Boletim Letras 360º #406

 
 
DO EDITOR
 
1. Saudações, leitores! Nesta semana iniciamos nosso mês de recesso. As posts por aqui deixaram de ser diárias, mas nossas atividades nas redes sociais continuam sempre ativas.
 
2. Na edição passada deste Boletim, falamos sobre uma nova atividade no nosso Instagram. Pois bem, Tiago D. Oliveira, poeta e colunista do Letras, iniciou uma série de entrevistas no formato live.
 
3. A primeira conversa foi com o escritor Davi Boaventura, autor de Mônica vai jantar. Se você não viu esse diálogo, pode buscá-lo no nosso mural, aqui.
 
4. Agradecemos sua companhia. Boas leituras!

Henriqueta Lisboa. Publica-se, pela primeira vez, numa só edição, toda obra da poeta.


 
LANÇAMENTOS
 
Há muito fora de catálogo no Brasil, chega edição do primeiro romance de Marcel Proust.
 
Jean Santeuil é o primeiro romance de um dos maiores escritores do século XX: Marcel Proust. Escrito a partir de 1895, a obra inacabada só foi publicada em 1952, trinta anos após a morte de seu autor, graças à descoberta do manuscrito na França. A gênese do livro são as memórias da infância, da adolescência e dos anos de formação do protagonista. Com o estilo único e inconfundível de Proust, Jean Santeuil traz a origem de uma infinidade de anedotas, obsessões, reflexões, paisagens e visões de mundo que seriam desenvolvidas em seus trabalhos posteriores. É considerado precursor de sua obra-prima, Em busca do tempo perdido, tanto no tema quanto em seu enredo, embora seja mais claramente autobiográfico. Esta edição conta com a esmerada tradução do poeta Fernando Py, principal tradutor da obra do escritor francês no Brasil.
 
Em 2021 completam-se 120 anos do nascimento de Henriqueta Lisboa. A efeméride é marcada com a publicação, pela primeira vez, da obra completa da poeta.
 
A obra da poeta, tradutora e crítica literária Henriqueta Lisboa (1901-1985), contemplada com o prêmio Machado de Assis da Academia Brasileira de Letras em 1984, encontra-se aqui reunida em três volumes: Poesia, Poesia traduzida e Prosa, acrescidos de conteúdo no site da autora, com indicações para outros aspectos de sua rica e intensa produção intelectual e artística. Ao dar contornos ao perfil cultural de Henriqueta, esta edição, organizada por Wander de Melo Miranda e Reinaldo Marques, certamente contribuirá para a melhor compreensão dessa figura singular das letras brasileiras. A coleção de documentos pessoais e cartas trocadas com escritores, críticos e intelectuais do Brasil e de outros países encontra-se disponível no Acervo de Escritores Mineiros da Universidade Federal de Minas Gerais. A obra é publicada pela Editora Petrópolis.
 
O novo título do selo Chão Editora é um relato sobre a violenta epidemia de febre amarela que irrompeu no verão de 1850 no Brasil.
 
O verão de 1850 foi um divisor de águas na história da saúde pública no Brasil. Uma violenta epidemia de febre amarela irrompeu em várias cidades costeiras, matando dezenas de milhares de pessoas em poucos meses. Uma crise de saúde pública dessa proporção tende a abalar estruturas, a tornar incerto o futuro da sociedade. O tráfico africano de escravizados cessou logo depois, por motivos vários, entre eles, a hipótese de que a doença era originária da África. O destino da escravidão entrava em jogo enquanto a febre amarela dava ao país a reputação de “matadouro” de imigrantes europeus. No ano seguinte aparecia História e descrição da febre amarela epidêmica que grassou no Rio de Janeiro em 1850, de José Pereira Rego, futuro barão do Lavradio, médico jovem que se tornaria a principal personagem da administração da saúde pública no país ao longo do Segundo Reinado. História e descrição é testemunho fascinante de como os médicos do período enfrentaram uma doença que não sabiam como se propagava e para a qual não conheciam tratamento eficaz. A cidade tinha uma estrutura de atendimento insuficiente, nem mesmo conseguia enterrar os seus mortos no ritmo imposto pela peste. Foram proibidos os enterramentos nas igrejas, porém, a população resistia aos cemitérios. Era o caos em meio ao sofrimento. Em 2020, a circulação máxima de mercadorias e de pessoas, assim como o seu corolário virtual, a comunicação instantânea sem fronteiras, lançou o planeta inteiro num pesadelo distópico. Por um tempo, tudo parecia parado ou prestes a parar. Sofrimento, mortes, incerteza, futuro abolido, experiências tornadas mais dramáticas pela rapidez das mensagens virtuais. O historiador Sidney Chalhoub, responsável pela indicação e pelo posfácio do livro, pergunta: o que o velho barão do Lavradio e sua luta num mundo que vivia outra crise cataclísmica — o fim da escravidão — teriam a dizer-nos? As epidemias de febre amarela daquele tempo dramatizaram a transformação histórica que levaria ao fim de uma das mais atrozes instituições da história da humanidade. Como a atual pandemia nos desafia, que futuro ela nos insta a construir?
 
