Boletim Letras 360º #405

 
 
DO EDITOR
 
1. Saudações, leitores! A seguir, encontram as notícias que fizeram a semana em nossa página no Facebook. Esta invenção denominada Boletim Letras 360.º foi criada há 405 semanas, quando os algoritmos da rede social mais frequentada da casa passou a esconder (como faz cada vez mais abruptamente nos dias de hoje) nossas posts.
 
2. Já agora começamos a demonstrar os sinais para o pequeno recesso do final de ano. Os boletins ficarão mais curtos, sem as seções de costume e as publicações aqui no blog ganharão menor ritmo. É o período para pensarmos o novo ano e conseguirmos algum descanso que seja.

3. Mas as atividades nas redes sociais continuam. Em breve, algumas novidades no nosso Instagram. Fiquem atentos! Obrigado pela companhia. Boas leituras!

Katherine Mansfield. Cultuada contista ganha nova edição no Brasil com prosa seleta.


 
LANÇAMENTOS
 
Antologia reúne os mais típicos contos de Katherine Mansfield.
 
Katherine Mansfield é considerada uma das maiores escritoras do Modernismo. Sua pungente obra é marcada por temas como as relações sociais, os papéis de gênero na sociedade, o isolamento, a vida e a morte. Os contos reunidos em A festa ao ar livre e outras histórias figuram entre os mais típicos da autora, revelando seu perfeito domínio da técnica de rápidas percepções psicológicas. Inovadoras e perspicazes, essas quinze histórias foram escritas no final da vida tragicamente curta de Mansfield. Muitas são ambientadas na Nova Zelândia, país nativo da autora, outras na Inglaterra e na Riviera Francesa. Todas expressam emoções não ditas e pouco compreendidas que compõem a experiência cotidiana. Esta edição conta com a tradução cuidadosamente revista de Luiza Lobo, que também assina o texto de introdução. O livro integra a Coleção Áurea, da Nova Fronteira.
 
Um dos mais importantes críticos e ficcionistas contemporâneos relembra sua infância no interior de Minas Gerais em uma narrativa contundente e arrebatadora.
 
Enquanto descobre a magia do cinema e das revistas em quadrinhos, o jovem Silviano Santiago nos conta a história de sua vida marcada pela perda da mãe, a conturbada relação com o pai e com o restante da família tradicional do interior de Minas Gerais. Contudo, ao narrar sua infância, Silviano narra também momentos decisivos da história do Brasil entre os anos 1940 e 1960. Com o exemplar manejo da escrita que já conhecemos de suas obras ensaísticas e ficcionais, Silviano traz para esse relato memorialístico a potência narrativa que caracteriza toda sua obra. Menino sem passado é um livro corajoso sobre as marcas que a infância e a família deixam em nós.
 
Um livro de poemas recomendado, traduzido e prefaciado por José Luís Peixoto.
 
Os poemas de Jidi Majia são, ao mesmo tempo, íntimos e globais. Neles, o eu poético se confunde com o autor sem pudores, especialmente quando, citando o seu próprio nome, o poeta explora sentimentos como pertencimento e defesa das origens. E é nesse aspecto, em plena China contemporânea, que o artista assume a sua dimensão política mais forte. Ainda assim, logo ao primeiro olhar, percebemos que não estamos diante de uma expressão regionalista ou até, digamos, étnica. Jidi Majia se refere ao vasto mundo de modo abundante e direto, com inabalável postura humanista. Palavras de fogo é publicado pela Dublinense Editora.
 
Nova edição e tradução de um clássico da literatura de Mary Shelley.
 
