Operação França, de William Friedkin



Dois policiais, Jimmy "Popeye" Doyle (Gene Hackman) e Buddy "Cloudy" Russo (Roy Scheider), descobrem uma enorme operação de tráfico de heroína em Nova York, organizada por um galante vilão, o francês Alain Charnier (Fernando Rey). Operação França é um thriller policial sem mocinhos. 

Enquanto corre atrás dos traficantes, entre tiros, facadas, muita ação e suspense, o detetive Doyle, representante da lei, mas também violento, passará por cima da ética para pegar o criminoso. Baseado em fatos verídicos, o filme foi entendido por parte da audiência como denúncia da violência tanto de criminosos quanto da polícia. No cartaz de divulgação, inclusive, lia-se "Doyle não é boa notícia, mas é um bom policial".

A grande sequência do longa, a da perseguição (entre um carro e o trem do metrô), ficou marcada como uma das mais impressionantes do cinema. Para filmá-la, Friedkin utilizou o tráfico da cidade, com transeuntes reais e o próprio Gene Hackman dirigindo em alta velocidade pelas ruas de Nova York.

Acentuam o tom realista as diversas cenas filmadas em locação, com câmera na mão, ao estilo documental, mostrando a sujeira dos espaços, inclusive da delegacia e do amarfanhado dos policiais.

A despeito desse retrato crítico sobre a eficiência da lei, Operação França recebeu cinco Oscar, incluindo Melhor Filme e Direção. Em 1974, a Academia novamente reconheceu o talento de Friedkin, premiando O exorcista (1973) em duas das dez indicações que recebeu. 

* Revista Bravo!, 2007, p.109

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