Charles Dickens



A sede de leitura não é suficiente para se aproximar de determinados escritores ou das escritas suas. Suficiente é o tempo. Esse, que já noutra ocasião andei a falar mal dele. Mas, mesmo falando mal é insuficiente porque ele não nos dá trégua. Como por aqui não é um espaço apenas para aquilo que leio, mas também para aquilo que anseio ler, está aí notas sobre um escritor inglês que fecha este ano seu bicentenário de nascimento: Charles Dickens.

**

Autor de clássicos como Oliver Twist (ido já por várias vezes para as telas do cinema) e David Copperfield, Dickens figura, nas palavras do princípe Charles, por ocasião dos cerimoniais de comemoração ao bicentenário do escritor, como o que há de melhor na literatura de Inglaterra. Não será exagero a afirmação de Charles. O autor - para além da fama Best-Seller de seus romances e contos ainda durante o tempo em que viveu até os dias de hoje - é responsável por uma nova de fazer literatura na ficção inglesa, uma vez que, é o primeiro a preocupar-se com um cunho social no âmbito da arte literária, dando ênfase aí, no coração de muitas de suas obras a personagens à margem de toda a pompa do império. Claro destaque para o tema da infância, tratado em muitas das obras de Charles Dickens, sendo que ajudou a firmar o tema como um forte componente dos relatos romanescos no século XIX; destaque para Grandes esperanças (1861), obra que expõe, através da personagem Pip, a fértil imaginação da mente infantil, ao mesmo tempo que revela o dilema da criança diante da linguagem cifrada do mundo adulto.

Não somente isso, mas como todo grande escritor, Dickens prestou um grande serviço ao sistema linguístico de seu país por introduzir aí - a modo de Guimarães Rosa, cá no Brasil, mas talvez não com a mesma dimensão - uma série de novos vocábulos.

O autor se insere no período que a crítica chama de Era Vitoriana ou o do realismo inglês e deixou, em pouco mais de 35 anos de carreira literária, 15 romances (contando com O misterio de Edwin Drood, romance inacabado) e cerca de 1 000 personagens.

***

1. Por ocasião do bicentenário do escritor (Charles Dickens nasceu em fevereiro de 1812), uma série de iniciativas ao redor do mundo foram ganhando forma. Em Londres, no Museu Nacional, abriu-se uma exposição grandiosa, Dickens and Lond, com mais de 100.000 itens, sobre a vida e a obra do autor e sua relação com a capital inglesa. Pinturas, fotografias, trajes e objetos que ilustram temas sobre os quais Dickens compôs sua obra estão aí incluídos. Dentre manuscritos raramente vistos, como o David Copperfield. A exposição ainda recobra a infância do escritor na Londres do século XIX. Nesse período, Dickens trabalhou como muitos, forçadamente, nas fábricas. Era o período de eferverscência industrial na Europa e, Londres figura como centro dessas transformações. Não será à toa então que, mais tarde, o escritor se aproprie desse contexto para expor aí não somente a pompa e riqueza, mas sobretudo, a pobreza, a prostituição, a mortalidade infantil como temas da Londres de seu tempo.

Além da mega-exposição o Museu de Londres, lança-se vários outros projetos de grandeza, como publicações, inéditos, catálogos etc. Numa das iniciativas recupera vários escritos de Dickens publicados em jornais e revistas da sua época. A ideia é por on-line para iPad e iPhone uma edição eletrônica batizada de Dickens Newspaper; a primeira edição veio a lume no dia de seu bicentário, 07 de fevereiro.

2. Outras exposições e eventos estão abertos na Biblioteca de Londres e no Museu Charles Dickens. Do último é possível presenciar uma amostra numa página especial concebida para a data em sugestão e conferir, inclusive, a leva de atividades postas em ação em torno do nome e da obra do escritor.

3. Free Library of Philadelphia põe on line plano para apresentar suas coleções sobre o escritor inglês com a digitalização de cartas, manuscritos, ilustrações e outros tesouros literários. A página abriga ainda um guia com eventos que ocorrerão em todo o mundo e um blog com notícias relacionadas a tudo que diz respeito ao autor de Oliver Twist.




 

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

20 + 1 livros de contos da literatura brasileira indispensáveis

Carolina Maria de Jesus, a escritora que catava papel numa favela

José Saramago e As intermitências da morte

Visões de Joseph Conrad

Cecília Meireles: transcendência, musicalidade e transparência

Sor Juana Inés de la Cruz, expoente literário e educativo do Século de Ouro espanhol

Ensaios para a queda, de Fernanda Fatureto

A melhor maneira de conhecer o ser humano é viajar a Marte (com Ray Bradbury)

Não adianta morrer, de Francisco Maciel

Os diários de Sylvia Plath