As marcas do vampiro em Virgínia mordida, de Jeovanna Vieira
Por Vinícius de Silva e Souza Em seu romance de estreia, Jeovanna Vieira consegue algo invejável: pegar o leitor e deixá-lo incapaz de não concluir o livro — algo que, recentemente, me aconteceu apenas com A vegetariana , de Han Kang. Virgínia mordida , à primeira vista, parece um romance nichado, mas é justamente nesse aspecto que reside sua principal qualidade: o ritmo próprio e sua narrativa, que é a história de uma mas também de tantas pessoas ao mesmo tempo. Como os começos dos feminicídios nesse tempo recordes, o começo da história é quase o mesmo: uma mulher presa em um relacionamento abusivo que escala até os níveis mais extremos. Nos casos midiatizados, quase todas as vezes, fatais. Não é o caso de nossa protagonista. Por mais verossímil que fosse, uma narrativa de abuso e machismo concluir-se com a morte da protagonista, a vítima, com muita facilidade ficaria esvaziada de sentidos para além da denúncia, por isso, sabiamente, Jeovanna escala, sim, o relacionamento qu...