Boletim Letras 360º #304


Até sexta-feira, 11, apresentaremos em nossa página no Facebook a primeira promoção de 2019: será uma atividade exclusiva para os leitores que participaram da enquete de fim de ano que perguntava qual o seu livro mais marcante de 2018. Leia o resultado aqui. Enquanto isso, vale rever as notícias que copiamos nesta semana e organizadas neste Boletim; continuamos na marola do recesso. 

Monteiro Lobato. 2019 é o ano quando a obra do escritor entra em domínio público e várias editoras anunciam edições de sua obra.


Segunda-feira, 31/12

>>> Brasil: Livro vencedor do Man Booker Prize 2018 deve sair até o segundo semestre de 2019

Milkman (ainda sem título em português, mas algo como O leiteiro) é livro de Anna Burns, da Irlanda do Norte. Esta é a primeira mulher deste país a ser distinguida no prestigioso prêmio para as literatura de língua inglesa e a primeira a receber o galardão desde Eleanor Catton, em 2012, com Os Luminares. Anna nasceu em Belfast, em 1962, e só mais tarde se mudou para East Sussex, o condado no sudeste de Inglaterra onde ainda reside. Milkman é narrado em primeira pessoa por uma jovem de 18 anos que se vê sexualmente assediada por um homem mais velho – o famigerado leiteiro anunciado no título –, o que leva ao surgimento de um rumor, rapidamente espalhado pela cidade, de que os dois têm um caso. O livro sai no Brasil pela Rádio Londres.

Terça-feira, 01/01/2019

>>> Brasil: 2019 com mais literatura africana

Neste ano, a editora especializada em literatura africana, a Kapulana aposta em autores consagrados, como o angolano Pepetela, que até então era publicado em exclusivo pela LeYa e de quem lança O cão e os caluandas e O quase fim do mundo, e nomes importantes, mas menos conhecidos do leitor brasileiro: da escritora e cineasta Tsitsi Dangarembga, do Zimbábue, publica o romance de formação Nervous Condition e, segundo ranking feito pela BBC este ano, um dos 100 livros que ajudaram a moldar o mundo; da nigeriana Akwaeke Emezi sai o badalado Freshwater, seu romance de estreia sobre uma garota com múltiplas personalidades; e do moçambicano Adelino Timóteo, o romance Cemitério dos pássaros.

Quarta-feira, 02/01

>>> Brasil: Volta às livrarias, Pescar truta na América

O romance ganha uma edição impressa neste mês, depois que a José Olympio disponibilizou no início de 2018 a versão digital. Pescar truta na América desestabiliza a ideia de um livro convencional enquanto cria um mundo onde coisas parecem improváveis de permanecer em seus devidos lugares. Richard Brautigan traduz seu espírito lisérgico em um romance metaliterário, sem sequência temporal, de capítulos curtos e ligados por um mesmo assunto, o ato que dá título à obra. Publicada originalmente em 1967, a história percorre a infância de Brautigan no noroeste dos Estados Unidos; a vida adulta em São Francisco; e uma viagem de acampamento em Idaho, com a esposa e a filha, no verão de 1961, ao longo da qual a maioria dos capítulos foi escrita. E, nesta primeira experiência de Brautigan com prosa, descobrimos que Pescar truta na América não é apenas o nome de um livro. Pode ser um personagem, um hotel, o ato de pescar em si, pode vir acompanhado de uma receita; pode ser tudo o que Brautigan e sua literatura conseguem transformar.

