Boletim Letras 360º #476

DO EDITOR
 
1. Caro leitor, aproveito a ocasião para refazer o convite para o sorteio do mês de maio no clube de apoios ao Letras. Desta vez, três livros da editora-parceira Companhia das Letras: o romance O avesso da pele, de Jeferson Tenório; o livro de contos Gótico nordestino, de Cristhiano Aguiar; e o romance Ossos secos escrito pelo coletivo formado por Luisa Geisler, Marcelo Ferroni, Natalia Borges Polesso e Samir Machado de Machado.
 
2. Para se inscrever é simples. Envia R$25 através do PIX blogletras@yahoo.com.br; finalizada a operação, envia neste mesmo endereço (nosso e-mail) o comprovante. O sorteio está previsto para o dia 29 de maio. A escolha dos títulos desta vez sublinha o Dia da Literatura Brasileira (celebrado no primeiro dia do próximo mês) e a pluralidade de novas vozes de nossa literatura hoje.
 
3. Outras formas de colaborar com o Letras estão disponíveis aqui. E, cabe não esquecer que na aquisição de qualquer um dos livros pelos links ofertados neste boletim, você tem desconto, também ajuda a manter o Letras sem pagar nada mais por isso.
 
4. Bom descanso, com muitas leituras maravilhosas!  


Yukio Mishima. 


 
LANÇAMENTOS
 
A Estação Liberdade amplia a presença de Yukio Mishima no seu catálogo.
 
O marinheiro que perdeu as graças do mar explora partidas e permanências, perdas e ganhos, individualidade e abdicação desta, amor e ódio, violência e paz, explora o convite à vida em dinâmica que é o verão e a inação, a negatividade, a penumbra do inverno, estações que, aliás, intitulam as duas partes em que está dividido este livro. 午後の曳航 ou Gogo No Eiko, conforme o título em japonês, foi publicado originalmente em 1963, enquadrando-se a meio caminho da carreira de Yukio Mishima. O marinheiro chama-se Ryuji Tsukazaki, a quem parece estar predestinado algum tipo de glória. Ele faz parte da tripulação do Rakuyo, navio cargueiro que o transporta ao porto de Santos, aqui no Brasil, e às sombrias aspirações que o atormentam. Mas não só ondulante é Ryuji: ele também aporta e é atraído pela terra firme, onde se lhe oferece uma vida muito diferente da marítima. Yukio Mishima constrói uma engenhosa história com este personagem que trava diversas relações e é apresentado através de cada uma das perspectivas de seus interlocutores, fora a do narrador. Assim, o personagem e, por extensão, sua jornada acabam por ser multifacetados e não se deixam definir unilateralmente, dando aos leitores o que pensar e interpretar. A tradução é de Jefferson José Teixeira. Você pode comprar o livro aqui.
 
Antologia inédita de poemas de Oswaldo de Camargo, escritor que desmonta, através da literatura, alguns castelos em que se escondem o preconceito e o racismo.
 
“Eu tenho a alma e o peito descobertos/ à sorte de ser homem, homem negro,/ primeiro imitador da noite e seus mistérios.” Assim começa o poema “Atitude”, de Oswaldo de Camargo, que inaugura a segunda parte deste livro. 30 poemas de um negro brasileiro é resultado da união de 15 poemas negros — lançado pela primeira vez em 1961, em uma edição limitada da Associação Cultural do Negro — e de poemas publicados nas obras O estranho e Luz & breu. Um dos mais importantes intelectuais brasileiros, Camargo traz nos versos deste livro sua autenticidade poética para tratar de negritude e ancestralidade. “Eu tenho dentro em mim anseio e glória/ que roubaram a meus pais./ Meu coração pode mover o mundo,/ porque é o mesmo coração dos congos,/ bantos e outros desgraçados,/ é o mesmo”, declara o poeta. No prefácio de 15 poemas negros, reproduzido nesta edição, o sociólogo Florestan Fernandes evidencia que as palavras do jovem militante eram atuais à época e seguem atuais hoje, pois suscitam novos ensinamentos: “Ninguém melhor que um poeta para revitalizar as aspirações igualitárias [...] que orientaram os grandes movimentos sociais negros da década de 1930.” Numa produção que perpassa mais de quarenta anos de luta e resistência, esta antologia reforça a excepcionalidade da obra de Oswaldo de Camargo, que, a partir da experiência individual e coletiva de homem negro num país de passado escravocrata, reverbera sua voz atemporal. O livro é publicado pela Companhia das Letras. Você pode comprar o livro aqui.
 
