Boletim Letras 360º #510

DO EDITOR
 
1. Caro leitor, o Letras entrou no mês de recesso. As atividades neste blog ficam à própria sorte, caindo vez ou outra uma postagem nova; as redes permanecem ativas; e estes boletins deixam de apresentar as seções extras.
 
2. Assim como acontecerá deste lado, é tempo oportuno para re-visitar nosso extenso arquivo, sempre aberto à leitura, à partilha e ao comentário.
 
3. Aproveito a ocasião para informar que sorteio do dia 17 foi adiado para o dia 20. Se você ainda não se inscreveu para o clube de apoios ao Letras, eis a oportunidade. Quer saber como, quais os livros estão na vez e tirar outras dúvidas mais? Passa aqui.
 
4. Outra forma permanente de ajudar é na aquisição de qualquer um dos livros pelos links ofertados neste Boletim: você garante desconto sem pagar nada mais por isso.
 
5. A todos, nossos agradecimentos. Um rico final de semana!



 
LANÇAMENTOS
 
Reunião inédita dos poemas da grande Adalgisa Nery, escritora que retorna à vitrine da poesia brasileira, após quase 50 anos da publicação de seu último livro.
 
“O acontecimento poético mais notável foi a revelação de mais uma grande voz feminina na pessoa da Sra. Adalgisa Nery.” Assim Manuel Bandeira elogiou o primeiro livro de Adalgisa Nery, Poemas, publicado em 1937. Mulher de personalidade magnética, encantou a todos que a conheceram, especialmente por sua sensibilidade. Em 36 anos de carreira, publicou sete livros de poemas, dois romances, uma coletânea de contos, outra de crônicas e quatro traduções. A extensa atividade literária iguala-se somente à vida pública: Adalgisa Nery circulou em importantes meios artísticos, foi amiga de nomes como Frida Kahlo e Carlos Drummond de Andrade; além de ter sido uma política de destaque e uma das primeiras mulheres no Brasil eleita como deputada estadual. Sua produção poética revela uma mulher preocupada com as grandes questões do espírito: o amor, o abandono, a morte, o desejo. A estética de Adalgisa se insere no conflito da alma e da matéria, sendo a poeta uma intermediária entre Deus e os homens, como observou Murilo Mendes. Este Do fim ao princípio é uma coletânea completa e inédita, organizada por Ramon Nunes Mello, estudioso da poeta, e marca o retorno de Adalgisa Nery ao lugar de destaque do qual nunca deveria ter saído. Aqui, a escritora revela mais uma vez a potência de quem sentiu a poesia na pele e que, nas palavras da poeta contemporânea Bruna Beber, soube “sobretudo viver o improviso dos ciclos” e “irmanar-se ao trágico e ao eros”. O livro é publicado pela José Olympio. Você pode comprar o livro aqui.
 
O segundo volume das tragédias completas de Eurípides traduzidas por Jaa Torrano.
 
O crítico Otto Maria Carpeaux já observou que, nas peças de Ésquilo, os heróis representam coletividades, enquanto, nas tragédias de Eurípides, quem fala, age, vive e padece são, acima de tudo, indivíduos que se manifestam “em oposição sistemática contra as ordens estabelecidas”. Talvez esteja aí uma das chaves do páthos e da permanência da obra euripidiana, que continua a comover e a interrogar seus leitores cerca de 25 séculos depois de ter sido criada. Tal afirmação é sem dúvida verdadeira para caracterizar a disposição moral e os gestos de protagonistas femininas tão marcantes quanto Fedra, Andrômaca ou Hécuba, que seriam reinventadas uma infinidade de vezes pelos autores os mais diversos na história da literatura e cujas palavras são aqui restituídas aos leitores brasileiros na tradução precisa do poeta e ensaísta Jaa Torrano, professor titular de Língua e Literatura Grega da Universidade de São Paulo. A presente publicação — que reúne as peças Os Heraclidas, Hipólito, Andrômaca e Hécuba, representadas nos concursos trágicos de Atenas entre 430 e 424 a.C. aproximadamente — constitui o segundo volume do Teatro completo de Eurípides em edição bilíngue publicado pela Editora 34, na qual cada peça é acompanhada por um estudo introdutório do tradutor. Você pode comprar o livro aqui.
 