Nascido e criado na Suíça, Victor Frankenstein sempre foi ávido de conhecimento. Na universidade, embarca em uma complexa e profunda pesquisa sobre a definição da vida. Uma noite, como por milagre, chega a um processo que lhe permite fazer reviver a matéria morta. Trabalhando dia e noite, ele descobre como animar um corpo feito de pedaços de cadáveres humanos e consegue criar uma criatura sobre-humana. Quando vê sua criatura, horrorizado com a figura monstruosa, grotesca, horrenda, Frankenstein foge, deixando sozinho o ser a quem dera vida. Começa então uma série de acontecimentos dramáticos, numa narrativa que leva às últimas consequências os sentimentos humanos de amor e ódio, desejo, carência, abandono, vingança. O desfecho é comovente e nos faz refletir sobre a natureza humana, sua ambição desmedida, seu egoísmo. Publicado pela primeira vez em 1818, este é um belíssimo livro, tenso, rico, uma das obras mais admiradas da literatura mundial. A tradução de Luis Reyes Gil para Frankenstein ou o Prometeu moderno é publicada pela Editora Autêntica.
 
Uma jornada inesquecível pela Ásia Central, uma das regiões mais misteriosas e carregadas de história do mundo.
 
Com o colapso da União Soviética em 1991, as cinco repúblicas da Ásia Central até então controladas por Moscou obtiveram a própria independência. Ao longo de setenta anos de domínio soviético, Turcomenistão, Cazaquistão, Quirguistão, Tadjiquistão e Uzbequistão, os países que, das cadeias de montanhas mais altas do mundo ao deserto, antes marcavam a Rota da Seda, de alguma forma passaram diretamente da Idade Média ao século XX. E após vinte e cinco anos de autonomia, todas as cinco nações ainda parecem estar em busca da própria identidade, estreitas entre o leste e o oeste e entre o velho e o novo, no centro da Ásia, cercadas por grandes potências como a Rússia e a China, ou por vizinhos inquietos como o Irã e o Afeganistão. Os contrastes as unem: décadas de domínio soviético coexistem com administrações locais, a exorbitante riqueza do gás e do petróleo com a mais extrema pobreza, o culto à personalidade com costumes arcaicos ainda vitais. Sovietistão é uma jornada inesquecível pela Ásia Central, uma das regiões mais misteriosas e carregadas de história do mundo, onde as paisagens mais impressionantes da antiga Rota da Seda se sobrepõem às ruínas da utopia comunista. O livro de Erika Fatland é publicado pela editora Âyinè.
 
Um panorama pelo humor de Nelson Rodrigues.
 
Muito além de um mero recorte de frases inesquecíveis sobre os mais diversos temas, Só os profetas enxergam o óbvio, apresentado pelo crítico André Seffrin, é um prato cheio para quem quer entrar no universo rodriguiano e conhecer ou rever suas opiniões firmes, por vezes polêmicas, mas incrivelmente atuais. Ácidas, divertidas, espantosas, proféticas, impactantes, geniais: as frases de Nelson Rodrigues fazem dele, como escreveu Carlos Heitor Cony, “de longe o maior fabricante de bordões da nossa literatura”.
 
Um sim a Clarice.
 
“Tudo no mundo começou com um sim” ― assim Clarice Lispector começa A hora da estrela, e é com esse mesmo “sim” que Sérgio Antônio Silva nos entrega este livro, lançando-nos à aventura perigosamente feliz da escrita. O medo, a queda, o amor, a morte, tudo isso encontramos neste texto. Sérgio faz falar a obra de Clarice que mais nos diz do ato de criação, mostrando-nos a relação da escrita com o fracasso, o estar sempre a morrer. Sim. Dessa palavra começante, dessa palavra desapossada e desenraizada, nasce este livro e sua pobreza: um começo, um meio, um fim. Talvez seja essa a saída que resta ― uma saída discreta pela porta dos fundos ― para se falar de uma história que não cessa de principiar, que não cessa de acabar. A hora da estrela de Clarice é publicada pela editora Autêntica.
 
Entre a poesia escrita e a falada, o humor e a revolta, o tom intimista e a voz performática, esta antologia reúne uma geração efervescente de jovens poetas brasileiras.
 
