A 18, encontro com José Saramago (VI)


Pintura de José Santa-Bárbara para Memorial do convento.


...tudo quanto é nome de homem vai aqui, tudo quando é vida também, sobretudo se atribulada, principalmente se miserável, já que não podemos falar-lhes das vidas, por tantas serem, ao menos deixemos os nomes escritos, é essa a nossa obrigação, só para isso escrevemos, torná-los imortais, pois aí ficam, se de nós depende, Alcino, Brás, Cristóvão, Daniel, Egas, Firmino, Geraldo, Horácio, Isidro, Juvino, Luís, Marcolino, Nicanor, Onofre, Paulo, Quitério, Rufino, Sebastião, Tadeu, Ubaldo, Valério, Xavier, Zacarias, uma letra de cada um para ficarem todos representados, porventura nem todos estes nomes serão os próprios do tempo e do lugar, menos ainda da gente, mas, enquanto não se acabar quem trabalhe, não se acabarão os trabalhos, e alguns destes estarão no futuro de alguns daqueles, à espera de quem vier a ter o nome e a profissão.

[José Saramago, Memorial do convento, p. 233]

*

Iniciativa posta na rede desde o dia 18 julho; todo 18 de cada mês, durante nove meses, leitores saramaguianos do mundo inteiro reúnem-se para ler um fragmento de sua obra e brindá-la com uma taça de vinho. Este blog segue a iniciativa. O fragmento que leio hoje é de Memorial do convento, a síntese do romance, é possível afirmar.


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