Um dos romances mais importantes da literatura russa chega às livrarias brasileiras em tradução inédita de Rubens Figueiredo.
 
Obra fundadora da literatura russa, Evguiêni Oniéguin é um romance em versos publicado entre os anos de 1825 e 1832. Nesse romance, Púchkin narra a vida do dândi Oniéguin que, entediado com seu cotidiano, viaja para o campo, onde conhece a bela Tatiana. Ela se apaixona à primeira vista, mas é duramente rejeitada. Anos depois, Oniéguin percebe o erro que cometeu e tenta desesperadamente retraçar seu caminho no amor. Contudo, o destino e diversas forças sociais não estarão a seu favor. Obra poética magistral e narrativa única, este livro tem agora sua primeira tradução brasileira completa direta do russo. Rubens Figueiredo também compõe um texto de apresentação e notas para auxílio da leitura. O livro é publicado pelo selo Penguin/ Companhia das Letras. Você pode comprar o livro aqui.
 
Dois livros passam em revista a obra e presença de Antônio Carlos Couto de Barros na/ para a Semana de Arte Moderna de 1922.
 
1. O Modernismo mudou a fisionomia da arte de São Paulo, visível até hoje. Movimento avassalador, impulsionado pelo boom do café e da industrialização, contribuiu para a fantástica expansão do Estado. Um dos nomes da elite paulista, participante ativo em todas as atividades culturais, políticas e econômicas, foi Antônio Carlos Couto de Barros (1896-1966), tratado por Couto de Barros, ou simplesmente Couto. Integrou a Liga Nacionalista de São Paulo, e colaborou com vários textos a propósito da construção de um país dos sonhos dessa classe. Durante o ano de 1922, polemizava nas páginas de A Gazeta, escondido pelo pseudônimo de Clodomiro Santarém. Ajudou a fundar a primeira revista modernista, Klaxon, organizada e administrada no seu escritório, na Rua Direita, em sociedade com Tácito de Almeida. Formou nova dupla de sucesso com Alcântara Machado para fazer outra importante revista, a Terra Roxa e Outras Terras (1926). Escreveu resenhas, crítica e ficção para outros periódicos importantes do movimento: Revista do Brasil, Estética, Ariel, Idea Illustrada, Paulistana, Verde, Revista Nova etc. Junto com boa parte da elite local, optou pela intervenção mais direta com a criação do Partido Democrático (1926) e tornou-se um dos principais acionistas, além de diretor e redator do Diário Nacional (1927). Em A Elite nos Bastidores do Modernismo Paulista, Maria Eugenia Boaventura descreve a trajetória familiar, jornalística e política de Couto de Barros explorando o rico material iconográfico e documental conservado no acervo da família e em diferentes instituições paulistas. A partir de uma pesquisa rigorosa, Boaventura reconstrói a vida de uma figura de notoriedade e relevância na vida cultural de São Paulo no século XX. Você pode comprar o livro aqui.
 
2. Couto de Barros, conhecido por seus amigos como “filósofo da malta”, participou ativamente do cenário econômico e cultural paulistano durante o século XX. Com uma extensa produção publicada nos principais periódicos das décadas de 1920 e 1930 (Klaxon, Estética, Revista do Brasil, Terra Roxa e Outras Terras, Verde, Ariel, O Mundo Ford, Revista Nova, Geografia, Diário Nacional, A Gazeta, A Manhã, O Estado de S. Paulo), o modernista seguiu uma atividade intelectual empenhada em pensar e servir ao país. Os textos reunidos em O filósofo da malta, volume organizado por Maria Eugenia Boaventura, traduzem um esforço de reflexão abrangente, sem preocupação normativa ou rigor metodológico. Como crítico, é constante sua disposição de analisar o aspecto estético, de tentar explicar a arte moderna, o trabalho do artista e também de reconhecer a importância do leitor no processo de constituição das obras. Em sua produção, Couto prima pela clareza e pela estratégia de informar o público e convidá-lo à leitura das obras de uma plêiade de modernistas do porte de Oswald e Mário de Andrade, Sérgio Milliet, Alcântara Machado, Cassiano Ricardo, Manuel Bandeira e Graça Aranha. Os dois livros são publicados pela Ateliê Editorial em coedição com Editora da Unicamp. Você pode comprar o livro aqui.
 
