Boletim Letras 360º #558

 
 
DO EDITOR
 
1. Olá, leitores! Aproveito o espaço para agradecer a todos os leitores que se engajaram no último sorteio entre os apoiadores do Letras neste ano de 2023. Os livros daqueles que entraram em contato com os endereços foram encaminhados na última quinta-feira. Quem ainda não viu, pode acessar o resultado por aqui.
 
2. Foi noticiado nos espaços sociais virtuais ocupados pelo Letras, mas não custa repetir: campanhas como essas somadas aos poucos trocados pingados do uso dos nossos links da Amazon e venda de livros no nosso bazar cobriram as despesas de domínio e hospedagem na web do blog e ficou uma pequena quantia para os custos de 2024.
 
3. Para saber de próximos sorteios ou outras formas de colaborar com esse projeto, pode acessar aqui, nos procurar pelas redes sociais ou pelo e-mail blogletras@yahoo.com.br sempre que precisar.
 
4. Seguimos, graças a vocês!

Silviano Santiago. Foto: Pool Gaillarde

 
LANÇAMENTOS
 
Antologia com ensaios de crítica é o primeiro livro de Silviano Santiago depois do Prêmio Camões.
 
Premiado autor e influente crítico literário, Silviano Santiago possui vasta produção, entre romances, contos e ensaios. Referência incontornável no campo dos estudos literários, foi pioneiro ao propor uma abordagem histórica de nossa literatura que mobilizasse ideias das teorias pós-coloniais. Os ensaios escolhidos para Grafias de vida: a morte dão nova prova da criatividade e perspicácia discursiva de Santiago, em um estilo que lhe é próprio. Aqui, encontramos, entre outros temas, a crítica ao cânone único e ocidentalizante, a defesa de uma escrita selvagem e libertária, a problematização da domesticação, conceito caro ao autor, além de reflexões sobre o espaço e tempo do fazer artístico. Nas palavras do escritor, “são grafias desequilibradas de vida, que propõem a busca de equilíbrio entre o sentimento de mundo e o sentimento da vida, entre a mesa posta e a cadeira onde se toma assento, entre o corpo na casa e o pé no mundo, entre o alimento e a fome, entre o tronco de buriti do sertão e a ridícula cadeirinha ouro-pretana”. Publicação da Companhia das Letras. Você pode comprar o livro aqui.
 
Primeiro romance de Socorro Acioli após A cabeça do santo
 
Oração para desaparecer conta a história de uma mulher que, sem lembrança nenhuma de seu passado, precisa reconstruir a vida em um lugar completamente desconhecido, apenas com a língua portuguesa como porto seguro. Cida, uma mulher sem identidade nem memória, reconstrói pouco a pouco uma nova vida em um lugar completamente desconhecido. Jorge encontra nessa misteriosa estrangeira uma paixão inesperada, que recria o que não parece provável. Do outro lado do Atlântico, Joana é o fantasma de um amor há muitos anos perdido por Miguel. Quando os quatro personagens se entrecruzam no tempo em busca de respostas para as próprias angústias, se deparam também com uma trama fantástica sobre magia, ancestralidade e pertencimento. Oração para desaparecer é uma das histórias possíveis sobre o amor e seu poder de dissolver as barreiras do imponderável. O livro sai pela Companhia das Letras. Você pode comprar o livro aqui.
 
Poesia reunida traz pela primeira vez juntos todos os nove livros de poemas de Donizete Galvão (1955-2014), autor com um dos percursos mais sólidos no panorama da poesia brasileira dos últimos anos.
 
