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Boletim Letras 360º #427

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DO EDITOR   1. Saudações, caro leitor! Repasso o lembrete que deixamos em edições anteriores deste Boletim: as vendas de alguns livros da biblioteca do Letras para cobrir as despesas de hospedagem do blog online estão abertas. O bazar no nosso Facebook acontece anualmente. Veja se é possível a ajudar. A simples partilha e divulgação é já muito importante. Aqui . Caso não disponha de conta nessa rede social, pode escrever a blogletras@yahoo.com.br 2. Abaixo, o leitor encontra notícias apresentadas durante a semana na página do blog no Facebook e o conteúdo das demais seções de leitura criadas em momento posterior à existência deste Boletim.   3. Reitero os agradecimentos pela companhia do nosso trabalho. Espero que você esteja, dentro do possível são e seguro. Boas leituras! Paul Celan. Foto: Renate von Mangoldt. Um dos mais importantes livros do poeta ganha tradução no Brasil.   LANÇAMENTOS Dom Quixote visto pelos artistas brasileiros Portinari e Drummond . Miguel ...

Gigantes, minúsculos ou encadernados com pele humana: os livros mais extravagantes do mundo

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Por Juan Andrés Ferreira   Páginas do Manuscrito Voynich.   Existem livros enigmáticos, livros malditos, encadernados com pele humana, livros gigantes, fisicamente enormes, minúsculos, livros liliputianos, que só podem ser lidos com a ajuda de uma lupa. E há livros absurdamente longos, experimentos com a linguagem e a paciência, livros transbordantes, escritos em segredo absoluto, praticamente para não serem publicados. Ao longo da história, a humanidade criou, e continua criando, uma biblioteca extravagante, um espaço povoado de raridades dentro de sua espécie e que até deu vida a novas espécies.   O Manuscrito Voynich  é talvez o livro misterioso por excelência, uma espécie em si mesma. Ao contrário do Necronomicon (idealizado pelo escritor estadunidense H. P. Lovecraft), ele existe fora da ficção. Escrito em um idioma e alfabeto até agora desconhecidos, ele contém ilustrações únicas que retratam plantas estranhas ou inexistentes, ou retratam mulheres nuas tomando...

Herdeiras da geração marginal

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Por Pedro Fernandes Qual nome receberá o grupo organizado por Heloisa Buarque de Hollanda para As 29 poetas hoje ? A resposta para a pergunta pode ainda não está pronta, mas encontra alguns caminhos possíveis e estabelecer conjeturas não é de um todo inválido. Mesmo porque os interesses conceituais se oferecem seja por aquilo que o livro contempla seja pela leitura de alguma maneira estabelecida pela organizadora no prefácio “É importante começar essa história de algum lugar, ainda que arbitrário”.   Quando o espelho original para essa antologia tomou forma, os seus autores estavam agregados em torno de uma variedade de designações, incluindo a poesia marginal . O designativo não esclarece um tipo ou um conceito de poesia, afinal, se voltarmos a aporia dos gêneros literários descobriremos — pela recepção sobretudo — que a poesia, embora chegue a ser compreendida como maior pelo trato criativo e não puramente mimético , sempre apareceu situada num campo às margens. Isso amplia a...

Cervantes e a violência de gênero

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Por Geney Betrán Ilustração de Vânia Mignone.   O estuprador conta a história: “subi sem esbarrar ninguém até o próprio aposento onde ela estava dormindo a sesta sobre um estrado negro. Era formosa ao extremo, e o silêncio, a solidão, a ocasião despertaram em mim um desejo mais atrevido que honesto, e sem pensar com sensatez fechei a porta às minhas costas, e me aproximando dela, acordei-a, e segurando-a firmemente [...] eu a possuí contra sua vontade e à força, pura e simplesmente.”¹ A mulher engravidou. Para esconder seu estado, deixou sua terra em direção ao sul, como uma peregrina. Deu à luz uma menina numa pousada em Toledo. Deixou a criança nas mãos de seus anfitriões, prometendo buscá-la depois de dois anos. Mas nunca o fez; a morte a impediu. Quinze anos, um mês e quatro dias se passaram. O nome da garota é Costanza. Aos 15 anos ela é a mulher mais bonita de acordo com quantos homens a viram. De nenhum, entretanto, ela aceita seus requebros de amor. “É dura como um mármore ...

Wlademir Dias-Pino: um poeta em movimento

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Por Fábio Roberto Ferreira Barreto Wlademir Dias-Pino.   Wlademir Dias-Pino: em poucas palavras, um ser de muita ação   O poetartista Wlademir Dias-Pino (1927-2018) “tem uma trajetória única na arte e na poesia” (MENDONÇA, 2017, p. 7); no entanto, a despeito de sua grandiosidade, é pouco (re)conhecido no Brasil. Precursor da poesia visual no país, protagonizou e/ ou participou de diferentes movimentos da literatura brasileira recente. Fundou, ao lado de outros poetas, o Movimento Intensivista, nos anos de 1940, integrou o Movimento Concretista, nos anos de 1950, e idealizou o Movimento Poema-Processo, nos anos de 1960.   Inquieto, Wlademir publicou o relevante livro Processo: linguagem e comunicação , em 1971, o livro-catálogo A separação entre inscrever e escrever , em 1982, e outro importante marco de sua trajetória, os seis volumes de Enciclopédia Visual , nos anos de 1990.   Nos últimos anos, as homenagens logradas pelo Museu de Arte do Rio (MAR) — O Poema Infi...