A sequência do itinerário pelo contística erótica brasileira.
 
Da sutil insinuação à sacanagem mais escancarada, este segundo volume de contos eróticos, organizado pela professora e pesquisadora Eliane Robert Moraes, conduz o leitor por uma excitante senda construída pelos mais brilhantes narradores da literatura erótica brasileira dos últimos cem anos. Com seu pensamento filosoficamente sofisticado, a autora demonstra que ao trazer o sexo à tona a literatura trata de vida e de morte, as principais questões da existência. O livro reúne 63 textos brilhantes, escritos a partir de 1922, que incluem desde mestres veteranos do erotismo, como Nelson Rodrigues e Hilda Hilst, passando por autores que transitam sutilmente pelo gênero, como Otto Lara Resende e Olga Savary, até a geração mais recente, em que as mulheres se lançam sem reservas, ombreando com os homens na forma picante com que tratam o tema. O corpo desvelado. Contos eróticos brasileiros (1922-2022) é publicado pela CEPE Editora.
 
A continuidade da presença da obra de Nella Larsen no Brasil.
 
Neste marco do colorismo, com fortes tintas autobiográficas, Helga Crane é filha de pai negro e mãe branca e, portanto, não tem lugar nos Estados Unidos racista dos anos 1920. Conhecemos Helga em uma universidade para “ascenção” das pessoas negras, no Sul. Desencantada com a condes- cendência dos reitores e a submissão ao discurso moralista branco, Helga foge para Nova York, onde esperava uma sociedade negra mais assertiva e independente, porém o que encontra é uma burguesia eternamente discutindo “a questão racial” em coquetéis e festas. Abandona o Harlem pela Dinamarca, terra de sua mãe, e lá é vista (e cobiçada) como “exótica”. Uma repentina “consciência de cor” a leva de volta a Nova York. Sem ter encontrado seu lugar nem no meio negro, nem no meio branco, Helga desiste das inquietações intelectuais e se torna esposa de um pastor em uma comunidade do Sul profundo... para logo deparar-se com o triste papel das mulheres no meio religioso. Para Alice Walker, “Os livros de Nella Larsen abriram para mim um mundo todo novo de experiências e lutas que me parecia, quando os li pela primeira vez anos atrás, completamente envolvente, fascinante e indispensável.” Já Eliana Alves da Cruz diz: “Quando mergulha na complexidade das personagens e no mundo que as rodeia, Nella Larsen toca não apenas nas fraturas que fragmentavam a comunidade negra e a sociedade do norte da América, mas que ainda fissuram estes mesmos grupos e também toda a diáspora negra. A autora fala para os dela e para os distantes de sua realidade temporal e social, como nós, os brasileiros e brasileiras da terceira década do século 21.” Depois de Passando-se, a Imã Editorial publica um segundo livro de Larsen, Areia movediçaVocê pode comprar o livro aqui.
 
Entrar pelo teatro de Thomas Bernhard, outra chance.
 
