nos fez com uma tareia na 1.ª página, um artigo de duas colunas. Não lhe mando o jornal porque lhe escrevo à pressa, da Brasileira do Chiado. Para a mala seguinte contarei tudo detalhadamente. Há imenso que contar. Agora tenho tido muito que fazer. Da livraria depositária é que seguirão os exemplares para os assinantes e livrarias daí. Naturalmente não há números para irem para todos os nomes que v. indica. Vão para alguns. Naturalmente temos que fazer segunda edição. Somos o assunto do dia em Lisboa; sem exagero lho digo. O escândalo é enorme. Somos apontados na rua, e toda a gente – mesmo extra literária – fala no Orpheu”.

Além da crítica de A Capital a que se refere Fernando Pessoa, o diário O intransigente também chegou a dizer num texto intitulado “A caminho do manicómio” – talvez a matéria que teve maior penetração no público geral – que Orpheu era o signo da decadência cultural portuguesa .

Duas semanas depois, noutra carta para Armando Cortes-Rodrigues, Pessoa reafirma o êxito da revista: “Lembrou-me hoje de repente, e felizmente lembrou-me a tempo, visto que são 19. E não tenho tempo para tratar de reunir alguns, pelo menos, dos artigos que se têm escrito sobre o Orpheu; tenho pena de que o não possa fazer, porque v. havia de rir imenso com eles. Para a outra mala – definitivamente lho prometo – não esquecerei. Tantos e tais foram os artigos, que em três semanas o Orpheu se esgotou – totalmente, completamente se esgotou.”*

O segundo número da revista traz duas dissidências: Ronald de Carvalho, que talvez estivesse mais por acompanhamento diplomático, uma vez ser sua a obra mais destoante da unidade formada pelo restante dos colaboradores e Luís de Montalvor. Gaspar Simões diz que o gesto de Montalvor em assinar o editorial do primeiro número “deve ser apenas interpretado como um ato de política administrativa”; é possível, assim, por extensão pensar o mesmo da presença de Ronald. Era de interesse inicial que Orpheu fosse uma publicação luso-brasileira, estratégia feita em parte de um interesse comercial.

Cleonice Berardinelli chama atenção para a “redação deficiente e ambígua” do texto de introdução de Luís de Montalvor, uma tentativa de dizer os propósitos da revista, o que, na prática não se mostrou. “Puras e raras suas intenções como seu destino de Beleza é o do: – Exílio!”, dizia a apresentação. E: “A nossa pretensão é formar, em grupo ou ideia, um número escolhido de revelações em pensamento ou arte, que sobre este princípio aristocrático tenham em Orpheu o seu ideal esotérico e bem nosso de nos sentirmos e conhecermo-nos.” Ora, “O que aí está é, sobretudo, uma profissão de fé decadentista, que Orpheu também conterá, entre expressões interseccionistas, futuristas, sensacionistas e outras”, analisa a crítica. Mas, “mais expressivas que a Introdução são as colaborações de Sá-Carneiro, Pessoa, Álvaro de Campos, Ronald de Carvalho, Almada Negreiros etc.”, completa. 

Fernando Pessoa e Mário de Sá-Carneiro assumem a direção da revista. A revista corresponde ao segundo trimestre de 1915 (abril-maio-junho) tem os seguintes colaboradores: Ângelo de Lima (“Poemas inéditos”), Mário de Sá-Carneiro (“Poemas sem suporte”), Eduardo Guimarães (“Três poemas”), Raul Leal (“Atelier”, nova vertígica), Violante de Cysneiros (“Sete poemas”), Álvaro de Campos (“Ode marítima”), Luís de Montalvor (“Narciso”, poema) e Fernando Pessoa (“Chuva oblíqua”, poemas interseccionistas). Santa-Rita colabora com 4 hors-texte duplos. Violante Cysneiros é uma criação de Fernando Pessoa e os poemas aparecidos no Orpheu com aquele nome são de Armando Cortes-Rodrigues. Ângelo de Lima é um dos internos no hospital de Rilhafoles, casa de saúde onde vem a falecer anos depois. É possível que Fernando Pessoa tivesse encontrado nesse poeta um superrealismo e que a sua presença na revista constituísse também uma sensação.

Vinte anos mais tarde, o próprio Fernando Pessoa dará testemunho sobre os dois poetas ao escrever o texto “Nós, os de Orpheu”, publicado por Almada Negreiros na revista Sudoeste, em novembro de 1935, em homenagem aos 20 anos da revista de 1915; essa foi a última edição da Sudoeste que reuniu colaborações do grupo de Orpheu e Presença (outro periódico gestado nesse mesmo período das revistas). É quando é anunciado que não virá acontecer a chegada de um terceiro número de Orpheu como ainda era esperado.

Sobre Ângelo de Lima, diz Pessoa, “De Ângelo de Lima como nada descobríssemos de inédito, decidimos publicar aquele extraordinário soneto – dos maiores da língua portuguesa – em que o poeta descreve a sua entrada na loucura, em que longos anos viveu e em que morreu. O soneto, se não é inédito, está contudo esquecido. Publicando-o, não deixamos de, saudosamente, fazer lembrar quem, não sendo nosso, todavia se tornou nosso”. Acerca de Cortes-Rodrigues, escreve: “Nada porém foi possível incluir de Cortes-Rodrigues, que é directamente de Orpheu e os poemas de cuja personalidade inventada, Violante de Cysneiros, são uma maravilha subtil de criação dramática”. 

