La vie en rouge: a Medea de Sêneca por Gabriel Villela
Por Afonso Júnior Ilustração de Guilherme Crivelaro. Cartaz de Medea. O edifício do teatro estava sem luz, com geradores há três dias. Umas calçadas na quadra próxima pegaram fogo, foram abertas pela empresa privada, ficam à vista pedras e terra. Há pouco, uma mulher desapareceu porque sua casa ficou sem luz. Policiais dão aula (e erram o português) porque os pais têm medo e preferem disciplina. Quem será o próximo Nero? O brasileiro tem um pote até aqui de mágoa. Os monstros de Sêneca também. Quebrar o clássico é uma tarefa titânica. Existe algo que Gabriel Villela entende, algo sobre o barro do teatro catastrófico, suas rupturas. Trazer uma peça esquecida assim já demonstra sua seriedade. Qualquer artista que aceite o desafio de montar um Sêneca merece louvores. Os textos apresentam muitas dificuldades dentro da mentalidade comum de teatro (uma espécie de aristotelismo realista mediano). São muitas descrições, muitas falas intermináveis, nunca ...