Considerada a primeira grande peça teatral do austríaco Thomas Bernhard, Uma festa para Boris chega ao Brasil ajudando, pouco a pouco, a suprir a lacuna de dramaturgia do autor no cenário nacional. Cultuado por inúmeros escritores do mundo todo — como Bernardo Carvalho e Horacio Castellanos Moya — pelos seus romances hipnóticos e furiosos que criaram uma dicção própria e contagiosa, Thomas Bernhard se mostra ainda mais provocador nas suas peças. Já no primeiro contato com Uma festa para Boris, o leitor (ou espectador) é confrontado com um universo que costuma ser tratado com muita cautela e correção política — o dos deficientes físicos. No entanto, Bernhard, que nunca mediu palavras, dá voz a uma mulher conhecida apenas com o apodo irônico de “A Bondosa”, que verbaliza vitupérios e crueldades dirigidos a todos, tanto aos internados no asilo quanto a seu marido, Boris, e à sua assistente. Interpretada sob uma chave existencialista logo que foi encenada, como um retrato atroz da paralisia da sociedade burguesa, Uma festa para Boris traz no seu mundo aleijados que mesclam humor sombrio e desespero para tratar da própria condição. Daí surgiram comparações com Beckett e leituras contaminadas pelo sucesso do movimento capitaneado por Sartre. Distantes desse contexto, podemos agora apreciar o estilo bernhardiano pelo que oferece de mais radical: sua construção rítmica, que conduz a um final apoteótico de ruído e insanidade, transmitida com precisão pelos tradutores. (Antônio Xerxenesky) Com tradução de Luiz Abdala Jr. e Hugo Simões, o livro é publicado no âmbito da Coleção Dramas & Poéticas publicada pela Editora UFPR. Você pode comprar o livro aqui.
 
O regresso do romance de Amin Maalouf que reimagina as cruzadas pelo ponto de vista dos árabes.
 
Julho de 1096: faz forte calor sob as muralhas de Niceia. À sombra das figueiras, nos jardins floridos, circulam notícias inquietantes: uma tropa composta por cavaleiros, infantaria, mas também mulheres e crianças, marcha sobre Constantinopla. Diz-se que trazem às costas tiras de pano em forma de cruz. Eles afirmam que estão vindo para exterminar os muçulmanos pelo caminho até Jerusalém, e estão chegando aos milhares. Trata-se dos franj — os francos, segundo os árabes. Eles permanecerão por dois séculos na Terra Santa, saqueando e massacrando para a glória de seu deus. Esta bárbara incursão do Ocidente no coração do mundo muçulmano marca o início de um longo período de decadência e obscurantismo. Ainda hoje é sentida, no Islã, como a pior das violações. As cruzadas vistas pelos árabes é a história “ao contrário”. De origem libanesa, Amin Maalouf escreveu um romance com base nos olhos árabes e, para isso, recorreu às obras de historiadores arabistas medievais. Neste romance histórico, príncipes islâmicos difamados pelos cronistas ocidentais, como Noradine, Saladino e Baibars, são apresentados como heróis. Inversamente, os “cruzados” tornam-se bárbaros, ou pior ainda, “os canibais de Maarate”. Como no seu romance Léon l’Africain [Leão, o Africano], Amin Maalouf propõe uma nova imagem do mundo árabe, para ver apreciada para um público mais amplo. Com tradução de Julia da Rosa Simões o livro é é publicado pela editora Vestígio. Você pode comprar o livro aqui.

REEDIÇÕES
 
Nova edição, agora pela Todavia, do Livro do desassossego, organizado por Jerónimo Pizarro.
 
Fernando Pessoa escreveu estes fragmentos ao longo de pouco mais de vinte anos, de maneira irregular e espaçada. Não chegou a estabelecer a obra, mas deixou muitas anotações. Com organização e introdução de Jerónimo Pizarro, especialista responsável por dezenas de estudos e publicações acerca do poeta lusitano, esta nova edição resgata a grande obra-prima de um dos mais importantes autores lusófonos. O Livro do desassossego foi quase todo escrito durante um período em que Portugal e Europa experimentavam uma longa crise: guerras, ascensão do fascismo e a chegada de Hitler ao poder. No entanto, “desassossego não tem a ver com pessimismo, mas com instabilidade, com a incapacidade de firmar posição”, como observa o escritor Tiago Ferro no posfácio. Instabilidade de um grande sonhador que, em meio a um mundo em transformação, se dedica a uma profunda reflexão sobre a vida e o que pode instigar um espírito irrequieto: “A minha vida é uma febre perpétua, uma sede sempre renovada.” A prosa poética de Fernando Pessoa ecoa suas influências e seu ideal: ter “a sensibilidade de Mallarmé dentro do estilo de Vieira; sonhar como Verlaine no corpo de Horácio; ser Homero ao luar.” Obra sem igual na língua portuguesa, o Livro do desassossego tem um potencial transformador que só poderia resultar da combinação entre poesia, filosofia e a extraordinária sensibilidade de Fernando Pessoa. Você pode comprar o livro aqui.
 
