Boletim Letras 360º #397

 
 
DO EDITOR
 
1. Saudações, caro leitor! Os boletins, na aproximação com o fim do ano ― e ainda mais num ano atípico em relação aos outros ― começam a emagrecer. Esta é uma post semanal criada desde quando os algoritmos do Facebook passaram a trair nós todos. Reúnem-se aqui todas as notícias compiladas ao longo da semana naquela rede social. Obrigado pela companhia por aqui e noutros canais do blog. Boas leituras!


Afonso Reis Cabral. Livro do escritor ganhador do Prêmio José Saramago em 2019 chega ao Brasil. 



LANÇAMENTOS

Coletânea reúne contos de fadas da literatura russa.

Os contos de fadas começaram a ser coletados com mais intensidade em diversos países na época do Romantismo, como uma maneira de resgatar as histórias contadas pelo povo ao longo de séculos. Os originários da Rússia, no entanto, são menos conhecidos no Ocidente e têm características próprias, como a forte ligação com a natureza, na qual o inverno, por exemplo, é personificado num ser que pode ser bom ou mau, dependendo da forma como se lida com ele. Nos contos russos as mulheres também são muito menos passivas, e delas depende o seu próprio caminho. As famosas matrioshkas russas, bonecas de madeira que se encaixam umas dentro das outras, simbolizam, entre outras coisas, a imortalidade por meio da maternidade, sendo a última boneca, geralmente, um bebê. No livro O pássaro de fogo e outros contos de fadas russos publicado pela LeYa, os organizadores Adriana Moura e Paulo Rezzutti apresentam um pouco desse mundo tão rico e pouco conhecido no Brasil, cujos temas são universais e continuam atuais. Os dois se dedicaram à tarefa de seleção dos contos e à pesquisa das suas inúmeras edições, a fim de apresentar ao leitor uma tradução apurada.

Uma das obras mais emblemáticas do século XX ganha edição atualizada com nova tradução, projeto gráfico especial e ampla fortuna crítica.

A história é conhecida: cansados da exploração a que são submetidos pelos humanos, os animais da Fazenda do Solar se rebelam contra seu dono e tomam posse do lugar, com o objetivo de instituir um sistema cooperativo e igualitário. Mas não demora para que alguns bichos voltem a usufruir de privilégios, fazendo com que o velho regime de opressão regresse com ainda mais força. Escrita em plena Segunda Guerra Mundial e publicada em 1945, A fazenda dos animais é uma alegoria satírica sobre os mecanismos do poder e tudo aquilo que leva à corrosão de grandes ideias e projetos de revolução. Pela primeira vez no Brasil, o clássico de George Orwell é publicado com seu título original. Com nova tradução, de Paulo Henriques Britto, e projeto gráfico especialíssimo ― com capa em tecido, corte impresso e obras da artista brasileira Vânia Mignone ―, este A fazenda dos animais conta também com uma série de ensaios que cobrem a recepção crítica do livro desde o seu lançamento até os dias de hoje.

Livro vencedor do Prêmio José Saramago 2019 ganha edição no Brasil.

Em fevereiro de 2006, os Bombeiros Sapadores do Porto resgataram do poço de um prédio abandonado um corpo com marcas de agressões e nu da cintura para baixo. A vítima, que estava doente e se refugiara naquela cave, fora espancada ao longo de vários dias por um grupo de adolescentes, alguns dos quais tinham apenas doze anos. Rafa encontrara o local numa das suas habituais investidas às “zonas sujas”, e aquela espécie de barraca despertou-lhe imediatamente o interesse. Depois, dividido entre a atração e a repulsa, perguntou-se se deveria guardar o segredo só para si ou partilhá-lo com os amigos. Mas que valor tem um tesouro que não pode ser mostrado? Romance vertiginoso sobre um caso verídico que abalou Portugal, fascinante incursão nas vidas de uma vítima e dos seus agressores, Pão de açúcar é uma combinação magistral de fatos e ficção, com personagens reais e imaginárias meticulosamente desenhadas, que vem confirmar o talento e a maturidade literária de Afonso Reis Cabral. O livro é publicado pela HarperCollins Brasil.

Edição reúne ensaios sobre a obra dos escritores Sophia de Mello Breyner Andresen e Jorge de Sena.

Organizado por Gilda Santos, Luci Ruas e Teresa Cerdeira, Sena & Sophia: Centenários sublinha a o obra de dois escritores portugueses que, recentemente, atravessaram o primeiro século do nascimento. Ao todo são quarenta especialistas, do Brasil e Portugal, que analisam e iluminam aspectos da obra e da vida de Sophia de Mello Breyner Andresen e Jorge de Sena. O livro é publicado pela Editora Bazar do Tempo.
 
DICAS DE LEITURA
 
Depois de algumas andanças por longe das recomendações de livros aparecidos recentemente na nossa cena, voltamos outra vez a olhá-los para indicar três leituras que se mostram promissoras.
 
