Boletim Letras 360º #328



Assim como todas as postagens na web do Letras saíram a grande improviso e custo, este boletim foi realizado na desconfortável área de uso comum do Aeroporto de Guarulhos. Estamos em trânsito e, por isso, a edição do Boletim Letras 360º deste sábado não trará as seções extras de sempre: Dicas de Leitura, Vídeos versos e outras prosas e Baú de Letras. Mas, a seguir todas as notícias apresentadas durante a semana em nossa página no Facebook. Boas leituras!

Novos detalhes sobre a edição brasileira de Arquipelágo Gulag. O livro sai em outubro de 2019. 


Segunda-feira, 26 de agosto

Considerado o primeiro romance da emigração italiana, Em alto-mar, de Edmondo De Amicis ganha nova edição por aqui.

O livro de Edmondo foi lançado na Itália em 1889 e teve dez edições em apenas duas semanas: um verdadeiro Best-Seller. Em Alto-Mar é o relato da travessia que De Amicis fez do porto italiano de Gênova ao de Montevidéu, em 1884. Toda a narrativa se passa a bordo do navio Galileo, ao longo da viagem de três semanas. Esta edição traz ainda dois relatos de Edmondo De Amicis sobre sua estadia no Rio de Janeiro durante a escala do navio que o transportou de volta à Itália. Traduzido por Adriana Marcolino, o livro sai pela editora Nova Alexandria.

Terça-feira, 27 de agosto

Livro assinala os setenta anos da visita de Albert Camus ao Brasil.

Albert Camus ainda não era Prêmio Nobel mas já era um escritor conhecido internacionalmente, autor de O estrangeiro e A peste quando desembarcou na América do Sul em 1949. Impactado por essa experiência, o autor escreveu importantes textos, que estão reunidos nesta edição comemorativa dos setenta anos de sua visita ao Brasil: “O mar muito de perto – Diário de bordo” (do livro O verão), a parte dedicada à América do Sul de seu Diário de viagem e o conto “A pedra que cresce” (do livro O exílio e o reino), que se passa em Iguape, no litoral de São Paulo. O volume inclui ainda a conferência “O tempo dos assassinos”, que o escritor preparou para apresentar em diferentes cidades brasileiras e na qual faz menção explícita ao país, contrapondo-o aos dilaceramentos políticos que assolavam a Europa à época. Organizada pelo jornalista Manuel da Costa Pinto, esta antologia conta também com um encarte de fotos da viagem que Camus fez a Iguape, na companhia do poeta modernista Oswald de Andrade. A edição da Editora Record.

Publica-se no Brasil a tradução da HQ que é adaptação de O conto da Aia, de Margaret Atwood.

Tudo o que as Aias usam é vermelho: como a cor do sangue, que nos define. Offred é uma aia da República de Gilead, um lugar onde as mulheres são proibidas de ler, trabalhar e manter amizades. Ela serve na casa do Comandante e de sua esposa, e sob a nova ordem social ela tem apenas um propósito: uma vez por mês, deve deitar-se de costas e rezar para que o Comandante a engravide, porque em uma época de declínio da natalidade, Offred e as outras Aias têm valor apenas se forem férteis. Mas Offred se recorda dos anos anteriores a Gilead, quando era uma mulher independente, com um emprego, uma família e um nome próprio. Hoje, suas lembranças e sua vontade de sobreviver são atos de rebeldia.Provocante, surpreendente, profético. O conto da Aia se tornou um fenômeno mundial depois da premiada série para TV, e já foi adaptado para cinema, ópera e balé. Nessa nova versão em graphic novel, com arte arrebatadora de Renée Nault, a aterrorizante realidade de Gilead é trazida à vida como nunca antes.

Quarta-feira, 28 de agosto

Arquipélago Gulag, de Aleksandr Soljenítsyn, ganha edição no Brasil em dezembro.