Nova edição de A travessia, de Cormac McCarthy.
 
Depois de Todos os belos cavalos, Cormac McCarthy continua sua Trilogia da Fronteira, apresentando agora Billy Parham, um menino de dezesseis anos que faz a travessia dos Estados Unidos ao México. Assim como John Grady Cole, protagonista do primeiro volume, Parham é um menino de dezesseis anos que faz a travessia dos Estados Unidos ao México. Com o objetivo de devolver um animal a seu lugar de origem, ele vai de encontro a experiências que jamais esperaria ter. Nas estradas, Billy passa por paisagens áridas e conhece pessoas vividas; encontra realidades que vão formando um retrato do que é o grande mundo, além da fazenda onde morava.  Quando retorna, percebe que seu próprio mundo mudou de forma irreversível. E que o amadurecimento e a perda da inocência sempre têm um preço. A tradução de José Antonio Arantes é reeditada pela Alfaguara Brasil. Você pode comprar o livro aqui.
 
A singular história da literatura brasileira organizada por Afrânio Coutinho em nova edição e reunida numa caixa.
 
Segundo Afrânio Coutinho, “a literatura é uma arte, a arte da palavra, isto é, produto da imaginação criadora”. Com um conhecimento profundo sobre o ofício, Coutinho se tornou um dos maiores contribuidores para a historiografia da literatura brasileira e durante sua trajetória, fez um estudo minucioso sobre o assunto, resultado que pode ser visto na coletânea A literatura no Brasil, dividida em seis volumes — que é agora reeditada pela Global Editora em versões atualizadas. Do romantismo ao realismo brasileiro, Afrânio Coutinho organizou a coletânea de forma que ela ressalte a importância e as características da literatura do nosso país, entendendo como a mesma explora assuntos históricos, dos costumes e das tradições populares, se tornando uma arte madura nos anos 1950 do século XX. Os seis volumes são apresentados separadamente, mas também podem ser adquiridos numa caixa. Juntos, apresentam os ensaios fundamentais para o mais completo estudo da literatura brasileira, sempre com direção de Afrânio Coutinho e codireção de Eduardo Coutinho, e com uma diversidade de abordagens sobre a nossa literatura dos mais eminentes estudiosos brasileiros. Você pode comprar a caixa aqui.

OBITUÁRIO 

Morreu o tradutor Sergio Flaksman.

Sergio Flaksman nasceu no Rio de Janeiro em 1949. Iniciou-se na atividade da tradução em 1966, depois de trabalhar em projetos de enciclopédias. Tudo começou com Bonequinha de luxo, de Truman Capote; daí vieram traduções de uma lista extensa de importantes obras de autores como Peter Gay, Gore Vidal, Mark Twain, Shakespeare, Albert Camus, Pirandello, Umberto Eco, Émile Zola, Alfred Jarry, Philip Roth, Jonathan Frenzen, Martin Amis, Molière, Eugène Ionesco, J. M. Coetzee, Orhan Pamuk, George Orwell, Joseph Conrad, Henry Miller. Sergio Flaksman foi ainda editor dos doze primeiros números da revista de divulgação científica Ciência Hoje, da SBPC. Vítima da Covid, Flaksman morreu no dia 13 de dezembro no Rio de Janeiro.

DICAS DE LEITURA
 
Na aquisição de qualquer um dos livros pelos links ofertados neste boletim, você tem desconto e ainda ajuda a manter o Letras.
 