>>> Brasil: As reflexões do autor de O Pequeno Príncipe sobre a guerra

Também, primeiro apenas em formato digital sai Carta a um refém. Pelo selo Penguin / Companhia das Letras. Este liro data de pouco mais de dois anotes antes de criar seu texto mais famoso e quatro anos antes de sua morte numa missão aérea. Era para ser o prefácio a um livro do amigo Léon Werth, mas se transformou num texto mais amplo, uma meditação pungente sobre as atrocidades que a guerra estava infligindo na humanidade. Saint-Exupéry havia acabado de escapar de sua terra natal, já devastada pela invasão nazista, numa viagem de navio que o levou aos Estados Unidos e a uma estadia em Portugal. O livro saiu em 1943; trata-se de uma obra que consegue transmitir toda a melancolia da guerra e do exílio. Um texto curto e contundente sobre uma amizade genuína, transforma o prosaico e o aterrorizante em matéria de literatura. A tradução é de Mônica Cristina Côrrea.

Quinta-feira, 03/01

>>> Brasil: 2019, o ano de Monteiro Lobato

Numa entrada para esta página há quase dois anos dizíamos que a Companhia das Letras passaria a editar a obra do autor do Sítio do Pica-Pau Amarelo. Esta casa e mais duas anunciaram recentemente a publicações de títulos de Lobato: a Autêntica Editora solta dois; e a L&PM Editores, onze. A primeira edita O Pica-Pau Amarelo e Reinações de Narizinho. Este último foi o primeiro livro de Lobato para crianças e é considerado fundador da literatura infantil brasileira. Traz uma série de aventuras independentes, a maior parte passada no Sítio do Pica-Pau Amarelo, embora elas aconteçam também em outros lugares, como o Reino das Águas Claras e o País das Fábulas. É nesse livro, também, que somos apresentados a alguns dos personagens que vivem no sítio e que vêm encantando diversas gerações de crianças do Brasil. No outro título, a turma do sítio se encontra com seres da mitologia grega, como Pégaso e a Quimera, personagens de contos de fadas europeus, como Cinderela, o Pequeno Polegar, Chapeuzinho Vermelho, e personagens clássicos da literatura, como o Capitão Gancho, Peter Pan, Dom Quixote… É que o Mundo da Fábula resolveu se mudar para o sítio com seus castelos, suas carruagens, seus animais – e foi então que as mais incríveis aventuras começaram. Estes dois títulos saem pela L&PM seguidos de Memórias de Emília, A reforma da natureza, Fábulas, Dom Quixote para crianças, Peter Pan, Aventuras de Hans Staden, O Saci e O Minotauro. No próximo mês, a Companhia apresenta Reinações de Narizinho. Esta edição anunciada é de luxo, com ilustrações de Lole e organizada por Marisa Lajolo, um dos nomes importantes na crítica sobre a obra do escritor brasileiro. A edição é anotada com explicações sobre o vocabulário e os costumes do Brasil na década de 1920. Enquanto isso, o selo Biblioteca Azul, da Globo Livros, continua o projeto de publicação da obra do escritor de Taubaté: chega agora às livrarias as edição de luxo de A reforma da natureza, já editada em formato digital.

Sexta-feira, 04/01

>>> Brasil: Tristão e Isolda em formato de cordel, uma alternativa de flertar com a estrutura original do texto clássico

A SESI-SP Editora reapresenta uma história que desafia o tempo e as convenções sociais. Nela, Tristão, o cavaleiro perfeito, poeta e herói civilizador, defensor da honra e da liberdade, é envolvido na teia de um amor fatal, do qual não pode ou não quer se livrar. Isolda é a imagem da mulher ao mesmo tempo bela e misteriosa, herdeira dos segredos das fadas da mitologia da Irlanda, senhora dos filtros mágicos que podem trazer a cura ou a morte. Corrente nas águas da tradição do mundo celta, a lenda dos desventurados amantes foi recontada nos séculos XII e XIII, principalmente por poetas e prosadores, alcançando grande sucesso. Depois do relativo esquecimento nos anos que se seguiram à Renascença, o mito foi relido por Richard Wagner na clássica ópera de 1859. Esta versão em cordel, de autoria de Marco Haurélio, tem o mérito de devolver a saga ao gênero no qual debutou: a poesia.

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