A 18, encontro com Saramago (VI)


Iniciativa posta na rede desde o dia 18 julho; todo 18 de cada mês durante noves meses leitores saramaguianos do mundo inteiro reúnem-se para ler um fragmento de sua obra e brindá-lo com uma taça de vinho. Este blog segue a iniciativa. O fragmento que leio hoje é do Memorial do convento.

"...tudo quanto é nome de homem vai aqui, tudo quando é vida também, sobretudo se atribulada, principalmente se miserável, já que não podemos falar-lhes das vidas, por tantas serem, ao menos deixemos os nomes escritos, é essa a nossa obrigação, só para isso escrevemos, torná-los imortais, pois aí ficam, se de nós depende, Alcino, Brás, Cristóvão, Daniel, Egas, Firmino, Geraldo, Horácio, Isidro, Juvino, Luís, Marcolino, Nicanor, Onofre, Paulo, Quitério, Rufino, Sebastião, Tadeu, Ubaldo, Valério, Xavier, Zacarias, uma letra de cada um para ficarem todos representados, porventura nem todos estes nomes serão os próprios do tempo e do lugar, menos ainda da gente, mas, enquanto não se acabar quem trabalhe, não se acabarão os trabalhos, e alguns destes estarão no futuro de alguns daqueles, à espera de quem vier a ter o nome e a profissão."

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Os segredos da Senhora Wilde

Companheiros de viagem: J.R.R. Tolkien e C.S. Lewis: "O dom da amizade", de Colin Duriez

Os últimos dias de Thomas Mann

Boletim Letras 360º #287

“Andávamos sem nos procurar”, o filme de “O jogo da amarelinha”, de Julio Cortázar

Sete pontos da filosofia da composição de Edgar Allan Poe

Não escrever: breve ensaio sobre a impossibilidade

O conto inédito de Ernest Hemingway que narra a libertação de Paris do nazismo

Boletim Letras 360º #286

Jamais o fogo nunca, de Diamela Eltit