1. Ancestral, de Goliarda Sapienza. Este livro foi uma bela e tardia surpresa para os leitores da escritora italiana que ficou reconhecida pelo romance L’arte dela gioia; escrito no final dos anos 1950, isto é, ainda no começo da sua vida literária, a aparição pela primeira vez apenas em 2013 na Itália é a peça que faltava para compreender o rico traço criativo da obra de Sapienza. Graças a este livro sabe-se, agora, que sem a poesia muito provavelmente não existiria sua prosa. Com tradução de Valentina Cantori, a primeira fora do italiano, o livro é publicado no Brasil pela Editora Âyinè.
 
2. Ponte sobre o Drina, de Ivo Andrić. Este é o romance mais conhecido do escritor sérvio Prêmio Nobel de Literatura e é um amplo panorama sobre a passagem do tempo e as transformações sociais em três séculos de história, a começar pelo ano de 1516. Todas as variantes na vida cotidiana dos habitantes de Víchegrad, os pequenos dramas, as pequenas alegrias, as tragédias, tem com espectadora a imponente ponte sobre o Drina ― daí o título deste livro. A tradução direta do sérvio é de Aleksandar Javanović e é publicada pela Editora Grua.
 
3. Comemadre, de Roque Larraquy. O escritor argentino em destaque no seu país ― este romance está publicado em inglês, francês, italiano, árabe e grego ― chega pela primeira vez ao Brasil. O livro foi lido pelo jornalista Rodrigo Casarin como “o que há de melhor na literatura argentina contemporânea: o horror, o absurdo, o bizarro, os toques de um humor nada óbvio... E, claro, a acidez, a capacidade de incomodar.” O romance é constituído por duas narrativas que estão separadas por quase um século. De um lado, um grupo de médicos num sanatório inicia certo experimento que parte da ideia de que o ser humano consegue falar em até nove segundos depois de ter a cabeça decepada. De outro, um artista contemporâneo que trabalha com membros amputados de seres humanos, incluindo os seus. O livro tem tradução de Sérgio Karam e é publicado pela Editora Moinhos.
 
VÍDEOS, VERSOS E OUTRAS PROSAS
 
1. No fim dos anos 1980, Cacaso — mais conhecido por sua produção como poeta, ensaísta e letrista — fez uma breve incursão nos contos, publicando “Inclusive… aliás…” e “Buziguim” na revista Novos Estudos Cebrap”, em 1986 e 1987. Neste e-book disponibilizado gratuitamente pela Companhia das Letras, o leitor tem acesso a estes dois contos e outros seis, todos inéditos em livro e recolhidos pela primeira vez pelo poeta e pesquisador Mariano Marovatto dos cadernos de um dos nomes incontornáveis da geração mimeógrafo. Basta ir aqui. Por esses dias a casa editorial retomou a publicação anunciada aqui desde 2018 da poesia completa de Cacaso. 
 
2. A primeira visita de Oscar Wilde a América foi durante o ano de 1882, período durante o qual conduziu uma turnê de palestras pelo continente, incluindo duas viagens pelo Canadá. O itinerário desta viagem de palestras formativas nunca foi compilado com precisão. O projeto "Oscar Wilde in América" organiza esse período de maneira definitiva. Tão logo chegou a Nova York, o autor de "O retrato de Dorian Gray" fez uma série de fotografias que vieram definir a imagem que temos dele hoje. Este site do projeto é o único repositório, em forma de livro ou online, onde todas essas fotografias são exibidas em um só lugar; ao todo são conhecidos vinte e nove retratos realizados em 1882 e três em 1883 tiradas por Napoleon Sarony. Conheça tudo aqui.
 
3. Esta semana que agora termina foi marcada pelos 52 anos sobre a morte de um dos mais importantes poetas da nossa lírica, Manuel Bandeira ― foi no dia 13 de outubro. Em nossa página no Facebook é possível encontrar alguns dos seus poemas, como este, de Libertinagem.
 
BAÚ DE LETRAS
 
1. E, sobre Oscar Wilde, o leitor encontra uma variedade de textos aqui no blog, entre, outros: a) podem saber algo sobre a poesia do escritor reconhecido pelo seu trabalho com o teatro; b) assistir três animações a partir de três contos seus; c) ouvir um raro áudio em que Wilde lê uma passagem de sua obra; d) visitar seu túmulo em Paris; e) ler mais sobre o seu famoso romance, O retrato de Dorian Gray; f) conhecer um pouco da história amorosa que o arrastou para a ruína total.
 
2. Ainda na lista dos aniversários, neste 17 de outubro, nasceu, em 1924, António Ramos Rosa. Sua obra já foi recomendada algumas vezes na seção “Dicas de leitura” deste Boletim. E no blog, estão algumas posts sobre o poeta português e sua literatura: a) encontram aqui um breve perfil acompanhado de uma amostra de sua poesia; b) um texto de Maria Vaz sobre o livro O aprendiz secreto; c) um texto de Pedro Belo Clara sobre Numa folha, leve e livre.

.........................
Siga o Letras no FacebookTwitterTumblrInstagramFlipboard


Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Onze romances recomendados por Mario Vargas Llosa

Boletim Letras 360º #398

Os mistérios de “Impressão, nascer do sol”, de Claude Monet

O novo cânone literário afro-americano

Dossiê James Joyce: um guia para entender Ulysses

George Orwell, a verdade está fora das redomas de poder