No jornal A Capital publica-se uma nota que pode se oferecer como síntese da recepção negativa sobre a revista; sem autoria, diz o texto: “Têmo-lo aqui, o segundo número de Orpheu, a singularíssima revista sobre a qual chamámos há três meses as atenções do público e especialmente dos psiquiatras... Dividiram-se as opiniões sobre os moços que subscrevem as extravagâncias inacreditáveis do trimensário, afirmando-se ora que são loucos, varridíssimos de todo, ora que apenas querem divertir-se à nossa custa”. E finda: “Os poetas e os prosadores de Orpheu, em nosso parecer, sofrem quase todos da cabeça”. Não há de deixar de chamar atenção dois atenuantes: singularíssima e quase todos. Talvez quem dizia sabia dos valores que fariam o ideário perdurar tanto na literatura portuguesa.

O número 2 anunciou que para breve aconteceria um programa de conferências de feições futuristas: “A Torre Eiffel e o génio do futurismo”, a cargo de Santa-Rita; “Teatro futurista no espaço”, por Raul Leal; “As esfinges e os guindastes: estudo do bimetalismo psicológico”, por Mário de Sá-Carneiro; e “A arte e a heráldica”, por Manuel Jardim. Não se realizou nenhuma. Reabriu o anúncio de publicação do “Manifesto da Nova Literatura”, o que também não se cumpriu. E, por mais que Fernando Pessoa tenha trabalhado por explicar o ideário de Orpheu ficamos sempre com o termo da insuficiência sobre uma definição do projeto.

E terá sido essa edição a que fez com o espírito revolucionário tenha se mantido aceso um século depois – porque depois dela não existiram mais edições. Mário de Sá-Carneiro quem sustentava financeiramente o periódico suicidou-se e o terceiro número já quase pronto não veio a lume. Outras tragédias também marcaram o fim da revista: em 1916 morreu Santa-Rita Pintor e Amadeu de Souza Cardoso, deste último, Pessoa planejou inserir trabalhos seus no terceiro número de Orpheu. Num texto escrito em Moledo do Minho Almada assim lembra o desfecho trágico do grupo: “Mário de Sá-Carneiro suicidou-se em Paris ao peso de todas as suas razões pessoais. Guilherme de Santa-Rita, o espírito mais brilhantes que conheci, alma veemente de iluminado traída por uma natureza ingrata que acabou por fim antes quase de começar a sua vida. Amadeu de Souza-Cardoso, o pintor por excelência, o autêntico génio do grupo, o exemplo mais formidável de artista português de hoje em qualquer parte do mundo, é levado em plena vida meia dúzia de horas por uma epidemia, no instante mesmo em que seu espírito exuberante produzia inúmeras de suas telas mais vigorosas.”

Nos 20 anos de Orpheu é novamente Almada quem intervém num texto publicado no Diário de Lisboa onde confessa que o aparecimento da revista foi produto de um europeísmo que tinha por finalidade a conquista da elite portuguesa. A elite que faltava em Portugal. O que desejavam os escritores de Orpheu era que “houvesse Portugal e também portugueses. Portugueses sobretudo visto que Portugal já há”.

Na lista do porvir, o terceiro número também não se cumpriu. Ainda chegou a ser encaminhado para a gráfica em 1916. Mas a morte precoce de Mário de Sá-Carneiro, mentor financeiro, terá sido o ponto final. Ou uma vírgula.  

Depois de tudo, Fernando Pessoa e José Pacheco ainda conseguiram imprimir as provas parciais para um terceiro número; no sumário as seguintes colaborações: “Poemas de Paris”, de Mário de Sá-Carneiro; “Após o rapto”, composição de Albino de Meneses; “Gládio” e “Além-Deus”, poemas de Fernando Pessoa, “Por esse crepúsculo” e “A morte de um fauno”, por Augusto Ferreira Gomes; “A cena do ódio”, de Almada Negreiros, “poeta sensacionista e Narciso do Egipto”; “Olhos”, por D. Tomás de Almeida; “Para além d'outro oceano”, notas de C. Pacheco (À memória de Alberto Caeiro); “Névoa”, composição de Castelo de Morais.

Terminara assim a experiência do primeiro grupo modernista que tentou criar uma arte cosmopolita no tempo e no espaço. Entendia Fernando Pessoa que a verdadeira arte teria de ser maximamente desnacionalizada, isto é, acumular dentro de si todas as partes do mundo, só assim seria radicalmente moderna. Orpheu representou essa postura e sua modernidade e cosmopolitismo rompendo com a tradição. “Temos de afirmar esta revista, porque ela é a ponte por onde a nossa Alma passa para o futuro”, disse Pessoa. E ficou para o futuro; se nunca, desde então, o sonho esteve morto pelo demonstração de vinte anos depois dar continuidade a revista, agora, noutros moldes, como ficará revelado em 1935 no terceiro número dos cadernos Sudoeste, de Almada Negreiros dedicado à memória de Orpheu através do texto de Pessoa aí publicado: “Orpheu acabou. Orpheu continua”.

Orpheu não desapareceu. Ela ainda é enigma, símbolo ou signo sobre a necessidade de impulsionar novos projetos de natureza visionária; e afinal, todo esforço é válido quando se tem uma ideia brilhante para se levar adiante.

Ligações a esta post:
>>> Na nossa biblioteca disponibilizamos um fac-símile da 1ª edição de Orpheu. Acesse aqui.


* PESSOA, Fernando. Correspondência 1905-1922. Lisboa, Assírio & Alvim, 1999, p. 161 e p. 162, respectivamente.

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