valter hugo mãe

Por Pedro Fernandes

o escritor valter hugo mãe pelas lentes do fotógrafo Nélio Paulo

Foi depois de ter ganhado o Prêmio José Saramago, que tomei conhecimento sobre o nome do escritor português; depois acompanhei a apresentação de a máquina de fazer espanhóis através das páginas eletrônicas da imprensa do seu país, sobretudo, as do excelente Jornal de Letras. O livro chegou recentemente às livrarias brasileiras pela Cosac Naify. Corro agora para ler a edição de o remorso de batalzar serapião que veio a lume aqui no Brasil pela Editora 34 - que já adquiri há certo tempo, mas ainda figura no rol dos livros por ler; foi com este romance que ele ganhou o José Saramago.

Depois tomei conhecimento do valter hugo mãe cantor. Adquiri o CD do grupo do qual faz parte - governo - de onde saiu a música primeira que tive contato, "Meio-bicho e fogo" - no dia em que fiz a post seguinte: "Valter Hugo Mãe, cantor". Assim, de maiúsculas e tudo. Ainda não sabia da preferência do escritor pelas minúsculas. E me parece que todos que virem o seu nome assim grafado, se tiverem um tanto de amor e respeito à língua portuguesa haverão de identificar logo como erro crasso ou, se puder, logo farão a correção para maiúsculas. 

O fato é que esta post não irá versar sobre as minúsculas de valter hugo mãe. Mas, sim, virá inscrever o nome do escritor para os anais deste blog, tudo porque ele figura entre os nomes da nova geração de escritores portugueses. Ele nasceu em Saurimo, Angola, em 1971, e integrou o grande grupo dos que retornaram a Portugal tão logo acabou a guerra colonial em África.

A família do escritor mudou-se para Paços de Ferreira e depois para Vila do Conde, onde o escritor vive até hoje. Licenciado em Direito, pós-graduado em Literatura Portuguesa Moderna e Contemporânea com dissertação de mestrado sobre Saúl Dias, ele escreveu além a máquina de fazer espanhóis (de 2010), e o remorso de baltazar serapião (de 2006) os romances, o nosso reino (em 2004) e o apocalipse dos trabalhadores (em 2008). 

Os seus quinze anos de labuta poética e os onze títulos escritos do gênero foram reunidos em 2010 no volume contabilidade. Além dessas obras, também escreveu os infanto-juvenis O rosto (2010), As mais belas coisas do mundo (2010), A verdadeira história dos pássaros (2009), e A história do homem calado (também em 2009). A antologia que primeiro apresentou o poeta aos brasileiros foi mil e setenta e um poemas, editado pela Thesaurus Editora.

Ainda no lado profissional valter hugo mãe divide a carreira de escritor como vocalista do grupo musical Governo (do qual falei acima) e esporadicamente dedica-se às artes plásticas; resultado desse último trabalho são os conjuntos de ilustrações compostas para as edições infanto-juvenis A verdadeira história dos pássaros e A história do homem calado.

Como se vê, mãe entra não só para o seleto grupos de escritores da nova literatura portuguesa como também adquire cedo o vício da proficuidade dos grandes escritores - firmando-se, jovem ainda - com uma obra que tem tudo para ser intensa e extensa.

A partir de O filho de mil homens (romance de 2011),o escritor abandonou a fase das minúsculas. E já agora passa a assinar Valter Hugo Mãe e a escrever no padrão maiúsculas e minúsculas. Publicou, depois, A desumanização (em 2013) e o conto O paraíso são os outros (em 2014).

Ligações a esta post:
>>> Notas sobre o nosso reino
>>> Notas sobre o remorso de baltazar serapião
>>> Notas sobre a máquina de fazer espanhóis
>>> Notas sobre o apocalipse dos trabalhadores
>>> Notas sobre O filho de mil homens
>>> Notas sobre A desumanização
>>> Notas sobre O paraíso são os outros

* Atualização feita em agosto de 2015.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Os segredos da Senhora Wilde

Os mistérios de "Impressão, nascer do sol", de Claude Monet

Andorinha, andorinha, de Manuel Bandeira

Os melhores de 2018: poesia

Joker

Treze obras da literatura que têm gatos como protagonistas

Em busca da adolescente que abriu caminho a Virginia Woolf e Sylvia Plath