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Uma Medeia contemporânea. Elegia à solidão e à morte e a condição feminina na obra de Bernadette Lyra

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Por Ruy Perini  “ Ulpiana  foi escrito porque sempre achei perturbadora a atitude das pessoas diante da morte. Sobretudo, se essa morte se deve a um ato voluntário por parte de alguém. Nesse último caso, os viventes que ficam buscam alguma coisa que atenue o espanto, a dor da perda, a sensação de culpa. E seguem repetindo os pequenos rituais do dia-a-dia, enquanto têm de enfrentar as lembranças e o fato de que a vida inevitavelmente se acaba, às vezes de forma brusca e inesperada”. (Bernadette Lyra no lançamento do livro Ulpiana ) Bernadette Lyra. Foto: Gelson Santana. A prosa de Bernadette Lyra não é muito formal, muito menos convencional. Percorre cenários realistas e surrealistas com o mesmo desembaraço. Cotejando um romance mais antigo, A panelinha de breu , de 1992 e o mais atual Ulpiana , de 2019, podemos constatar variação de narradores e cenas inusitadas, se pensamos em traçar um eixo narrativo linear. Talvez o único ponto comum percebido nas suas várias