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Mostrando postagens de Dezembro 13, 2018

O imoralista, de André Gide

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Por Pedro Fernandes


“Das mil formas de vida, cada um de nós só pode conhecer uma. Desejar a felicidade dos outros é loucura; não saberíamos que fazer dela. A felicidade não se compra feita, quer-se sob medida”. Estas sentenças são de Ménalque, uma figura que frequentaria o mesmo clube de Lord Henry Wotton, amigo de Michel, a personagem principal do romance de André Gide que também faria par na mesma estante de O retrato de Dorian Gray, de Oscar Wilde. O que Ménalque oferece é mais do que assanhar os desejos intocados, guardados nos lugares mais adormecidos da consciência do amigo, quem a esta altura, depois de atravessar uma complexa enfermidade, vive imerso na vontade de negar totalmente o modo de vida que até então lhe determinara e abrir-se a outras expressões de viver, como se infectado repentinamente por uma doença do Carpe Diem; as sentenças de Ménalque funcionam como chaves de acesso aos sentidos principais desse romance de André Gide. Ou, de maneira ainda mais eficiente, forma…