Nova edição ampliada dos diários de Blaise Cendrars.
 
Em 6 de fevereiro de 1924, ao desembarcar do vapor Le Formose no porto de Santos, Blaise Cendrars começava uma aventura que transformaria a fundo o curso de sua vida. Fazia já algum tempo que o poeta franco-suíço, autor de textos célebres como “A prosa do Transiberiano”, de 1913, buscava tomar alguma distância dos círculos da vanguarda parisiense. O convite de Oswald de Andrade e Paulo Prado vinha bem a calhar: depois de suas trágicas experiências durante a Primeira Guerra Mundial e da frustração de seus planos cinematográficos, Cendrars não podia senão acolher de bom grado a oportunidade de passar seis meses ao sol dos trópicos. O que acontece nos seis meses seguintes merece ser chamado de prodigioso. Praticando de caso pensado certa inocência e certa ignorância programáticas diante do país que mais tarde chamaria de sua “segunda pátria espiritual”, Cendrars observa, pergunta, anota ― e verte o que vê e aprende em breves anotações poéticas, escritas num estilo que flerta com a concisão moderna do telegrama e com a prosa dos relatos de viagem ao Novo Mundo. Nascia assim este Diário de bordo, que o autor começaria a publicar ainda em 1924, de volta a Paris. Pujante e solar, de um lirismo despojado e curioso diante do mundo ao redor, Diário de bordo não tinha como não marcar a geração de poetas modernistas brasileiros que Cendrars conheceu e à qual dedicou sua última grande empresa poética. Esta nova tradução, publicada no centenário da Semana de Arte Moderna, recolhe a totalidade dos poemas vinculados a Diário de bordo e inclui diversos textos dispersos e inéditos. O livro é publicado pela Editora 34. Você pode comprar o livro aqui.
 
A estreia literária de Katharina Volckmer.
 
No consultório de um certo dr. Seligman, em Londres, uma jovem realiza um procedimento sobre o qual temos apenas pistas. A paciente está de pernas para o alto enquanto narra em detalhes sua vida e seus desejos, em especial as lutas que trava com a própria identidade sexual, de gênero e nacional. Nascida e criada na Alemanha, ela vive na Inglaterra há vários anos, determinada a libertar-se de suas origens familiares e do fardo de pertencer a uma pátria assombrada pelas atrocidades cometidas na guerra. A morte recente do avô e uma herança inesperada, entretanto, deixam claro que não se pode fugir facilmente à própria vergonha, seja ela física, familiar, histórica, pátria, ou todas as opções anteriores. Ou será que pode? Com a ajuda do dr. Seligman, é o que procura descobrir nossa narradora. Nesta espécie de O complexo de Portnoy às avessas, ela confessa ao médico judeu seu fascínio pelas vítimas do Holocausto, ao mesmo tempo em que admite a profundidade das feridas por ele abertas: “nunca estivemos de luto; no máximo, interpretamos uma nova versão de nós mesmos, histericamente não racista sob qualquer perspectiva, e negando qualquer diferença sempre que possível.” Num monólogo que retoma a melhor tradição do romance neurótico, ela nos conduz por uma jornada verborrágica que vai de mães controladoras e fantasias sexuais com Hitler até as propriedades medicinais da cauda do esquilo, passando pela inusitada ideia de que as mudanças anatômicas podem servir de reparação histórica. Hilário e mordaz, implacável e profundamente honesto, A consulta é uma estreia literária audaciosa, que desafia nossas noções do que é fluido e do que é imutável, provocando-nos a pensar sobre as formas de fazer as pazes com os outros e conosco no século 21. O livro é publicado pela editora Fósforo. Você pode comprar o livro aqui.
 