Quarenta e cinco anos depois do lançamento de 26 poetas hoje ― antologia que marcou época e se tornou um documento incontornável dos anos 1970 ―, Heloisa Buarque de Hollanda se perguntou: quem está fazendo a poesia agora? Ao se dar conta da surpreendente presença das mulheres, cada uma com sua dicção e seu estilo, Heloisa reuniu vozes de uma geração pulsante e combativa, que impressiona pela força, pela coragem e pelo talento. As 29 poetas hoje é uma antologia que fala sobre identidade, sexo, amor, fúria, política e o Brasil de agora. Participam: Adelaide Ivánova; Maria Isabel Iorio; Ana Carolina Assis; Elizandra Souza; Renata Machado Tupinambá; Bruna Mitrano; Rita Isadora Pessoa; Ana Fainguelernt; Luz Ribeiro; Danielle Magalhães; Catarina Lins; Érica Zíngano; Jarid Arraes; Luna Vitrolira; Mel Duarte; Liv Lagerblad; Marília Floôr Kosby; Luiza Romão; Raissa Éris Grimm Cabral; Cecília Floresta; Natasha Felix; Nina Rizzi; Stephanie Borges; Regina Azevedo; Valeska Torres; Bell Puã; Yasmin Nigri; Dinha; Marcia Mura
 
Uma jornada repleta de sexo, angústia e loucura, um relato magnético sobre a grande festa libidinosa que foi a Califórnia do início dos anos 1990.
 
Marco do feminismo libertário americano, Loira suicida é uma espécie de diário no qual a jovem Jesse registra sua incursão pelos domínios mais baixos da San Francisco dos anos 1990. Filha de um ministro da igreja luterana, a protagonista do romance renuncia aos valores de classe média para seguir, ao lado do namorado gay, uma peregrinação por um submundo feito de drogas, bebida e sexo. Influenciada por todo um cânone de escritores marginais (Georges Bataille, Jean Genet, Alexander Trocchi, William S. Burroughs etc.) e dialogando com a literatura queer e noir dos anos 1980 e 1990 ― e com autores como Virginie Despentes, Eileen Myles, Jean Rhys, Marguerite Duras, entre outros ―, Darcey Steinke arma uma história a um só tempo melodramática e mordaz, honesta e intensa, em que os labirintos do desejo se chocam à euforia de uma época que parecia começar a girar irremediavelmente em falso. Um romance vigoroso sobre uma mulher e os descaminhos de uma furiosa busca por encontrar o seu lugar no mundo.
 
Nova edição e tradução de um clássico da literatura de Daniel Defoe.
 
Publicado pela primeira vez em Londres em 25 de abril de 1719, o título original deste livro era A vida e as estranhas e surpreendentes aventuras de Robinson Crusoé de York, navegador e trazia um adendo: “Escrito por ele mesmo”. Nele o narrador conta como, ainda jovem, obstinado e obcecado por viagens marítimas, ignorou os conselhos da família e deixou sua confortável casa de classe média na Inglaterra para ir para o mar. Sua primeira experiência em um navio foi quase fatal, mas ele não desistiu e fez várias viagens aventurosas: foi capturado por piratas, vendido como escravo, passou por sérios perigos mas sempre conseguiu escapar. Numa dessas viagens, no Caribe, uma tempestade destruiu o navio em que estava e ele, levado pelo mar a uma ilha deserta, foi o único sobrevivente. Sem outra saída, salvou o que pôde do navio naufragado e passou a viver na ilha, onde, ao longo dos 28 anos que passou ali, ergueu uma fortaleza para viver, resgatou valores essenciais, cresceu espiritualmente e construiu uma vida rica e cheia de sabedoria. Reunindo elementos da literatura de viagens e das histórias de aventura, o livro permanece até nossos dias como fonte de reflexões sobre a vida e a morte, sobre ser e ter e sobre o significado mais essencial de sobreviver. A tradução de Márcia Soares Guimarães é publicada pela Editora Autêntica.
 
Um romance poderoso e áspero sobre uma família, um apartamento caótico e as dolorosas descobertas da adolescência.
 
