Boletim Letras 360º #222

Esta é mais uma edição do Boletim Letras 360º, uma publicação deste blog cujo interesse é reunir todas as notícias sobre o nosso universo de interesse divulgadas durante a semana em nossa página no Facebook.



Domingo, 04/06

>>> Morreu o escritor Juan Goytisolo

O escritor nasceu em Barcelona em janeiro de 1931. Formado em Direito, mudou-se para Paris ainda nos anos cinquenta onde começa a trabalhar com assessor literário da importante Gallimard. Na década seguinte trabalha como professor de literatura em universidades da Califórnia, Boston e de Nova York, atividade que continuou ao longo de sua vida. Autor de uma extensa e variada obra narrativa e ensaística, foi censurado na Espanha pela ditadura franquista. Escreveu reportagens, literatura de viagens e memórias. Foi crítico implacável do mundo contemporâneo. Vivia entre Marraquexe, Paris, Estados Unidos e Espanha. Seus primeiros romances se inscrevem nas tendências do realismo social. No Brasil, a Editora Civilização Brasileira publicou Reivindicações do conde Julião, a Companhia das Letras publicou A saga dos Marx e a editora Agir As semanas do jardim (obra com que ganhou o Prêmio Juan Rulfo em 2004) - todos títulos que assinalam a segunda fase de sua obra, quando passa a incorporar técnicas do romance moderno. Em 2014 recebeu o Prêmio Cervantes.

Segunda-feira, 05/06

>>> Brasil: De Carlos Drummond de Andrade para Pedro Nava

As cartas inéditas, os cartões-postais, os bilhetinhos afetuosos e poemas de ocasião trocados entre os dois escritores ganham edição. O livro publicado em julho pela Bazar do Tempo foi organizado pelas pesquisadoras Eliane Vasconcelos e Matildes Demetrio dos Santos. "Descendo a Rua da Bahia", faz referência à rua de Belo Horizonte onde ficava o Bar do Ponto, local onde os amigos se encontravam e onde hoje há uma estátua dos dois. No total, são cerca de 60 documentos reunidos no livro, com posfácio de Humberto Werneck, que trabalha em uma biografia do poeta. A correspondência vai de março de 1926 a novembro de 1983, e as organizadoras criaram uma série de notas de rodapé contextualizando cada um dos papéis. A pesquisa também incluiu uma série de fotos nunca publicadas. Entre os achados está uma carta de Drummond com sugestões de mudanças em Baú dos Ossos, de Nava. O lançamento será em Itabira, onde nasceu Carlos Drummond de Andrade, assinalando os 30 anos da morte do poeta.

>>> Brasil: Reedição da obra de Ariano Suassuna e apresentação de inédito

Em junho de 2017 o escritor completaria 90 anos e em comemoração a esta data a Editora Nova Fronteira apresenta a edição definitiva do Romance d'A Pedra do Reino; a edição conta com pequenas alterações feitas por Ariano para que o romance funcione como introdução da obra inédita (divulgada aqui tão dias depois da morte do escritor) que será apresentada em outubro deste ano pela mesma casa editorial. O Romance de Dom Pantero no palco dos pecadores – Autobiografia musical, dançarina, poética, teatral e vídeo-cinematográfica. O livro sairá acompanhado de um DVD, com uma das aulas-espetáculo de Ariano. A data de apresentação do trabalho é dia 9 de outubro quando assinala os 87 anos do assassinato do pai de Ariano - João Suassuna.

Terça-feira, 06/06

>>> Brasil: Pela primeira vez por aqui, a poesia de Hirondina Joshua

O livro Os ângulos da casa sai pela editora Penalux com apresentação do escritor Mia Couto. A obra da poeta moçambicana dialoga com diversos temas complexos, como sexualidade, afetividade e erotismo. A Casa, destacada na poesia, é representada pela escritora como o espaço psíquico, o interior e os sentimentos e os ângulos a maneira de pensar, de observar, o ponto de vista. Para o escritor moçambicano Mia Couto, o estilo surrealista de Hirondina convida os leitores a um grande passeio poético. "Trata-se de uma visita a um cotidiano que sendo familiar nos é estranho, porque nele se fala o idioma a que ela chama de a língua dos céus".

