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Melancolia, de Carlos Cardoso

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Por Pedro Fernandes Quem tiver lido a poesia de Carlos Cardoso – Na pureza do sacrilégio , é um bom exemplo – não deixará de encontrar na delicadeza do seu verso uma voz tranquila capaz de deixar expressar textualmente certo olhar taciturno sobre as coisas e o mundo. Alguém poderá se apressar em dizer que essa é uma condição natural de todo poeta. Mas, não se pode transformar uma recorrência numa universal. Isto é, há múltiplas possibilidades de ver e cada eu-poético recorrerá àquela mais natural capaz de intuir uma totalidade do seu mundo poético; reflexivo, irônico, revoltado, radical, político, saudosista, entusiasta, erótico, trivial, enfim, as variantes são inumeráveis. Um desses modos de ver decorre de “um descompasso entre o tempo em que deveria realizar-se uma certa experiência e seu efetivo cumprimento”, o que, Luiz Costa Lima, o autor dos termos antes apresentados em destaque num estudo com mesmo título do livro de Carlos Cardoso distingue de maneira...

Na pureza do sacrilégio, de Carlos Cardoso

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Por Pedro Fernandes E como falar de outra forma? de cortar e reformatar o futuro, e assim querer e ser sem par. A pergunta lançada pelo primeiro poema de Na pureza do sacrilégio é capciosa: abre-se em direção a pelo menos outras duas interrogações. A primeira delas é produto da angústia de todo poeta. Num tempo quando perdemos as contas de vozes tão singulares e válidas por gerações e temporalidades, o que ainda resta dizer em forma de poema? A outra, derivada desta, como ser outra vez voz entre vozes depois de algumas largadas? Não pense o leitor que as respostas venham logo em seguida. Nem no livro; tampouco aqui. Ao contrário, o poema abre-se em outras indagações e finda por se constituir um canto angustiado de alguém que parece sentir-se a esmo à procura de uma resposta, mesmo sabedor de que esta não vem ou não existe (em matéria de poesia) de forma simples e objetiva. O mesmo vale para estas notas. O bom poeta é cônscio de que a única respo...

Os melhores de 2017: poesia

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— Poesia completa , de Gilka Machado. A poeta foi sempre apresentada como uma das únicas mulheres representantes do Simbolismo no Brasil e pioneira da poesia erótica. Mas, há muito sua obra estava fora de circulação no país. Quer dizer, alguns de seus livros apresentados por aqui, como Carne e alma , Meu rosto , Sublimação e Mulher nua (desses apenas o último foi editado com este título pela poeta) batia recorde de preços entre os livreiros e sebistas. Uma antologia que trazia extensa parte de sua obra, Poesias  completas também há muito estava fora de catálogo. A edição organizada por Jamyle Rkain, com prefácio de Maria Lúcia Dal Farra, copia os seis livros de Gilka de Machado e preenche uma grande lacuna. Uma redescoberta que poderíamos chamar de trabalho editorial do ano no que se refere à poesia brasileira. —  Contratempo , de Pedro Mexia. Este é um dos vários poetas de grande importância para a língua portuguesa na contemporaneidade. O livro edi...