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Baudelaire não soube ver

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Por Antonio Muñoz Molina  Baudelaire. O olhar magnético de Charles Baudelaire de cada uma das fotos realizadas por seu amigo Nadar nos hipnotiza  É um olhar que perfura mas também foge, se perde na ausência ou no introspecção. É já o olhar de um homem enfermo, marcado pelos efeitos da sífilis que contraiu no início da adolescência; e o de um homem triste que se vê envelhecendo prematuramente sem encontrar uma posição sólida no mundo, sem lugar fixo, com incursões sempre desorganizadas e acanhadas, porque dependia de sua mãe e de um administrador aos quais tinha sempre precisava recorrer para ter algum dinheiro. Baudelaire detestava a fotografia, uma das tantas novidades da sociedade dominada pelo comércio e a tecnologia que o espantava, mas em todos os retratos dele mostra uma intuição poderoso dessa arte que para ele não era, um sentido de atitude e de presença muito adequados para o meio. O olhar de Baudelaire é um dos primeiros olhares de escritor que co...

A linhagem de Thomas de Quincey

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Por Antonio Muñoz Molina Que o conheças ou não, se  você escrever com expressiva ambição num jornal e se deixa ir por uma cidade no grande rio dos desconhecidos, se você experimenta os mistérios do real e as truculências do imaginário, se você tem a tentação de abandonar-se à ebriedade das sensações da vida e dos paraísos artificiais, alguns mais tóxicos e mais viciantes que outros, você é discípulo de Thomas de Quincey. Inclusive não é imprescindível que a literatura seja tão importante para você: escuta a voz e as letras de Lou Reed naquele disco New York e uma parte do espírito de Thomas de Quincey estará infiltrando-se em você.   Lou Reed pode invocar em suas canções a noite sombria de Saint Mark’s Place nos anos setenta, as ruas então envolvidas na negritude dos desfiladeiros do Soho: mas o pressentimento de excitação e perigo da vida noturna, o flanar de quem busca o proibido ou o impossível ou de quem segue caminhando porque não tem onde cair vivo nem m...