>>> Brasil: Um novo título de Sjön ganha edição por aqui

Pela boca da baleia será publicado pelo selo Tusquets Editores / Editora Planeta. É descrito como uma viagem pelo universo mítico de um dos maiores autores islandeses. No ano de 1635, a Islândia é um pedaço de terra esquecido no meio do oceano gelado, obscurecido pela superstição, pela pobreza e pela crueldade. A curiosidade científica dos homens se confunde com magia e misticismo: alguns admiram o chifre dos unicórnios, os mais pobres idolatram a Virgem em segredo, e tanto livros quanto homens são jogados às fogueiras. Banido para uma ilha inóspita por práticas pouco convencionais da medicina, o velho curandeiro Jónas Pálmason recorda passagens dramáticas de sua vida, como as mortes de três de seus filhos, o exorcismo de um cadáver ambulante e o triste fim de um grupo de baleeiros espanhóis, massacrados pela população de uma vila pesqueira.

>>> Brasil: Reedição da biografia de Lima Barreto por Francisco de Assis Barbosa

Publicada pela primeira vez em 1952, A vida de Lima Barreto sai agora pela Autêntica Editora. Trata-se de uma obra não perde a atualidade e a importância. Além de "oferecer o que se espera de uma biografia, o relato completo da vida do homenageado, tendo como pano de fundo a história da cidade em que viveu, é extremamente bem escrito. Na linguagem clara e despretensiosa de uma reportagem de jornal, consegue dosar a quantidade espantosa de informação disponível com uma narrativa direta, agradável", escreve, na orelha, Rachel Valença, considerada uma das grandes estudiosas do autor no país. No ano de sua primeira edição, além de conquistar o prestigioso Prêmio Fábio Prado, o livro teve um importante papel: resgatou e pôs luz na obra de Lima Barreto, injustamente esquecido desde sua morte, em 1922. Segundo Sérgio Buarque de Holanda, o volume "reúne as virtudes de uma genuína biografia literária às de uma reportagem perfeita e em grande estilo". É o que se pode chamar de clássico, e não pode faltar nas nossas estantes e nas bibliotecas do Brasil.

Quarta-feira, 07/06

>>> Brasil: Um novo livro de Herberto Helder nas livrarias brasileiras

A Tinta da China, depois de publicar a antologia Poemas completos (que reúne boa parte da poesia de Herberto Helder) e Os passos em volta, apresenta mais um título do português: Photomaton & Vox. Editado pela primeira vez em 1979 e peça nos fenômenos de rápida venda, este livro é aquele no qual mais Herberto Helder, muitíssimo reservado, mais se expôs. Os textos aí são descritos como "biográficos, poeticamente transfigurados"; aí "o 'eu' autoral não se distingue das alegorias, homenagens, montagens, imprecações e metáforas apocalípticas que o texto convoca". Ainda nos dizeres de Pedro Mexia, quem escreve a quarta capa desta edição, "em prosa ou em verso, ambos ritmados, vigorosos, magníficos, Herberto Helder fala da sua ilha natal, das experiências-limite, das deambulações europeias, dos seus companheiros de jornada (Hölderlin, Rimbaud, alguns surrealistas, alguns beats), mas fala sempre de outra coisa".