São eles: Azul navalha (1988), As faces do rio (1991), Do silêncio da pedra (1996), A carne e o tempo (1997), Ruminações (1999), Pelo corpo (2002), Mundo mudo (2003), O homem inacabado (2010) e O antipássaro [2002-2014], seu livro póstumo. A poesia de Galvão forma um grande espaço de convívio. Lugar de encontro entre tempos que se chocam e se sobrepõem: a infância rural em Borda da Mata, sul de Minas, e o presente urbano em São Paulo. Ou ainda o encontro entre tantos artistas de linguagens diversas: entre a voz de Nina Simone e as janelas de Anish Kapoor. Também estão presentes os amigos; e a presença deles vai além das dedicatórias dos poemas. Seus nomes tornam-se personagens que estão no centro da vida, isto é, no centro do tumulto e da alegria de existir. Assim tal povoamento de épocas, linguagens e nomes funciona como ocasião para compor uma voz perplexa, que faz da hesitação e da humildade diante das coisas uma forma de busca. Buscar tanto o verso objetivo quanto uma presença mais generosa, ainda que melancólica, na turbulenta praça dos convívios. Os poetas Paulo Ferraz e Tarso de Melo são os responsáveis pela organização desta obra poética. E sobre ela ― um presente para o nosso tempo ―, a crítica Viviana Bosi afirma na orelha: “O que permite a duração é uma qualidade ruminativa da atenção fincada no afeto denso pelas coisas e gentes miúdas”. Publicação do Círculo de Poemas pelas editoras Fósforo e Luna Parque. Você pode comprar o livro aqui.
 
Livro revela a maestria de Stephen Crane com o conto. 

Stephen Crane não chegou a completar 29 anos (1871-1900), mas teve uma vida extraordinária — entre os episódios dramáticos, sobreviveu a um naufrágio — e publicou mais de uma dezena de livros, entre eles um dos grandes clássicos da literatura dos Estados Unidos do século XIX, o romance O emblema vermelho da coragem (1895), ambientado na Guerra Civil Americana. O monstro e outras histórias (1898) revelam sua maestria na narrativa curta, com três textos exemplares nos quais mergulha na América profunda. Nessas histórias, Crane trata de personagens em desajuste com as circunstâncias externas, seja um homem marginalizado, um estrangeiro ou uma criança. No primeiro texto, “O monstro”, um homem negro que trabalha para um médico branco salva heroicamente o filho deste de um incêndio, mas o fogo o deixa desfigurado, provocando a rejeição dos habitantes de uma cidade pequena. Em sua simplicidade apenas aparente, a história pode ser lida como uma alegoria das relações raciais nos Estados Unidos, uma crônica de província ou um retrato da frivolidade moral. Não à toa, “O monstro” é muitas vezes relacionado ao livro Homem invisível, de Ralph Ellison, autor que declarou que Crane influenciou não apenas Ernest Hemingway, mas também a maioria dos escritores modernistas do século XX, ele incluído. O célebre crítico William Dean Howells, considerou “O monstro” o melhor conto escrito até então por um autor nos Estados Unidos; e o escritor Joseph Conrad o qualificou de “assombroso”. O enredo de “O hotel azul” gira em torno de um estrangeiro que se vê numa mesa de jogo e adota um comportamento perigoso. A trama tematiza os riscos de ir contra a corrente num contexto de convenções espúrias. Finalmente, em “As luvas de Horace”, um garoto se mete numa briga, estraga suas luvas novas e teme a reação da mãe. É uma história que evoca o medo e as transgressões da infância. “Que Crane tenha sido capaz de traçar um esboço tão pungente, sensível e esclarecido da sociedade de sua época, em tão pouco tempo e tão precocemente, é teste­munho de seu imenso talento”, afirma sobre os três textos Jayme da Costa Pinto, tradutor e autor do posfácio da edição publicada pela Carambaia com projeto gráfico de Luciana Facchini.. E o escritor Paul Auster, autor de uma recente e alentada biografia de Crane, observou que “passados 120 anos de sua morte, a chama de Stephen Crane ainda brilha intensamente”. Considerado um grande estilista, Crane viveu num período de ampla diversidade literária em todo o mundo. Talvez por isso ele tenha sido classificado, por críticos e por outros autores, como representante de várias escolas: realista, naturalista, simbolista, impressionista e, para Auster, o primeiro dos modernistas de seu país. Particularmente interessante é a atribuição de uma poética impressionista, influenciada pelos pintores franceses do período, que teriam inspirado as vívidas, mas sucintas, descrições de Crane. Você pode comprar o livro aqui.
 
