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Mostrando postagens de fevereiro 17, 2026

Um rodapé dostoievskiano

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Por Davi Lopes Villaça  Das várias estranhezas que compõem as Memórias do subsolo (1864), de Dostoiévski, gostaríamos de chamar a atenção para aquela discreta, mas muito significativa, nota de rodapé, assinada pelo autor, logo no início da narrativa, na qual ele que nos assegura do caráter ficcional de sua novela: “O autor das memórias e as próprias ‘memórias’, é claro, são inventados. No entanto, pessoas como o autor destas memórias não só podem como devem existir em nossa sociedade, levando em consideração as circunstâncias em que nossa sociedade, em geral, se desenvolveu. Eu queria apresentar ao público, com mais destaque do que o habitual, um dos tipos humanos de nosso passado recente. Trata-se de um dos representantes de uma geração que ainda vive. Nesta parte, intitulada ‘Subsolo’, essa pessoa apresenta a si mesma, seus pontos de vista e, de certa forma, quer esclarecer os motivos pelos quais ela surgiu, e tinha se surgir, em nosso meio. Na parte seguinte, virão as ‘memórias...