Boletim Letras 360º #460

  
DO EDITOR
 
1. Caro leitor, entramos em 2022. Espero que neste ano continuemos firmes no projeto de ler e conversar sobre os livros que amamos e fortalecer os encontros e os debates que estabelecemos nesses 15 anos online.   
 
2. Continuo a lembrá-lo sobre o segundo sorteio do pequeno clube de apoios ao Letras. O primeiro sorteado recebeu seus livros em São Paulo no dia 24 de dezembro. Desta vez, o leitor premiado receberá três títulos enviados pela Pontoedita. São eles: Ida Um romance, de Gertrude Stein; Faça-se você mesmo, de Enzo Maqueira; e Desvio, de Juan Francisco Moretti.
 
3. Você pode se informar sobre como se inscrever para sorteio que acontece agora em janeiro aqui. E caso busque algo mais sobre esses títulos pode consultar o site da editora ou visitar uma das publicações nas nossas redes sobre o clube: aqui, no Facebook, ou no Instagram.
 
4. Obrigado pela companhia, pela leitura e pelo apoio ao trabalho do Letras!

Joan Didion. Foto: Tina Barney


 
LANÇAMENTOS
 
Livro de Hélène Cixous, escritora francesa, nascida na Argélia em 1937 e pioneira dos estudos de gênero no mundo ganha tradução no Brasil.
 
“Eu falarei da escrita feminina: do que ela fará. É preciso que a mulher se escreva: que a mulher escreva sobre a mulher, e que faça as mulheres virem à escrita, da qual elas foram afastadas tão violentamente quanto o foram de seus corpos.” Ensaio referencial para o feminismo desde sua publicação, nos anos 1970, O riso da Medusa se constrói a partir da incômoda ausência de vozes femininas entre tudo o que circula na paisagem da literatura, da teoria e da crítica. Se o mito da Medusa alude à castração da mulher, a um sentido negativo e monstruoso historicamente atribuído a uma falta do falo, este texto de Hélène Cixous evoca a urgência de que as mulheres afirmem sua presença no texto. Para a autora — que vive hoje em Paris e é das escritoras mais influentes da França — longe de se opor ao masculino, o feminino é indefinido, imprevisível na afirmação de sua diferença: a escrita feminina surge quando a mulher toma posse de seu corpo. E então passa escrever, com prazer, em sentidos sempre renovados pela imaginação. Sem censuras. Sem decapitações. Sem cobrir com a mão o próprio riso. A tradução de Natália Guerellus e Raísa França Bastos, traz prefácio de Frédéric Regard e posfácio de Flavia Trocoli; o livro é publicado pela Bazar do Tempo.
 
Chega o novo livro do poeta Salgado Maranhão.
 
Salgado Maranhão não é só poeta: é um verdadeiro ourives da palavra. Autor premiado, traduzido em diversas línguas e reconhecido internacionalmente, parceiro de diversos nomes da MPB, vem se consolidando a cada livro como um dos mais importantes escritores brasileiros da atualidade. Pedra de encantaria apresenta o épico “Savana Grill” e mais vinte belíssimas “Cantarias” na segunda parte, fechando a terceira seção, “Poesia contínua,” com uma série de poemas que dá continuidade a uma homenagem à musa antiga, iniciada no livro A sagração dos lobos. Artesão cuidadoso, Salgado constrói sua obra como quem tece uma teia sedutora, que nos aprisiona pela beleza no trato da língua, da palavra, criando novos mundos e sentidos com talento e invenção, envolvendo o leitor a cada verso. O livro é publicado pela editora 7Letras.
 
Depois da reedição dos famosos relatos de Goethe sobre sua viagem à Itália, o quarto livro da coleção com obras do escritor alemão reúne outros diversos textos de viagem.
 
A campanha na França e outros relatos de viagem é um livro que reúne diversos relatos de viagem de Goethe: “Cartas da Suíça”, “Excertos de um diário de viagem”, “A campanha na França”, “O cerco de Mainz”, “De uma viagem à Suíça no ano de 1797”, “Sobre arte e antiguidade nas regiões do Reno e do Meno” e “A festa de São Roque em Bingen”. A reunião desses escritos de viagem, além de constituir um complemento importante de seus escritos autobiográficos, nos dá também uma ideia da grande variedade de interesses e da permanente atividade intelectual de Goethe. Com tradução de Mario Luiz Frungillo, o livro é publicado pela Editora Unesp.
 
Murilo Mendes pelos olhos de vários pintores.
 
Um dos mais importantes da literatura brasileira do século XX viveu também um tempo de algum interesse entre nós pelas artes plásticas — fosse de vanguarda ou figurativas. Murilo mesmo foi retratado por muitos deles que retrataram, por sua vez, outros muitos da nossa literatura: Ismael Nery, Reis Junior, Guignard, Portinari, Vieira da Silva, Flavio de Carvalho... Todos esses retratos estão reunidos numa edição que assinala os 120 anos do nascimento do poeta celebrados agora em 2021. Olhar a(r)mado, organizado por Guilherme Melich e publicado pela Funalfa Edições. Além dos nomes citados, estão trabalhos de Arpad Szenes, Carlos Bracher, Nívea Bracher e Pedro Guedes. As pinturas são acompanhadas dos desenhos que compuseram o processo criativo e ensaios variados acerca dessas obras. É possível acessar uma versão online aqui.
 