Romance, biografia, registro histórico, memórias de um homem de seu tempo — o novo romance de José Luís Peixoto.
 
Em 2019, José Luís Peixoto deu início à escrita deste livro. O projeto, que inicialmente seria uma biografia, se converteu naquilo que o escritor faz de melhor: um romance que toma a experiência como ponto de partida. O autor de Autobiografia — em que José Saramago é narrador e protagonista — retoma o gênero, desta vez sob a ótica de um senhor prestes a completar noventa anos. Almoço de domingo recupera as memórias do patriarca de um poderoso império cafeeiro em Portugal e constrói um paralelo entre sua vida e a história recente do país. Num percurso de várias gerações, tocado pela Guerra Civil espanhola e pela Revolução dos Cravos, Peixoto compõe um emocionante relato que transcende aspectos políticos e sociais para tratar das relações familiares, especialmente sobre legado e envelhecimento, sobre a vida contra a morte e sobre o amor profundo e fundamental de uma família reunida. O livro sai pela Companhia das Letras. Você pode comprar o livro aqui.
 
O novo título da Coleção Reserva Literária.
 
Coelho Neto (1864-1934), nascido no Maranhão e radicado no Rio de Janeiro, foi criador de extensa obra literária estimada em 120 volumes, publicada também em outros países, especialmente em Portugal pela Lello & Irmão. No Brasil, Treva foi publicado em 1906 pela Livraria Garnier, e esta quarta edição da obra tem como base a anterior de 1924. Marcos Antonio de Moraes comenta no estudo crítico que acompanha a obra: “O autor, nas narrativas de Treva, observou criticamente aspectos sociais e políticos da realidade brasileira, tanto quanto logrou atingir dobras mais fundas da condição humana, lançando mão de um estilo menos ornamental, com vocabulário menos rebuscado”. O livro traz os contos em edição autêntica e fidedigna, além da nota editorial e da nota biográfica sobre o escritor. Você pode comprar o livro aqui.
 
Tradução nova para uma das peças centrais da obra de Ésquilo.
 
Prometeu Prisioneiro, de Ésquilo (c. 525-456 a.C.), é uma peça única dentre as tragédias gregas, e uma das mais marcantes da história da literatura, tendo influenciado escritores e filósofos como Goethe, Marx, Nietzsche, Freud, Brecht, Camus e muitos outros. Integrante de uma tetralogia perdida, escrita provavelmente no final da vida de seu autor, ela se passa nos primórdios da civilização, após a Titanomaquia, e traz, de forma inédita, seres divinos como protagonistas. A história tem início quando Força, Poder e Hefesto, por ordem de Zeus, acorrentam Prometeu a uma montanha nos confins do planeta. Preso e prestes a ser castigado, o Titã é visitado pelo coro das Oceânides, por Oceano, por Io e por Hermes, que tentam demovê-lo de seu enfrentamento com o novo chefe do Olimpo. Verdadeiro libelo contra a tirania, mas também um alerta sobre os excessos do homem contra a natureza, a peça é apresentada aqui na esmerada tradução de Trajano Vieira. Esta edição bilíngue inclui ainda um posfácio do tradutor, excertos da crítica e um ensaio do classicista inglês C. J. Herington, que aborda os múltiplos aspectos desta obra ímpar do teatro grego. Publicação da Editora 34. Você pode comprar o livro aqui.
 
A traição, a loucura e a má consciência de um personagem insondável nas mãos de uma narradora inteligente e sofisticada.
 