Um livro raro, capaz de fazer um mergulho vertical e delicado nos dilemas de uma família pobre e embrutecida, e ao mesmo tempo manter o leitor grudado em cada página, como num thriller dos mais eletrizantes.
 
Num bairro pobre da ilha caribenha de Trinidad e Tobago, Clyde tenta construir um futuro para sua família. Ele é pai dos gêmeos Peter e Paul. Geneticamente, eles são idênticos. Em caráter e comportamento, porém, são completamente diferentes. Peter é o filho prendado. Desde pequeno, se destacou pela inteligência e pelas notas altas. Seu pai espera que ele ganhe um prêmio que lhe permitirá estudar nos Estados Unidos. Já Paul é um garoto cheio de limitações. Aos treze anos, perambula pelas ruas em meio a devaneios e quer distância dos livros. Seu sonho é arrumar um emprego, viver de jeans e óculos escuros, e dar o restante do dinheiro para a mãe. Até que uma noite Paul desaparece. E Clyde sai pela ilha em busca de seu garoto problema. Mas qual exatamente é seu problema? Paul é um garoto sensível. É tímido, não gosta da escola, das provas, e tem medo do pai. Paul tem aulas particulares com um padre. E, por intermédio dele, percebemos que talvez as limitações estejam mais nos olhos da família do que no garoto. Em sua fixação pelo futuro do seu menino de ouro, Clyde concentra todas as energias em trabalhar e parece não ter tempo para questionar suas certezas. Conforme o tempo passa, Clyde começa a descobrir algumas verdades sobre Trinidad, sobre sua família e sobre si mesmo. E será forçado a tomar uma decisão. Menino de ouro é um livro raro, capaz de fazer um mergulho vertical e delicado nos dilemas de uma família pobre e embrutecida, e ao mesmo tempo manter o leitor grudado em cada página, como num thriller dos mais eletrizantes. No fim das contas, qual dos dois era o menino de ouro? A tradução é de André Czarnobai. O livro é publicado pela editora Todavia.
 
Livro discute a relação entre arte e política, propondo pontos de vista que ampliam o entendimento de eventos recentes nas artes brasileiras.
 
Foi Mário Pedrosa quem, despojando-se da grandiloquência de Victor Hugo, adaptou o pensamento do romântico francês sobre o poeta como um “eco sonoro” para definir o crítico como “uma espécie de grilo chato que não para, num canto da sala grande social, de dar sinal de sua presença”. O renomado crítico brasileiro, cuja trajetória intelectual é contemplada no ensaio que abre esta coletânea, parece afinar de partida o vibrante canto da própria Laura Erber nos doze textos que se seguem a este primeiro. Ora percorrendo biografias como a da galerista Ileana Sonnabend e de Tunga, ora em análises de obras de Rosana Paulino e Anna Bella Geiger, para citar dois exemplos, ora debruçando-se sobre temas mais abrangentes, tais como monumentos e pichações no espaço urbano e o uso de bandeiras em manifestações de rua e na arte contemporânea ― valendo-se, então, de diferentes obras para conduzir suas investigações ―, a escritora e artista visual observa atenta a relação entre arte e política, propondo pontos de vista que ampliam o entendimento de eventos recentes nas artes brasileiras. A criatividade como parte fundamental de uma nova etapa de domesticação do trabalhador é, enfim, um dos aspectos abordados no texto que encerra a edição e lhe dá título; nele, a autora passeia pelos temas do ócio, do produtivismo e da mercantilização do imaterial para articular o lugar do trabalho na sociedade, na arte e no mercado artístico contemporâneo ― em que “é possível vender inclusive o tédio, a preguiça e o não fazer”, escreve. O artista improdutivo é publicado pela editora Âyinè.
 