Faltava muita coisa no apartamento 402. Mas sobravam muitas outras: caixas de papelão, bandejas de isopor, cacarecos, baratas, cupins, muriçocas, poeira, copos sujos. Abigail, Berta e Lúcio formam um trio nada convencional. Duas adolescentes dividem o apartamento com o pai, um homem amoroso, idiossincrático, acumulador, pouco afeito à vida prática, que torce para que a morte venha logo lhe buscar e dá conselhos incomuns às filhas: “É muito bom sentir fome”. Os tais caquinhos é um romance de formação trágico e comovente, capaz de arrancar risos nervosos. Ao descrever o dia a dia de uma família simbiótica em meio à cordilheira de lixo que só faz crescer, Natércia Pontes desenha um fascinante retrato de três pessoas que buscam conviver com seus sonhos e suas fantasias, suas manias e seus anseios, seus medos e suas revelações.
 
Em sua nova coletânea, Ricardo Lima retoma o estilo minimalista e lírico dos livros anteriores.
 
Mas agora trata a miséria agressiva dos dias atuais com versos mais diretos, numa linguagem menos elíptica. Com trinta poemas escritos entre 2013 e 2019, Pequeno palco é o sétimo livro do poeta cuja obra já foi comentada por Caio Fernando Abreu, Augusto Massi, Fábio Weintraub, Leonardo Fróes, Paulo Franchetti, Manoel da Costa Pinto, Fabio de Souza Andrade, Marcos Pasche, Fernando Marques, Mariana Ianelli e Luis Dolhnikoff, entre outros. A edição da Ateliê Editorial traz ilustrações de Lygia Eluf.
 
Nesta trilogia, Evaldo Cabral de Mello, especialista em história regional e no período de domínio holandês em Pernambuco no século XVII, revisita um intrigante momento da história nacional.
 
Ao analisar as relações diplomáticas entre Brasil, Portugal e Holanda, o historiador cria um amplo panorama do contexto ultramarino seiscentista. Desse modo, apresenta um quadro fundamental para a compreensão de como a sociedade colonial lidava tanto com a influência europeia quanto com os dramas da guerra. A nova edição da Penguin-Companhia traz os livros Olinda restaurada, O negócio do Brasil e Rubro veio com textos revistos pelo autor. Apoiado em farta documentação e pesquisa, Evaldo Cabral de Mello mostra como a junção de conflito, negociação e imaginário marcam o nascimento da nação que hoje conhecemos como Brasil.
 
REEDIÇÕES
 
Nova edição de uma obra-prima de Italo Svevo.
 
Zeno Cosini é um empresário bem-sucedido, vaidoso, obsessivo e cheio de remorso. Quando procura ajuda para resolver suas neuroses, o psicanalista sugere, como forma de terapia, que ele escreva um diário, o que leva Zeno a mergulhar num ambíguo exer­cício de autoanálise. Com humor irônico e perspicaz, o narrador-personagem relata episódios sobre a morte de seu pai, sua carreira, seu casamento, seus casos amorosos e suas repetidas ― e inúteis ― tentativas de parar de fumar. Publicado pela primeira vez em 1923, A consciência de Zeno é a obra-prima de Italo Svevo e um dos romances mais importantes da literatura italiana do século XX. Utilizando a psicanálise como elemento fundamental da trama, este trabalho revolucionário apresenta com maes­tria as ansiedades, os medos e as questões mais pro­fundas de uma sociedade em transformação. Esta edição conta com a brilhante tradução do poeta Ivo Barroso, uma introdução do jornalista José Nêumanne e um posfácio do crítico literário Alfredo Bosi. A obra traz também uma apresentação do escritor António Lo­bo Antunes inédita no Brasil.
 
Reedição da mais importante antologia de poesia brasileira da década de 1970, que completa 45 anos.
 