Segundo livro de Silvina Ocampo publicado no Brasil reúne 44 contos em que fantasmas emergem de fotos, crianças surdas-mudas criam asas e o absurdo irrompe de fatos e objetos cotidianos para destroçar a monotonia das relações familiares.
 
Uma das escritoras fundamentais do século XX, Silvina Ocampo vem sendo revalorizada com entusiasmo nos últimos anos. Seu nome é cada vez mais citado como referência por uma nova geração de autoras que tem alcançado protagonismo nas letras latino-americanas, e sua obra começa a sair da sombra de figuras como Adolfo Bioy Casares e Jorge Luis Borges, que faziam parte de seu grupo literário em Buenos Aires. As convidadas, lançado originalmente em 1961, é considerado emblemático em sua maturidade estilística. As obsessões da escritora, como as crianças que agem de maneira enigmática e muitas vezes parecem mimetizar os adultos, retornam já no primeiro conto, “Assim eram seus rostos”, até atingirem uma apoteose no texto que dá título ao livro. Nele, um garoto enfermo é deixado a sós com a empregada em seu aniversário de seis anos, quando recebe como convidadas meninas estranhíssimas, vindas sabe-se lá de onde. O desfecho é uma síntese do humor absurdo presente na prosa de Silvina, sempre atravessada por elementos insólitos e perturbadores. Com tradução de Livia Deorsola, o livro é publicado pela Companhia das Letras. Você pode comprar o livro aqui.
 
Um dos livros mais vendidos na China revela o mundo misterioso da Unidade 701, uma agência de inteligência chinesa cujo único objetivo é contraespionagem e quebra de códigos.
 
Ao receber a tarefa de quebrar o indecifrável código PURPLE, o gênio da matemática Rong Jinzhen se vê obrigado a abandonar a bem-sucedida carreira acadêmica para servir à inteligência chinesa. Jinzhen sobe na hierarquia para eventualmente se tornar o maior e mais celebrado criptógrafo da China — até que comete um erro. Tem início, então, sua derrocada por uma espiral de mistério e loucura. Com um ritmo de tirar o fôlego, a obra-prima de Mai Jia combina elementos de ficção histórica e espionagem para nos apresentar um lugar desconhecido, intrigante e autêntico. O criptógrafo é uma narrativa inesquecível e emocionante sobre brilhantismo, insanidade e fragilidade humana. Com tradução de Amilton Reis e Sun Lidong, o livro é publicado pela Companhia das Letras. Você pode comprar o livro aqui.
 
Coletânea de escritos diversos, trechos de livros, palestras e correspondência, reúne toda a investigação de Aldous Huxley a respeito de sua relação com aquilo que ele chamava de “experiência visionária e sua conexão com a arte e as concepções tradicionais de Outro Mundo”.

Desde que administrou uma dose de mescalina a si mesmo e registrou suas impressões nos textos de As portas da percepção e céu e inferno, Huxley atuou no debate intelectual em favor da pesquisa sobre alucinógenos e a experiência mística por meio de compostos químicos que sociedades tradicionais, como os povos das Américas, utilizavam para fins rituais sagrados e curativos. No debate acalorado de seu momento histórico, a curiosidade intelectual de Huxley está a serviço do debate público sobre drogas, um tema que permanece atual em nosso tempo. Moksha: Os escritos clássicos de Aldous Huxley sobre psicodélicos e a experiência visionária (1931–1963) tem tradução de Adriano Scandolara, prefácio de Albert Hofmann e é publicado pela Biblioteca Azul/ Globo Livros. Você pode comprar o livro aqui.
 
Um retrato perspicaz da cultura das startups no Vale do Silício e das ambições desenfreadas da era digital.
 
