Auta de Souza: a indelével mediocridade
Por Márcio de Lima Dantas Et comme il savourait sur tout les sombres choses, Quand, dans la chambre nue aux persiennes closes — Artur Rimbaud Mas perdi-me ao seguir a criançada — Bruno Tolentino 1. Prelúdio: andante Também não gosto. Lendo-a, no entanto, com total desprezo, a gente acaba descobrindo nela, afinal de contas, um lugar para o genuíno. — Marianne Moore Até parece que a poeta americana escreveu este poema pensando na poeta norte-rio-grandense Auta de Souza (12.09.1876 – 07.02.1901). Poucos são os que a leram com atenção, porém vasto o número dos que apreciam a poesia do seu único livro publicado em vida: Horto . No âmbito da nossa crítica universitária, é unânime o desprezo pela obra da poeta, embora no entourage dos meios indigitados oficiais o nome dela seja citado como uma das potentes vozes da lírica do estado. Contudo, um olhar mais acurado sobre o conjunto da sua obra talvez revelasse coisas para além dos clichés , sem muita reflexão, que lhe são atri...