A obra-prima do escritor russo prêmio Nobel de Literatura foi escrita clandestinamente entre 1958 e 1967. Para contar a história, construída a partir do testemunho de 227 sobreviventes dos campos do Gulag, na União Soviética, Soljenítsyn precisou montar uma verdadeira operação secreta. Passou duas temporadas em um sítio na Estônia, longe da vigilância soviética, onde escreveu a maior parte do texto. Com o manuscrito pronto, aquartelou-se em uma casa de campo próxima a Moscou, onde revisou, datilografou e microfilmou cada página em 1968. Uma cópia foi entregue a uma amiga francesa, que naquele mesmo ano contrabandeou o livro para fora da cortina de ferro. A primeira edição de Arquipélago Gulag foi lançada em Paris no final de 1973, mesmo ano em que o manuscrito foi descoberto pela KGB. Poucas semanas depois do lançamento, o autor foi preso, acusado de “alta traição”, teve a cidadania soviética retirada e foi obrigado a deixar a URSS. Isso não impediu que o livro fosse traduzido para dezenas de línguas, recebesse críticas positivas e vendesse milhões de cópias. A Editora Carambaia publica agora a obra, traduzida diretamente do russo por Lucas Simone, com Irineu Franco Perpetuo, Francisco de Araújo, Odomiro Fonseca e Rafael Bonavina, pelo selo Ilimitada. A tradução foi feita a partir da última versão do livro – condensada, apesar de ter perto de 700 páginas. Os três volumes originais foram reduzidos a um só, preservando a estrutura de capítulos da obra original. Esse trabalho foi realizado por Natália Soljenítsyn, a pedido do próprio autor, com o intuito de atrair novos leitores. A capa da edição brasileira foi desenhada por Mateus Valadares.

Quinta-feira, 29 de agosto

Novo projeto editorial publica grandes nomes da Literatura Brasileira em tiragens restritas e numeradas.

Trata-se do selo Item de Colecionador, cujo foco literário será a publicação de grandes nomes da literatura contemporânea em projetos pensados para atender seus leitores mais diletos. A ideia é também a de homenagear esses autores, compondo livros que tragam um compilado seleto extraído de suas obras ou mesmo um conjunto inédito de seus textos. O livro inaugural do selo é Hálito das pedras, do poeta Antonio Carlos Secchin, membro da Academia Brasileira de Letras. A coletânea contempla uma seleção conceitual da poesia reunida de Antonio Carlos Secchin. A edição se limitará a apenas oitenta exemplares numerados e assinados. Os poemas desta seleta foram extraídos dos livros: A ilha (1971); Ária de estação (1973); Elementos (1983); Diga-se de passagem (1988); Poema para 2002 (2002); Todos os ventos (2002); 50 poemas escolhidos pelo autor (2006); Cantar amigo (2017); Desdizer e antes (2017); O Galo gago (2018); e Desdizer (2018). A proposta é a de que esses livros em mínimas tiragens já nasçam como uma raridade bibliográfica, feita sob medida para colecionadores e apaixonados por livros. O próximo homenageado será o poeta e filósofo Antonio Cicero. O selo é da editora Penalux, sob a curadoria dos autores Diego Mendes Sousa (idealização, organização e seleção) e Fabio de Sousa Coutinho (colaboração).

Sexta-feira, 30 de agosto

A Companhia das Letras marca os trinta anos de Boca do inferno, de Ana Miranda.

Salvador, final do século XVII. Nessa cidade de desmandos e devassidão desenrola-se a trama de Boca do Inferno, recriação de uma época turbulenta centrada na feroz luta pelo poder que opôs o governador Antonio de Souza Menezes, o temível Braço de Prata, à facção liderada por Bernardo Vieira Ravasco, da qual faziam parte o padre Antonio Vieira e o poeta Gregório de Matos. Com uma linguagem rica e precisa, e uma narrativa de extraordinária agilidade, Ana Miranda trabalha em filigrana os pontos de contato entre ficção e história, mostrando em todo o seu vigor a vida de homens e mulheres dilacerados entre o prazer e o pecado, o céu e o inferno. O jogo da ambição e do poder na Bahia colonial de Gregório de Matos, numa trama ágil em que homens e mulheres se dilaceram entre o prazer e o pecado, o céu e o inferno. Livro de estreia de Ana Miranda que lhe valeu o prêmio Jabuti de melhor autora revelação de 1990, Boca do inferno renovou o romance histórico brasileiro.

Eis o novo livro de Carlos Cardoso. O poeta, agora, transforma sua própria melancolia em poesia.

A poesia de Carlos Cardoso é uma técnica de sobrevivência. Sua ligação visceral com a escrita permeia a sua vida. Comunica-se através da poesia, sobrevive através da poesia. Essa necessidade fez nascer um poeta de ofício. Sem pólvora, sem sentimentos de desalento, a melancolia se revela palavra. Apenas palavra. A palavra escrita, fluida, buscada, necessária. Palavra que procura se desvencilhar das armadilhas da própria poesia. Num só verso o universo se condensa, e cabe à poesia ritualizar perpetuamente a encenação de um mundo sem origem e sem fim. É o que faz, com talento e consistência, Carlos Cardoso em Melancolia, livro que sai pela Editora Record com posfácio de Antonio Carlos Secchin e orelha de Heloisa Buarque de Hollanda.

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