Aos 25 anos, sem dinheiro, sem perspectivas e — como todo bom millennial — à procura de um emprego que lhe trouxesse propósito, Anna Wiener deixou o mercado editorial em Nova York para tentar a vida na fervilhante e promissora San Francisco. No Vale do Silício, ela se viu em um mundo repleto de extravagâncias e empreendedores inexperientes que buscavam a todo custo poder, glória e, claro, progresso. Aos poucos, porém, um outro cenário, onde as startups passaram a ser vistas como empresas de vigilância, começava a tomar forma. Sob a justificativa da liberdade de expressão, os discursos de ódio ganhavam força nas redes sociais, e, de autoproclamada salvadora do mundo, a bolha da Costa Oeste se tornava uma ameaça à democracia. Ao explicitar a tensão entre o antigo e o moderno, Vale da estranheza oferece um retrato tanto de uma experiência particular como da cultura imprudente da economia digital dos anos 2010, cujas consequências ainda estamos começando a entender. A tradução de Débora Landsberg é publicada pela Companhia das Letras. Você pode comprar o livro aqui.
 
Do autor do best-seller O círculo, este é um romance fascinante e muitas vezes hilário sobre família e natureza selvagem.
 
A vida estava complicada para Josie. Ela se divorciou, foi processada por um antigo paciente, perdeu seu consultório odontológico e se culpava pela morte de um jovem conhecido. Quando o ex-marido pretende apresentar os filhos à família de sua atual noiva, Josie decide escapar para o Alasca com as crianças, Paul e Ana. Num primeiro momento, parecem estar numa viagem de férias: eles veem ursos, bisontes e alces, comem cachorro-quente preparado na fogueira e passam as noites estacionados às margens de rios ou em florestas escuras. Mas enquanto eles viajam no velho trailer que se tornou sua casa, forçados a ir cada vez mais para o norte por conta dos inúmeros incêndios naturais, Josie é perseguida por seus inimigos reais e imaginários, e os erros do passado continuam a assombrar sua pequena família, mesmo num dos lugares mais ermos do planeta. Heróis da fronteira é um retrato muito bem-humorado dos Estados Unidos de hoje e, sobretudo, das famílias contemporâneas. Um romance admirável que tem a originalidade e a inteligência típicas das obras de Dave Eggers. A tradução é de Rubens Figueiredo e o livro sai pela Companhia das Letras. Você pode comprar o livro aqui.
 
No ano do centenário de nascimento de Darcy Ribeiro, este testemunho compõe um rico mosaico autobiográfico de um dos mais importantes pensadores do Brasil.
 
Etnólogo, antropólogo, romancista, educador, político, pensador e intérprete do Brasil e da América Latina ― é impossível circunscrever Darcy Ribeiro a uma única dimensão. Ele foi um dos mais multifacetados intelectuais de seu tempo. Todos os marcos de sua trajetória estão representados aqui: a vida entre os indígenas, a produção intelectual, a criação da UnB, a militância política, o exílio e o périplo latino-americano, o retorno ao Brasil e à vida pública, a luta contra o câncer e seus grandes amores. Esta edição, que combina os textos da última edição de Testemunho e da coletânea América Latina Nação, é um balanço desta vida riquíssima, feito pelo próprio Darcy, a partir de depoimentos transcritos especialmente para este livro e de fragmentos dos textos que escreveu ao longo dos anos. Uma leitura fundamental no centenário de nascimento deste brasileiro notável. Rosiska Darcy de Oliveira, na orelha do livro, conta que Darcy construiu “um olhar brasileiro sobre nosso país, ‘a mais bela província da Terra’”. Ao receber o título de doutor honoris causa da Sorbonne, “agradeceu o prêmio como consolação pelos seus muitos fracassos e, ao enumerá-los, disse serem eles seu único orgulho: quis salvar um povo em extinção, educar todas as crianças brasileiras, vencer a miséria, criar uma universidade no território ainda selvagem em que ajudou a plantar Brasília”. O livro é publicado pela editora Record. Você pode comprar o livro aqui.
 
David Grossman explora a complexa relação entre três gerações de mulheres que lidam com a própria história e com os traumas do passado.
 