Em plena ditadura chilena, um angustiado homem chega à redação da revista de oposição. É um agente da polícia secreta. “Quero falar”, ele diz, e uma jornalista liga seu gravador para escutar um testemunho que abrirá as portas de uma dimensão até então desconhecida. Seguindo o fio desta cena real, Nona Fernández ativa os mecanismos da imaginação para acessar aqueles recantos onde a memória e os arquivos não conseguem chegar. Confrontando sua própria experiência com os relatos do torturador, a narradora entra na vida dos personagens deste testemunho sinistro: a de um pai que é detido em um ônibus enquanto leva seus filhos para a escola e a de um menino que muda de nomes e de vidas até testemunhar um massacre, entre outras. A dimensão desconhecida, de Nona Fernández sai pela editora Moinhos. Tradução de Silvia Massimini Felix. Você pode comprar o livro aqui.
 
Chega ao Brasil obra essencial aos estudos dos contos de fadas.
 
Os contos de fada tem sido uma das influências culturais e sociais mais importantes na vida das crianças ao longo dos últimos séculos. Mas até este Os contos de fadas e a arte da subversão: o gênero clássico para crianças e o processo civilizador ser lançado em 1983, pouca atenção tinha sido dada à maneira como os escritores e coletores de contos utilizaram esse gênero tradicional para moldar a vida das crianças — seu comportamento, seus valores e a relação com a sociedade. Como Jack Zipes mostra de forma convincente, os contos de fada sempre constituíram um discurso poderoso, útil para moldar ou desestabilizar atitudes e comportamentos dentro da cultura. A edição brasileira se baseia na atual edição americana, revisada inteiramente pelo autor que adicionou uma nova introdução, atualizando este título clássico. A tradução é de Camila Werner e sai pela editora Perspectiva. Você pode comprar o livro aqui.

Cinco poetas contemporâneos alemães numa antologia produto de uma oficina de tradução.
 
Uma oficina de tradução de três dias, intitulada “Tonprobe”, realizada em outubro de 2022, nas instalações do Goethe-Institut São Paulo, reuniu vários tradutores e tradutoras do alemão com ouvidos afiados. A partir de gravações de áudio, trabalharam juntos na tradução de poemas de cinco poetas contemporâneos alemães: Elke Erb, Ulrike Draesner, Björn Kuhligk, Christian Filips e Marit Heuß. O método foi tão simples quanto complicado — entregar-se ao som duro da prosódia alemã e promover uma tradução fonética com o fino teclado dos sons brasileiros. Os resultados são dignos de serem ouvidos. Esse foi o primeiro passo do aquecimento, que eliminou a hesitação entre os participantes e preparou o terreno para o verdadeiro trabalho colaborativo em traduções que colocaram as relações tonais, os meios poéticos e os elementos sensoriais dos originais em novas composições afinadas. Os resultados podem ser lidos nesta antologia. Passagem de som: poesia contemporânea alemã tem traduções de Ana Schneider, Claudia Abeling, Henrique Silva Moraes, Luiz Abdala Jr., Mariana Holms, Matheus Guménin Barreto e Sofia Mariutti. O livro sai pelas Edições Jabuticaba. Você pode comprar o livro aqui.
 
REEDIÇÕES
 
Nova edição de Transposição, o primeiro livro de Orides Fontela, publicado originalmente em 1969.
 
Os poemas que integram o livro foram escritos na adolescência e na juventude da escritora, quando ainda morava em São João da Boa Vista. Para organizar e lançar o livro, Orides contou com a ajuda do crítico literário Davi Arrigucci Júnior, naquela época ainda um estudante de literatura, conhecido da escritora desde a infância. Divididos em quatro partes, os poemas de Transposição medeiam entre o aqui e o agora e a dimensão essencial, transcendente — ou ainda, “pairam lá em cima”, repousam “A um passo impossível”, na mesma medida em que estão atentos ao real. Com este livro, Orides Fontela abre a intrincada cadeia de símbolos que lhe marcará o conjunto da obra, por meio de imagens associadas à natureza, como a de Girassol, que dialogará com o livro Helianto (1973), e a de Aurora, que pressagia o futuro livro Alba (1983). O livro é publicado pela editora Hedra. Você pode comprar o livro aqui.
 