Coletânea reúne em livro inédito três dezenas de textos de Otto Maria Carpeaux.
 
Ainda inéditos em livro, os trinta artigos de Homens e destinos foram todos publicados no Diário de São Paulo entre 1952 e 1958, a maior parte escrita depois da viagem que Carpeaux fez à Europa, em 1953. Após transcorrer seis meses em sua cidade natal, Viena, e não encontrando mais o “seu” continente europeu de antes, Carpeaux decidiu voltar definitivamente ao “novo mundo” que o tinha acolhido em 1939.A diversidade de autores e assuntos presentes em Homens e destinos é típica do gênio de Otto Maria Carpeaux: trata de alemães, franceses, americanos, ingleses, italianos, espanhóis, tchecos e russos; em geral são escritores, poetas, músicos e artistas plásticos; não falta, porém, o seu tanto de política, filosofia e educação. O leitor poderá apreciar toda a erudição e a verve do ensaísta que levaram Gilberto Freyre a declarar: “Carpeaux não é apenas um erudito de raro conhecimento enciclopédico, mas um autêntico mestre”. O livro é publicado pela editora Sétimo Selo.
 
OS LIVROS POR VIR
 
Desde 2018, a editora HarperCollins Brasil assumiu o interesse de publicar a obra de Joan Didion por aqui. Naquele ano publicou uma nova edição de O ano do pensamento mágico e Blue nights. Imediatamente, reedita o primeiro título em formato comum — os primeiros foram em capa dura — e O álbum branco, há muito esgotado. A notícia é que no próximo ano, o selo fechou a publicação de três novos títulos da escritora, incluindo os seus últimos e inéditos South and West (2018) e Let Me Tell You What I Mean (2021) e outro que reunirá sete de suas obras.
 
OUTRAS NOVIDADES
 
Descobertas duas pinturas inéditas de Clarice Lispector.
 
Até agora acreditava-se que toda a investida da autora de A paixão segundo G. H. na pintura já estava descoberta e catalogada. Mas, duas novidades expandiram o catálogo para 22 telas. É do mês de dezembro, a descoberta mais recente. O quadro ainda sem data e título identificados estava sob posse de Maria da Conceição Baesso, no Flamengo, zona sul do Rio de Janeiro: foi entregue por Clarice no decorrer da longa amizade mantida entre as duas. A segunda descoberta está documentada na biografia de Teresa Montero publicada em meados de novembro — À procura da própria coisa (Rocco). “Matéria da coisa” é de 1975 e estava em posse da artista plástica Maria Bonomi.

REIMPRESSÕES

Na edição 390 do Boletim Letras 360.º noticiamos sobre o trabalho da Companhia das Letras de reeditar a obra de Yukio Mishima do seu catálogo; na ocasião, a casa recolocou em circulação, mas em formato digital, Confissões de uma máscara, Cores proibidas, Mar inquieto e O pavilhão dourado. No apagar das luzes de 2022, ou seja, menos de um ano depois desse feito, os quatro romances estão outra vez reimpressos.
 
OBITUÁRIO
 
Morreu Lya Luft.
 
Lya Luft nasceu em Santa Cruz do Sul a 15 de setembro de 1938. Seu interesse pela literatura se forma ainda na adolescência quando se dedica a leitura de autores como Goethe e Schiller, sob influência da família de raízes germânicas. As primeiras publicações coincidem com o tempo de quando trabalha como professora de Linguística e cursa os mestrados na mesma área na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul e em Literatura Brasileira pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. É de 1964 o livro de poemas Canções de ninar; mais tarde, Flauta doce, também de poemas. Em 1979 envereda pela prosa: publica o livro de contos Matéria do cotidiano. É de Pedro Paulo Sena Madureira, editor da Nova Fronteira (casa que edita os primeiros contos de Lya), o conselho para que ela escreva romances; daí vieram As parceiras (1980), A asa esquerda do anjo (1981), Reunião de família (1982), O quarto fechado (1984), Exílio (1987), A sentinela (1994), O ponto cego (1999), Histórias do tempo (2000) e O tigre na sombra (2012). Regressa várias vezes ainda à poesia, escreve crônicas (parte delas em vários meios, como o jornal Correio do povo e a revista Veja), contos e ensaios, como os do premiado O rio do meio (1996) e literatura infanto-juvenil. Entre os prêmios recebidos estão o da Associação Paulista de Críticos de Arte e o da Academia Brasileira de Letras. Lya Luft morreu no dia 30 de dezembro de 2021 em Porto Alegre.

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