É o aniversário de noventa anos de Vera, e Nina está de volta ao kibutz em Israel onde mora a família. Despertando a raiva da filha Guili, ela chega determinada a contar uma notícia e encontrar respostas para uma questão que sempre a atormentou. Nina quer saber o que realmente aconteceu quando Vera esteve presa no campo de prisioneiros da ilha de Goli Otok, na Croácia, nos anos 1950, e sugere que elas viajem até o lugar de horror que marcou o destino das três mulheres. Aos poucos, essa jornada improvável torna-se catártica, revelando segredos guardados há décadas. Em A vida brinca muito comigo, David Grossman inspira-se na história de uma de suas confidentes de longa data para construir uma trama inesquecível sobre a complexidade das relações humanas e o peso de nossas escolhas. Com tradução de Paulo Geiger, o livro é publicado pela Companhia das Letras. Você pode comprar o livro aqui.
 
A relação complexa e muitas vezes hostil entre tecnologia e seres humanos é tema da literatura há mais de um século.
 
Ao participar de um acalorado debate presidencial, Seiji Kubo se sente cada vez mais nervoso. Não é possível aceitar as sugestões de seu assessor sem uma dose de dúvida, já que ele é, assim como seu adversário, uma inteligência artificial. No final do século XXI, Kubo luta com todas as forças para mostrar os perigos que um governo baseado em equações matemáticas pode acarretar. Com um fluxo de prosa único e brutal, Flávio Izhaki nos devolve aos dias atuais para logo mergulhar na gênese da família Kubo, construindo um romance delicado que flerta com a distopia. Movimento 78 parte de uma família no passado recente e no futuro próximo para esmiuçar como a vida da próxima geração será bem diferente da nossa. O livro é publicado pela Companhia das Letras. Você pode comprar o livro aqui.
 
Julián Fuks, vencedor do Jabuti de Livro do Ano de Ficção e Melhor Romance, além dos prêmios Saramago e Anna Seghers, se volta para o formato da crônica para abordar os períodos mais críticos pelos quais passamos durante a pandemia.
 
Suas incertezas e medos, a insegurança com a saúde da família e de amigos, se somaram ao que ocorria do lado de fora: as arbitrariedades do governo, a distância dos conhecidos, a contagem diária de mortes. O convite para se tornar colunista de um jornal online, no entanto, lhe dá a chave que precisava. Valendo-se de Virginia Woolf a Drummond, de Natalia Ginzburg a Clarice Lispector, Julián Fuks busca compreender as sensações conflitantes, a incerteza do tempo e os vazios na convivência com os outros. É nas frestas do horror que o autor procura as belezas menores, para com elas construir algo novo, a nova identidade do que queremos ser, no futuro que ainda não devemos esquecer. Lembremos do futuro sai pela Companhia das Letras. Você pode comprar o livro aqui.
 
REEDIÇÕES
 
Publicado originalmente em 2001, um dos livros mais contundentes da literatura brasileira contemporânea está de volta.
 
A denúncia de um crime no noticiário da televisão, o acerto de contas seguido de um massacre no bar de periferia, a tocaia do delegado para prender um bandido, o justiçamento de um pivete, o contrato de espancadores para dar uma lição no sócio, o filho marginal que tem tudo para acabar morto e acaba mesmo morto. Qualquer habitante de uma cidade brasileira estará mais ou menos em casa ao ler o Marçal Aquino dos contos de Faroestes. Em onze relatos breves e potentes, vagamos por ruas em que “as pessoas, mesmo quando estão alegres, evitam sorrir, para que ninguém desconfie”, por bairros lembrados “por coisas e gentes que ficavam mais à vontade na página policial do jornal”. Amigos, conhecidos e vizinhos se encontram para tomar cerveja, papear, jogar sinuca em locais como “o boteco onde aconteceu a chacina na sexta-feira”. A miséria humana leva os personagens a serem confrontados com situações tão semelhantes às das páginas de crime dos jornais. E nada parece acabar bem para essa “gente áspera”. Um dos grandes livros da literatura brasileira contemporânea, Faroestes ganha nova edição, com orelha de Ana Paula Maia e posfácio de Paulo Roberto Pires. Você pode comprar o livro aqui.
 