O ano é 1976. Em meio à censura e à repressão da ditadura, numa época batizada por Zuenir Ventura de “vazio cultural”, a professora e escritora Heloisa Buarque de Hollanda publicou uma antologia que causou furor. 26 poetas hoje trazia a atmosfera coloquial e irreverente que conflagraria a década de 1970, também chamada de geração mimeógrafo ou geração marginal. Eram poetas que estavam à margem do circuito das grandes editoras e que produziam seus livros de maneira artesanal, em casa, em pequenas tiragens vendidas em centros culturais, bares e nas portas dos cinemas. Ao reunir poetas que engrossavam o caldo da contracultura, o livro foi uma resposta direta aos anos de chumbo e se tornou um clássico da poesia brasileira, referência incontornável para escritores e leitores de poesia. Participam: Francisco Alvim, Carlos Saldanha, Antônio Carlos de Brito, Roberto Piva, Torquato Neto, José Carlos Capinan, Roberto Schwarz, Zulmira Ribeiro Tavares, Afonso Henriques Neto, Vera Pedrosa, Antonio Carlos Secchin, Flávio Aguiar, Ana Cristina Cesar, Geraldo Eduardo Carneiro, João Carlos Pádua, Luiz Olavo Fontes, Eudoro Augusto, Waly Salomão, Ricardo G. Ramos, Leomar Fróes, Isabel Câmara, Chacal, Charles, Bernardo Vilhena, Leila Miccolis e Adauto de Souza Santos.
 
Nova edição de um dos livros mais importantes da obra de Rubem Fonseca.
 
Quando Feliz ano novo foi lançado em 1975, teve sua publicação e circulação proibidas em todo o território nacional um ano mais tarde, sendo recolhido pelo Departamento de Polícia Federal, sob a alegação de conter “matéria contrária à moral e aos bons costumes”. O regime autoritário, que tentava à força encobrir os problemas que compunham a face negra do país, não suportou a linguagem dessa coleção de contos que podem traduzir ficcionalmente a verdadeira fratura exposta do corpo social.
 
A natureza é a matéria-prima deste Livro de pré-coisas, que celebra a conexão entre os seres e o ambiente sem distingui-los por importância, capacidade ou tamanho. A edição traz prefácio de Maria Valéria Rezende e imagens do acervo pessoal do poeta.
 
“Quando meus olhos estão sujos da civilização, cresce por dentro deles um desejo de árvores e aves.” Esses versos tão atuais sintetizam este Livro de pré-coisas. Publicada originalmente em 1985, a obra consolida muitas das características que tornaram Manoel de Barros um dos maiores poetas brasileiros. Entre os traços mais marcantes de sua escrita, estão a já reconhecida singularidade de sua linguagem, que evoca imagens reinventando as palavras, e o rompimento com a lógica do mundo civilizado e com as fronteiras entre a prosa e a poesia. O personagem Bernardo, andarilho que atravessa toda a obra de Manoel, aparece aqui. E ele vem de longe “com sua pré-história” para ciceronear o leitor por esse universo tão rico ― só ele é capaz de aplainar as águas com as mãos ou de assustar o mato. Bernardo, que representa a conexão do homem com a natureza, tem como seu “grande luxo” justamente “ser ninguém”. A natureza, para o poeta, não é um cenário ou uma espécie de reservatório de clichês ― a natureza é, acima de tudo, a matéria-prima de sua poesia.
 
Nova edição de um clássico da literatura brasileira.
 
Este romance apresenta um enredo simples e especial, pois conta as reminiscências de um defunto. Na eternidade, o morto Brás Cubas narra suas memórias fora do tempo. A construção da narrativa é bastante peculiar, por interromper frequentemente o relato com pensamentos e comentários, além de diálogos com o leitor. Publicado em 1881, o livro marca o início do Realismo no Brasil. Além de retratar tipos e cenas comuns da sociedade carioca, uma das características da obra do autor, o narrador também conta sua infância, seus amores – sem idealizações –, suas frustrações, suas diversas tentativas de trabalho e de inventar – uma de suas invenções, o Emplasto Brás Cubas, seria um medicamento capaz de curar todas as doenças do mundo, e foi mais uma de suas frustrações. Marcada pela ironia e pelo pessimismo, a obra não deixa de ter humor e inventividade, a começar pela presença inusitada de um narrador defunto. Narrativa que não entrega tudo de bandeja para o leitor, deixando sempre margem para dúvidas e possibilidades latentes nas entrelinhas, o livro de Machado de Assis é considerado um dos mais famosos e mais importantes romances da literatura brasileira de todos os tempos, Memórias póstumas de Brás Cubas ganha nova edição pela editora Autêntica.

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