>>> Brasil: Os contos de Hans Christian Andersen em nova tradução

Este era um projeto dos que ficaram pelo caminho depois do fechamento repentino da Cosac Naify. Sairá agora pela Editora 34. As desventuras do patinho feio, da pobre vendedora de fósforos ou do imperador fascinado por roupas novas, entre outros textos que há muito estão enraizados no imaginário Ocidental em nova tradução. A edição "O patinho feio e outras histórias" reúne cinco contos clássicos de Andersen, na versão original, traduzidos diretamente do dinamarquês por Heloisa Jahn. Nelas, o leitor encontrará um escritor de primeira grandeza, cheio de nuances de tom, ritmo e ponto de vista, certeiro no desenho dos personagens e da trama - mas, sobretudo, de uma imaginação inesgotável, que sempre surpreende e sempre dá o que pensar. Além de "O patinho feio" aí estão "Polegarzinha", "História de uma mãe", "A roupa nova do imperador", e "A menina dos fósforos". O livro dá início à publicação, na Coleção Fábula, das Obras escolhidas de Hans Christian Andersen. A edição traz ilustrações clássicas - neste caso, do norueguês Olaf Gulbransson, publicadas pela primeira vez em 1927.

Quinta-feira, 08/06

>>> Brasil: Dois importantes diários de escritores ganham edição no segundo semestre

Segundo notificado pelo jornal Estadão, os diários de Franz Kafka serão publicados pela primeira vez por aqui em edição integral; saem pela Editora Todavia, com tradução de Sergio Tellaroli. A casa editorial também comprou os direitos do primeiro volume de diários de Ricardo Piglia a ser publicado em outubro. Neste link é possível ler excertos dos diários de Piglia traduzidos no Letras.

>>> Brasil: Um dos mais importantes romances de Alexandre Dumas ganha nova edição no Brasil

O texto integral de um dos mais importantes romances de Alexandre Dumas também ganha nova tradução realizada por Bruno Ribeiro de Lima e Lara Neves Soares e introdução escrita pela professora doutora em língua e literatura francesas da Unifesp Maria Lúcia Dias Mendes. A rainha Margot é uma narrativa formada por três triângulos amorosos de características e dinâmicas próprias. Por meio dessas experiências amorosas, Margot, personagem-título da obra passa por um processo de amadurecimento: no início era a jovem princesa Margot, preocupada apenas com seus prazeres; depois do casamento, torna-se a rainha Margarida de Navarra, envolvida diretamente nas intrigas do trono, uma mulher que conhece o amor e a dor. A edição é da Amarilys Editora.

>>> Brasil: O ganhador do Prêmio Camões de 2017 foi anunciado na quinta-feira, 08 de junho, e é o poeta Manuel Alegre

O nome de Manuel Alegre foi escolhido por um júri que integrou as ensaístas portuguesas Maria João Reynaud e Paula Morão, os acadêmicos brasileiros José Luís Jobim de Salles Fonseca e Leyla Perrone-Moisés, o poeta cabo-verdiano Jose Luiz Tavares e o especialista moçambicano em literaturas africanas Lourenço do Rosário. Além de poeta, Manuel Alegre é romancista e ensaísta e tem um longo percurso como lutador anti-fascista, é um dirigente histórico do PS e foi candidato à Presidência República em 2006. "A obra de Manuel Alegre é muito importante do ponto de vista da poesia", sublinha Morão, lembrando que se comemoram este ano os 50 anos da publicação do livro O canto e as armas. Mas a ex-diretora-geral do Livro e das Bibliotecas acrescenta que "a obra ficcional tem também muita relevância" e que a ensaística, "tendo menor dimensão em quantidade, não a tem em qualidade".

Sexta-feira, 09/06

>>> Eis a edição do primeiro livro de Scholastique Mukasonga no Brasil

A mulher de pés descalços sai pela Editora Nós. Trata de maneira pungente dos conflitos enfrentados pelas mulheres na Ruanda das lutas fratricidas entre as etnias Tutsi e Hutu, que culminaram com o ominoso genocídio praticado pelos hutus em 1994. Naquele momento, Mukasonga, que é da etnia tutsi, já estava radicada na França, e viu à distância sua família ser dizimada. Escritora e ativista da diáspora negra, ela toma para si o chamamento para dar voz à dor e à perda, principalmente de sua mãe Stefania, cuja memória é homenageada nessa obra.

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