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Orpheu ou 100 anos de um ano que não acabou

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Fernando Pessoa e o segundo número de Orpheu , por Almada Negreiros (detalhe). “Se existisse qualquer instinto do sensato em moderna literatura, eu começaria pela paisagem e terminaria pelo Orpheu . Mas, graças a Deus, não há nenhum instinto do sensato em moderna literatura, por isso deixo de parte a paisagem e começo e termino pelo Orpheu .” – Álvaro de Campos A revista surgida com o afã de ser uma publicação trimestral sobre literatura não nasceu ao acaso. Ela é produto de outros movimentos que já rondavam o circuito literário português ou é a conjunção de uma quantidade variável de fatores que culminaram na sua criação. Talvez esteja aqui, sem quaisquer misticismos, a raiz de sua eternidade. Além disso, Orpheu  significou um ponto fora da linha comum que dominava Portugal. Antes, em 1910, por exemplo, havia sido publicada outra revista com mesmo afã, A Águia , mas com ambição maior: ser um mensário. Sim, numa época que não deve, de maneira alguma ser confundida com a ...

Almada Negreiros e as artes plásticas

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Almada Negreiros. Retrato de Fernando Pessoa .  Óleo sobre tela, 1964 (detalhe). Talvez cá pelo Brasil Almada seja o poeta de uma tela só. É que por aqui o seu trabalho mais famoso na pintura é um quadro de 1964, Retrato de Fernando Pessoa , reproduzido constantemente em materiais didáticos, capas de livros ou a ilustrar matérias cujo foco é o poeta português. Mas, uma pesquisa não muito adiantada na web vai revelando que talvez mais que o designativo poeta Almada mereça o de artista plástico, ou, para ser justo com a extensa capacidade criativa seja o de multiartista – já que produziu não apenas na poesia e outros gêneros literários, nem somente na pintura, mas ainda em composições coreográficas para o balé, decoração, tapeçaria, gravura, caricatura, mosaico, vitral, mural, além de ter sido um dos estudiosos da História da Arte Portuguesa. Ao tratar esta matéria por “Almada Negreiros e as artes plásticas” já aqui temos um longo caminho a percorrer. Resumiremos o tra...

Almada Negreiros

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Auto-retrato num grupo . Óleo sobre tela, 1925. Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa, Portugal. O painel foi realizado por Almada Negreiros para o café A Brasileira e com ele o autor participou do Salão de Outono de 1925. “A vocação de Almada foi a de dizer-se , de afirmar-se , de passar a vida a ser-se Almada. ” " —  Eduardo Lourenço “A Raça Portuguesa não precisa de reabilitar-se, como pretendem os tradicionalistas desprevenidos; precisa é de nascer pro século que vive a Terra.” —  Almada Negreiros Este é um poeta que a crítica o tem como a figura mais polêmica do Modernismo português e assim o foi nas mais diferentes manifestações artísticas – na prosa, no teatro, na poesia e nas artes plásticas. Mas, na definição de Carlos Queirós “em tudo, e sobretudo, poeta. Ele próprio, humanamente, poeta”. Sua inquietude ou rebeldia não são gratuitas. Almada, além do olhar aguçado do poeta forma-se poeta de um tempo também de inquietudes e de rebeld...