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Mostrando postagens de fevereiro 13, 2026

A inquietação saudável que a poesia nos proporciona

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Por Andrea Bajani  Dia após dia, o homem constrói cercados para que o resto da humanidade possa pastar em segurança dentro deles, e chama isso de sociedade. Os poetas pulam a cerca e semeiam o pânico entre os outros mamíferos que vagam mansamente por ali. E quando partem, uma inquietação percorre os corpos daqueles que ficam, como sangue envenenado prestes a entrar em suas veias. Nos romances de Roberto Bolaño, os poetas são indivíduos perigosos. Eles viram as cidades de ponta cabeça, fazem os cidadãos empalidecerem de medo. Os poetas de Bolaño são aventureiros, criminosos, valentões, vândalos. Sempre à margem da lei. Nos romances de Bolaño, as cidades são desestabilizadas pelos poetas. Porque eles têm olhos que inspiram medo.  Hordas de desajustados se movem entre as páginas de Os detetives selvagens . Auxilio Lacouture, a “mãe da poesia mexicana”), Arturo Belano, Ernesto San Epifanio, León Felipe. O que se sente em cada página é o tremor de uma época, ainda mais do que o de ...