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Shakespeare sob a lupa do século da razão

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Por Teresa Galarza Ballester   “Se não pode vencê-lo, edite-o” poderia ser o lema secreto de um editor, ou de alguém insatisfeito com o que escreve, mas com uma ideia de como escrever bem. E também poderia ter sido o lema não oficial do Iluminismo quando este se deparou com os textos de William Shakespeare. O século XVIII, tão sensato, tão cético — o que poderia fazer com um dramaturgo que desconsiderava as unidades aristotélicas e tinha a audácia de misturar o sublime com o cômico? Editá-lo, é claro. Como Jonathan Bate aponta em The Genius of Shakespeare  (1997), editar Shakespeare não era simplesmente uma questão de restaurar o texto; era uma questão de aprimorá-lo. Para entender o fenômeno das adaptações e revisões do século XVIII, é útil começar com um fato curioso: Shakespeare era celebrado apesar de si mesmo. No auge do racionalismo e da estética neoclássica, os temas abordados por sua obra — a ambição, a paixão, a loucura, o conflito entre dever e desejo — continuavam a...