Neste clássico da literatura russa juvenil, são descritas cenas da vida de Nikita, um menino de 9 anos que morava na propriedade rural de seus pais, ao sul da Rússia, no fim do século XIX.
 
Entre estepes douradas e florestas de abetos nevados, Nikita estabelece suas primeiras relações com o mundo que o cerca: os cheiros e os sons misteriosos da velha casa de soalho de madeira e seus habitantes, o gato Vassíli, o ouriço Akhilka, o estorninho Joltúkhin; as brincadeiras com o melhor amigo e o amor pela menina de laço na cabeça; as separações e despedidas. São as lembranças vívidas da infância de Aleksei Tolstói (18901945), conhecido autor soviético que escreveu romances para adultos, como O caminho dos tormentos, e para jovens, como Aelita e A chave de ouro ou As aventuras de Buratino, versão russa de Pinóquio. Publicado pela primeira vez em 1922, A infância de Nikita vem encantando há décadas gerações de leitores russos. O livro é publicado pela Editora Kalinka.
 
Antologia reúne célebres textos de Joan Didion.
 
Este livro reúne célebres textos de Joan Didion, uma das pensadoras mais originais da segunda metade do século XX. Misto de retrato dos anos 1960 nos Estados Unidos e caderno de observações pessoais e filosóficas, o livro captura com energia e sinceridade as mudanças sociais, culturais e políticas da época e entrecruza, com rara beleza, a geografia de lugares, sonhos e sentimentos, que ressoam com força até hoje. A tradução de Rastejando até Belém é de Maria Cecilia Brandi e é publicada pela editora Todavia.
 
A editora HarperCollins passa a publicar parte da obra de Nelson Rodrigues.
 
A obra teatral deixada por Nelson Rodrigues está sob os cuidados da editora Nova Fronteira que neste ano passou reeditá-la. Já os romances e folhetins estavam espalhados. Agora, todos eles estarão reunidos na HarperCollins que anunciou que republicará integralmente todos os escritos nesses gêneros. O primeiro título a ganhar as ruas é Asfalto selvagem: Engraçadinha, seus amores e seus pecados, até então publicado pela Companhia das Letras. Dividido em duas partes, “Asfalto selvagem” conta a trajetória de Engraçadinha a partir de dois momentos de sua vida: dos 12 aos 18, uma história trágica; e depois dos 30, uma narrativa com nuances cômicas. A obra já teve duas adaptações para o cinema e para a TV. Nos próximos dois anos, a casa editorial publicará outros nove títulos, muitos deles fora de catálogo há anos. Também prepara o lançamento de Nelson Rodrigues por ele mesmo, criado a partir de depoimentos e entrevistas do autor, com organização da filha Sonia Rodrigues.
 
Antologia reúne pela primeira vez no Brasil uma amostra do melhor de Charles Simic.
 
Com seleção e tradução do poeta Ricardo Rizzo (que também assina o posfácio), o volume mostra a variedade de tópicos abordados pelo autor: da inescrutabilidade da vida cotidiana a observações de caráter metafísico; de contos populares a casamento, guerra e vida urbana. Poeta de hoje tocado pela eternidade, Simic produz versos emocionantes e inesperados, precisos como poucos. Meu anjo da guarda tem medo do escuro é publicado pela editora Todavia.
 
Novo livro de poesia de Ana Maria Machado.
 
A consagrada escritora, se apresenta aqui sob uma faceta menos conhecida, a de poeta. Ela nunca havia publicado poesia para o público infantil, mas estava com as deste livro “girando, se afinando e crescendo”. Quem já conhece sua obra, vai se deliciar ainda mais com esses poemas entrelaçados de elementos que perpassam as ramagens do nosso imaginário. Olhar o mar, ouvir a praia, sentir as águas, seja em forma de chuva ou maresia, observar os mistérios da natureza é aguçar nossa percepção de mundo e alimentar nossa imaginação com essas imagens tão belas e plurais que cada poema invoca. Com ilustrações e projeto gráfico de Claudia Furnari, esta obra ganha ainda mais sensibilidade e poesia, trazendo novas descobertas a cada leitura, e a cada olhar. O olhar passeia é publicado pela Global Editora.
 