1. Falas curtas, de Anne Carson. Desde a publicação de Autobiografia do vermelho (Editora 34), que a obra dessa escritora canadense ganhou outra projeção no Brasil. O livro aqui é recomendado é o terceiro saído entre 2021 e 2022. Neste livro estão reunidos uma série de poemas em prosa que remetem para a história registrada mas interessados em descobrir as falhas, as cisuras. A autêntica dicção de Carson convocada vozes diversas para este que é um diálogo que perscruta pessoas, lugares e coisas. Com tradução de Sergio Flaksman e Laura Erber, o livro está publicado pela Relicário Edições. Você pode comprar o livro aqui
 
2. Motivos e razões para matar e morrer, de Reginaldo Prandi. Daquelas narrativas deliciosas que envolve em amplo sentido a expressão descoberta: de si, do outro, do mundo, de um mistério. Por entre uma série de mortes suspeitas no final da década de 1950 numa cidadezinha do interior do Brasil, um jovem transita entre o desenlace dessas histórias, o conflito familiar e uma necessidade impetuosa de evasão. Publicação da Companhia das Letras. Você pode comprar o livro aqui

3. Os quatro livros indispensáveis da obra de Albert Camus. A Editora Record publicou ainda em 2021 uma caixa reunindo quatro romances do escritor e pensador francês: O estrangeiro, certamente seu romance mais conhecido; A peste, romance que figurou entre as redescobertas recentes aquando da pandemia de Covid; O mito de Sísifo, seu ensaio sobre o absurdo e importante contribuição para a filosofia do existencialismo; e A queda, no qual Camus mostra como o homem moderno atravessa o vazio existencial pelo abandono dos seus valores. A pequena biblioteca camusiana pode ser de extrema valia para uma lista de leitura no ano por começar. Você pode comprar a caixa aqui
 
VÍDEOS, VERSOS E OUTRAS PROSAS
 
1. O podcast comandado por Rodrigo Casarin, do blog Página Cinco conversou com o crítico literário Manuel da Costa Pinto sobre… Albert Camus. Foi Costa Pinto quem escreveu o texto “Um romance sempre é uma filosofia posta em imagens”, publicado como separata na caixa que reúne quatro livros indispensáveis do escritor e filosofo francês — sim, a mesma obra que acabamos de indicar na seção anterior. Ouça aqui.

2. Finalizamos recentemente duas sequências: no dia 10 de dezembro de 2022, na passagem dos 24 anos de quando José Saramago recebeu, na Academia Sueca, o Prêmio Nobel de Literatura, fechamos o longo fio no Twitter que iniciamos ainda no começo de novembro, por ocasião do centenário do escritor. São mais de seis dezenas de entradas sobre a obra, o pensamento e a biografia do escritor. 

2.1 No Instagram, concluímos uma sequência com sete publicações por ocasião de outro centenário: o da Semana de Arte Moderna de 1922. O que foi o evento, sua marca nas artes, as revistas modernistas, os livros da primeira década pós-Semana, alguns títulos essenciais para compreender o acontecimento e seus desdobramentos na cultura brasileira. No perfil, encontrará um destaque para rever sempre que precisar todas essas publicações. 
 
BAÚ DE LETRAS
 
Sendo esta, a última vez no em que o Boletim traz essas seções extras, fizemos um balanço para destacar quais foram as três publicações mais acessadas no Letras em 2022.
 
1. Em primeiro lugar disputam com mais de mil acessos de diferença os dois textos sobre a última parte do longo romance Minha luta, de Karl Ove Knausgård — O fim. A partir do primeiro, aqui, é possível chegar ao segundo.
 
2. Em seguida, outra resenha. Agora sobre o livro Saramago. Os seus nomes: Um álbum biográfico, organizado por Alejandro García Schnetzer e Ricardo Viel. Você pode acessar o texto por aqui.
 
3. Não podia faltar lista — o tipo de postagem que mais ganha acessos no blog. Disputam pelo terceiro lugar a lista com dez livros imprescindíveis do século XXI e a lista intitulada uma pequena biblioteca modernista. A primeira você acessa por aqui.
 
DUAS PALAVRINHAS

A literatura funciona com a lógica dos sonhos. É uma forma de pensamento incendiária. Nos permite ser adeptos do mistério em mundo obcecado em revelar tudo.
 
— Benjamín Labatut, entrevista ao jornal O Globo.

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