Bibelôs ausentes na estante em Uma delicada coleção de ausências, de Aline Bei
Por Douglas Sacramento Aline Bei. Foto: Isadora Arruda No Dicionário Michaelis , uma das definições para o verbete ausência é “a falta do que se supunha existir”. A ausência, ao analisarmos e interpretarmos essa definição dicionarizada, pressupõe que algo existiu, mas desapareceu de uma hora para outra. Contudo, a sensação de falta permanece como uma constante, ou seja, a presença fantasmática continua a se manifestar. É essa a temática de Uma delicada coleção de ausências , livro com que Aline Bei encerra a Trilogia Involuntária. A escritora paulistana foi finalista do Prêmio Jabuti, em 2022, com segundo volume, Pequena coreografia do adeus , e venceu o Prêmio São Paulo de Literatura, em 2018, com o primeiro, O peso do pássaro morto . Mas, antes de entrar no romance, não consigo me afastar — enquanto leitor afetado pela obra — da minha própria experiência. A ausência também marcou minha relação com o livro. Durante a leitura, eu...