Em um épico fantástico ― com elementos que vão de Gabriel García Márquez ao universo Marvel ―, Marlon James conduz o leitor por toda a riqueza das histórias e dos folclores do continente africano.
 
Com um faro infalível para encontrar coisas que preferem ficar perdidas, o Rastreador achará tudo o que quiser. E, mesmo ciente de que o objeto de sua busca já não está mais no mundo dos vivos, o habilidoso caçador aceita a missão de localizar um garoto desaparecido. Afinal, o menino pode ser o herdeiro legítimo do trono de um império. Seguindo rastros deixados por seu alvo, o Rastreador passa por cidades ancestrais, desbrava rios e florestas, imerge em culturas e costumes, vivencia lendas e mitos, enfrenta todo tipo de perigos: demônios, feiticeiros, bruxas, necromantes. Confrontado pela vastidão do continente, por toda a beleza e o terror em seu caminho, o Rastreador decide ir contra seus princípios de caçador solitário ao perceber que seus inimigos são mercenários atrás do mesmo objetivo. O grupo ao qual se junta é heterogêneo e composto por personagens fantásticos, entre eles o misterioso metamorfo ― metade homem, metade Leopardo ―, que irá conduzi-lo em sua jornada. Enquanto lutam para sobreviver e concluir a tarefa, o Rastreador é assombrado por questionamentos: quem é o menino desaparecido? O que o fez desaparecer? Por que há tanto interesse em que não seja encontrado? Mas, sobretudo, quem está mentindo e quem está dizendo a verdade? Inspirado nas histórias e nos folclores da África, valendo-se de uma imaginação aparentemente ilimitada, Marlon James cria uma aventura multicolorida e surrealista na qual questiona os limites da verdade e do poder e o preço da ambição. Desdobrando personagens e lendas em uma cascata vigorosa, Leopardo Negro, Lobo Vermelho é uma ode à beleza e à pluralidade da mitologia africana. A tradução é de André Czarnobai e é publicada pela editora Intrínseca.
 
Um romance que reconstrói uma vida marcada por trânsitos de ordem variada.
 
“A história de uma família se parece mais com um mapa topográfico do que com um romance, e uma biografia é a soma de todas as eras geológicas que você atravessou”, anota a narradora deste livro singular e apaixonante. Como se conta uma vida senão explorando seus lugares simbólicos e geográficos, reconstruindo um mapa de si mesmo e do mundo vivido? Entre a Basilicata e o Brooklyn, de Roma a Londres, da infância ao futuro, este romance de Claudia Durastanti é uma aventura ― muito pessoal ― que combina novas e velhas migrações. Filha de pais surdos que se opõem à sensação de isolamento com uma relação tão apaixonada quanto raivosa, a protagonista vive uma infância febril, algo frágil, mas capaz, como uma planta teimosa, de deixar raízes em todos os lugares. Descendente de uma família de imigrantes que trocou a Itália pelos Estados Unidos, ela nasceu no Brooklyn. Mais tarde voltou com a mãe para a aldeia da família na Itália. Adulta, se muda para Londres. Em todos esses lugares, a mesma sensação: a de ser estrangeira. Mas a menina que se tornou adulta não para de traçar novos caminhos migratórios: para o estudo, para a emancipação, para o amor irremediável. A alteridade se torna parte de seu espírito. História de uma educação sentimental bastante contemporânea, A estrangeira cativa pela fluidez de seu texto e de sua própria forma ― capaz de conter a geografia e o tempo. E demonstra que a história de uma família, suas vozes e seus percursos, é, antes de tudo, a narrativa de uma casa que pode estar em todos os lugares. A tradução de Francesca Cricelli é publicada pela editora Todavia.
 
Há muito fora de catálogo, ganha reedição uma das obras mais marcantes de Jamil Snege.
 
Sabe quando alguém chega e de repente começa a contar uma história? Pode ser em uma festa, na fila ou desses esbarrões da vida. E aos poucos a coisa vai te envolvendo, sem cerimônia ela te pega e quando percebe a festa acabou, sua vez já foi e a vida seguiu. Mas você não se importa porque a história é daquelas que não se esquece. Boa que só. Assim é este Viver é prejudicial à saúde, chega como quem não quer nada, para contar uma história, e no final você sabe que vai levar aquela leitura para sempre. Não são muitos escritores que conseguem tal façanha, quase enfeitiçar o leitor com suas palavras, mas Jamil Snege com certeza é um deles. O livro é publicado pela Arte & Letra.
 