RAPIDINHAS
 
Ajudinha para escrever. A Bandeirola iniciou campanha para publicar os dois primeiros livros de uma coleção interessada em pensar o fazer com a palavra. Saem Manual de sobrevivência na escrita, de Ana Rüsche e George Amaral, e Escrever para quê?, organizado por Sandra Abrano com intervenções de uma variedade significativa de escritores. Você pode apoiar aqui.
 
Diplomado. Silviano Santiago pegou seu Prêmio Camões na última terça-feira. Depois dos empecilhos de governo, o calendário das entregas do galardão finalmente foi regularizado.
 
Caixas. A Biblioteca Azul reúne numa caixa os quatro romances que formam a Tetralogia Napolitana, de Elena Ferrante. A edição tem novo projeto gráfico e textos extras de Maria Carolina Casati, Maurício Santana Dias, Francesca Cricelli e Fabiana Secches.
 
PRÊMIO LITERÁRIO
 
A tradutora Bruna Dantas Lobato e o escritor Stênio Gardel premiados com o National Book Awards.
 
Desde 2018, o prêmio estadunidense voltou a considerar na lista dos reconhecimentos uma categoria dedicada a obras do mundo inteiro traduzidas para o inglês. Entre o primeiro período e o de agora, esta é a primeira vez que um livro brasileiro é premiado. A palavra que resta foi publicado no Brasil pela Companhia das Letras e nos Estados Unidos pela New Vessel Press. O romance traduzido por Bruna Dantas Lobato conta a história de Raimundo, quem, aos 71 anos decide aprender a ler e escrever para decifrar uma carta escrita por Cícero, um amor escondido e desaparecido há mais de cinquenta anos. Você pode comprar o livro aqui.
 
EVENTO
 
O Itaú Cultural (IC) recebe em sua sede, em São Paulo, a Ocupação Machado de Assis.
 
A exposição aborda a atualidade e o impacto deste que é talvez o mais consagrado dos escritores brasileiros, célebre por sua criatividade e crítica. Com abertura em 18 de novembro, às 11 horas, a mostra segue até 4 de fevereiro de 2024, e traz documentos que contam a vida e a obra do romancista, dramaturgo, poeta, contista e cronista, entre manuscritos, primeiras edições dos seus livros, fotos, cartas e itens da biblioteca pessoal. A Ocupação conta também com leituras de textos seletos do autor, feitas pelas atrizes Aysha Nascimento, Carlota Joaquina e Cleide Queirós e pela cantora Juçara Marçal e expõe algumas das traduções que levaram as histórias de Brás Cubas e Quincas Borba, Bentinho e Capitu ao redor do mundo. É possível acessar o site dedicado ao evento aqui.
 
OBITUÁRIO
 
Morreu A. S. Byatt.
 
A. S. Byatt nasceu a 24 de agosto de 1936. Foi ainda quando frequentava a Universidade de Cambridge que começou a trabalhar nos dois primeiros romances: The Shadow of the Sun e The Game. Depois da morte trágica do seu filho, ela iniciou uma série de romances que projeta o seu nome fora da Inglaterra, uma tetralogia chamada de “O Quarteto”: The Virgin in the Garden, Still Life, Babel Tower, A Whistling Woman. Mas, foi no intervalo da escrita e publicação dessa sequência de livros que ela publicou aquele que se tornaria sua Magum Opus, Possessão, um dos poucos títulos da escritora publicados no Brasil. Com este romance ela recebeu o Booker Prize em 1990, um dos vários prêmios conquistados ao longo de sua carreira; outros reconhecimentos dessa natureza foram o Shakespeare Prize (2002) e o Hans Christian Andersen (2018). Dos títulos publicados no Brasil, encontram-se ainda as novelas reunidas em Anjos e insetos, O livro das crianças e Imaginando personagens, um trabalho que aponta para outras duas faces de sua criação: a de crítica e ensaísta. Escreveu estudos sobre Iris Murdoch, Wordsworth, Coleridge, William Morris, George Eliot, entre outros. A escritora morreu no dia 16 de novembro.