RAPIDINHAS    

Projeto no Catarse 1. A Editora Campos publicará uma edição especial do livro Os contos de Belzarte. Mário de Andrade reuniu histórias que se passam na periferia paulista dos anos 1920 e tratam, dentre outros assuntos, sobre a discriminação racial. O projeto da nova edição inclui prefácio da Professora Angela Grillo e ilustrações de Anna Cunha. Saiba mais aqui.  

Projeto no Catarse 2. O site LiteraturaBr lançou-se ao trabalho de publicação de livros no modo sob encomenda. Entre um trabalho e outro, tem proposto trazer obras também no modo financiamento coletivo. A nova investida é a edição de um livro da escritora canadense Marian Engel: Urso. Saiba mais aqui.  

DICAS DE LEITURA
 
Na aquisição de qualquer um dos livros pelos links ofertados neste boletim, você tem desconto e ainda ajuda a manter o Letras.
 
1. Samarcanda, de Amin Maalouf. O romance assinala um retorno do escritor libanês ao mercado editorial brasileiro. Trata-se de um livro que recorre às relações literatura e história para recontar os destinos os descaminhos de Rubaiyat, um conjunto de poemas do matemático e astrônomo persa do século XI Omar Khayyam que atravessou até os nossos dias por itinerários dos mais improváveis como a sua perda no naufrágio do Titanic em 1912. A tradução de Marília Scalzo está publicada pela editora Tabla. Você pode comprar o livro aqui.
 
2. Gothica, de Gustave Flaubert. Além de alguns romances que o fizeram notável, Três contos é sempre o livro em questão quando se fala sobre o trabalho do escritor com prosa breve.  Mas tudo não se resume aí e este livro é um precioso achado. Com textos quase desconhecidos e alguns que remontam ao ainda adolescente de fértil criatividade literária, este livro nos coloca diante de uma nova face do escritor: a do criador que dialoga com o desconhecido e se debruça na construção de figuras excepcionais. Organizado por Bruno Berlendis de Carvalho, o livro está publicado pela editora Berlendis & Vertecchia com tradução de Raquel de Almeida Prado. Você pode comprar o livro aqui.
 
3. Um conto de fadas mexicano e outras histórias, de Leonora Carrington. Encerramos as recomendações desta semana com outro livro de contos. Estes apresentam o núcleo vivo da expansiva e criativa, a liberdade total, da imaginação da escritora e artista plástica inglesa que se fez nome incontornável do surrealismo. Aqui, Carrington bebe no melhor das fontes e formas literárias — o sonho e o conto de fadas — para que estabeleçamos contato com essa dimensão outra da nossa realidade. Com tradução de Dirce Waltrick do Amarante, o livro está publicado pela editora Iluminuras. Você pode comprar o livro aqui.
 
VÍDEOS, VERSOS E OUTRAS PROSAS
 
1. No Dia Mundial do Livro, uma lembrança das melhores: este vídeo preparado para falar da importância do invento de tinta e papel à frente dos dispositivos digitais.
 
2. E ainda este curta que é um encanto, uma mensagem de amor aos livros: The fantastic flying books of Mr. Morris Lessmore.
 
BAÚ DE LETRAS
 
E algumas listas de... livros, imprescindíveis. Três delas. Do nosso acervo de coisas bonitas.

a) Os livros desse século que mais propensos a permanecer na história dos interesses por longa data. Veja aqui os dez livros já imprescindíveis do século XXI.

b) Vargas Llosa também é um leitor excepcional. Basta lembrarmos dois estudos seus incontornáveis sobre Madame Bovary um e Os miseráveis outro. Nesta lista, onze livros da sua lista de leituras.

c) Numa catástrofe, quais livros salvaríamos das nossas bibliotecas? A pergunta endereçada aos colunistas do Letras pelo Dia Mundial do Livro em 2019 deu origem a esta lista.

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* Todas as informações sobre lançamentos de livros aqui divulgadas são as oferecidas pelas editoras na abertura das pré-vendas e o conteúdo, portanto, de responsabilidade das referidas casas. 


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