PRÊMIO LITERÁRIO
 
Itamar Vieira Júnior é o ganhador do Prêmio Oceanos 2020.
 
Foi com o romance Torto arado, que também valeu ao escritor brasileiro os prêmios LeYa e Jabuti. Nesta edição, o segundo lugar foi para A visão das plantas, da portuguesa Djaimilia Pereira de Almeida, enquanto o terceiro coube a Carta à rainha louca, da brasileira Maria Valéria Rezende.
 
REEDIÇÕES
 
Nova edição de um dos títulos mais importantes de Amilcar Bettega.
 
Um homem acorda e descobre que tem a companhia de um crocodilo. Outro personagem toma um trem para sair da cidade mas não consegue deixá-la. Os muros de um povoado começam a se movimentar. Nos contos de naturalidade inquietante e humor sutil de Bettega Barbosa, o real e o fantástico se confundem para transformar nosso modo de perceber a realidade. Nas histórias de Deixe o quarto como está, a lógica cotidiana abre espaço para estranhos eventos e relações, que passam a impor suas próprias regras e configuram um novo mundo. Alguns dos contos, como “Autorretrato”, “Aprendizado” e “Para salvar Beth”, permitem uma leitura realista. Outros adentram sem hesitação o terreno do fantástico: “Hereditário”, “O crocodilo”, “O rosto”, “O encontro” ― inquietantes fantasias kafkianas narradas com o humor sutil de um cineasta surrealista. Há também relatos a meio caminho entre o real e a fantasia, como “Exílio”, “Correria” e “Espera”, que induzem o leitor a questionar a sanidade (ou franqueza) do narrador, para decidir sobre a credibilidade da história. Invariavelmente, o que impressiona é a habilidade de Bettega Barbosa em enredar o leitor como cúmplice na construção de estranhos e perturbadores universos.
 
Nova edição e tradução de um texto dos mais conhecidos da literatura de Edgar Allan Poe.
 
Escrito há quase duzentos anos, O corvo é um poema que atravessa gerações e continua sendo um marco da literatura mundial. Imprescindível para todos os apaixonados por literatura, o livro é considerado a obra-prima de Edgar Allan Poe. Mesmo tendo escrito diversos livros e contos, nenhuma outra história atraiu tantos leitores e tamanho respeito pela crítica especializada. Um homem atormentado pela morte da amada é despertado pelo barulho incessante de um corvo e a trama que se desenrola no poema demonstra tanto a genialidade do autor quanto os demônios que ele carregava. Dizem que a vida imita a arte, mas nesse caso, a arte imitou a vida. O corvo foi publicado dois anos após a morte precoce da companheira de Poe. E, como muitas vezes acontece, o autor não teve tempo para ver o sucesso de sua obra. Morreu na miséria e sem saber que seu corvo atormentaria muitas outras almas mesmo anos depois de sua morte. O poema ganha nova tradução por Thereza Christina Rocque da Motta e edição pela Faro Editorial. A edição bilíngue inclui também ilustrações de James Carlin.
 
OBITUÁRIO
 
Morreu o escritor britânico John Le Carré.
 
Nascido a 19 de outubro de 1931, David Cornwell, estudou na Universidade de Berna, na Suíça e na Universidade de Oxford, na Inglaterra, juntando-se ao corpo docente do Eton College como professor. Foi diplomata com atuação no serviço secreto britânico, o que, favorecerá no desenvolvimento dos temas de sua obra literária iniciada com a estreia em 1961 com O morto ao telefone. Desde então passou a assinar-se pelo nome que o tornou conhecido. Sua vasta obra romanesca está publicada integralmente no Brasil; são títulos como O espião que saiu do frio (1963) e O jardineiro fiel (2011), seus mais famosos, e Um legado de espiões (2017), seu último livro publicado em vida. Além de romances, escreveu contos e ensaios. Entre prêmios e reconhecimentos, recebeu a Medalha Goethe em 2011. Le Carré morreu ontem, 12 de dezembro de 2020.

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