DICAS DE LEITURA
 
Na aquisição de qualquer um dos livros pelos links ofertados neste boletim, você tem desconto e ainda ajuda a manter o Letras.
 
1. Bioy & Borges: obra completa em colaboração (Trad. Maria Paula Gurgel Ribeiro, Companhia das Letras, 536 p.) A colaboração entre os dois escritores argentinos Jorge Luis Borges e Adolfo Bioy Casares recebeu nova tradução e aparece agora integralmente reunida neste livro que conta ainda com outros textos esparsos e ainda inéditos entre nós e posfácios de Michel Lafon, Júlio Pimentel Pinto e Davi Arrigucci Jr. Uma das joias nesse ano de raridades pelo mercado editorial brasileiro. Você pode comprar o livro aqui
 
2. História do livro e da edição, de Yann Sordet (Trad. Antonio de Padua Danesi, Ateliê Editorial e Sesc Edições, 736 p.). Num livro para os apaixonados pela história e pela arte do livro, o bibliotecário e historiador francês conduz um percurso que vai da gênese ao mundo digital. A edição brasileira, primeira tradução fora da França tem prefácio de Marisa Midori Deaecto e posfácio de Robert Darnton. Você pode comprar o livro aqui
 
3. Escalas melografiadas e Fábula selvagem, de César Vallejo (Trad. Ellen Maria Vasconcellos, Bandeirola, 176 p.) Dois livros em um e, melhor, uma excelente amostra o trabalho do grandioso poeta peruano com prosa. O primeiro título, precursor do real maravilhoso, reúne uma dúzia de contos; o segundo é uma novela. O que une esses dois trabalhos? Cumprem exatamente um século da primeira edição agora em 2023 e demonstram como prosa e poesia podem cumprir o propósito de contar uma boa história. Você pode comprar o livro aqui
 
VÍDEOS, VERSOS E OUTRAS PROSAS
 
No 101.º aniversário de José Saramago, a importância do ato de ver: tema transversal da sua obra e que culmina com Ensaio sobre a cegueira. Falamos deste vídeo, um recorte do documentário Janela da Alma (de João Jardim e Walter Carvalho, 2001). 
 
BAÚ DE LETRAS
 
Na segunda-feira, 20 de novembro, o calendário marca uma nova efeméride. Desta vez, o centenário de Nadine Gordimer. Infelizmente, as casas editoriais brasileiras ou esqueceram ou não deram a relevância para sua obra, como se fez com a de outros escritores (Italo Calvino, por exemplo). Sai nesse dia, aqui no Letras, um texto que passa em revista parte significativa da literatura da escritora sul-africana que recebeu o Prêmio Nobel de Literatura em 1991. Mas, já deixamos aqui, o caminho para este perfil que editamos em 2014. 
 
Foi também com a mão do Itaú Cultural que se publicou pela editora Todavia, com organização de Hélio de Seixas Guimarães, a belíssima caixa reunindo a obra completa de Machado de Assis em ordem cronológica tal como saiu em vida do escritor. Pedro Fernandes escreveu acerca deste trabalho neste texto ainda na superfície do nosso baú. 
 
Presenças de Silviano. O escritor mineiro consta em duas entradas no Letras: em 2014, Pedro Fernandes escreveu sobre o então recém-publicado Mil rosas roubadas, aqui; e neste ano, na sombra do Prêmio Camões, Sérgio Linard escreveu sobre um dos principais romances de Santiago, Em Liberdade.
 
DUAS PALAVRINHAS
 
Escrever é aprender a ver, escreve-se por ter visto a  palavra que está por detrás da palavra. Ela terá, uma por uma, as mesmas letras, mas tornou-se noutra a partir desse momento. A poesia, muito mais do que a expressão dramática ou novelesca, é a revelação da palavra que havia oculta. 
 
— José Saramago, nos Cadernos de Lanzarote

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* Todas as informações sobre lançamentos de livros aqui divulgadas são as oferecidas pelas editoras na abertura das pré-vendas e o conteúdo, portanto, de responsabilidade das referidas casas.
 

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