O herói de mil faces: a digital de Aristóteles e Campbell no cinema
Por Pilar R. Laguna Poucas questões têm obcecado tanto escritores, roteiristas e dramaturgos quanto o que faz uma história funcionar. O volume de especulação que isso produziu é inegável, e escolas e cursos de escrita continuam a lucrar bastante. Existem inúmeros manuais e guias práticos que ensinam, passo a passo, os segredos da narrativa, tentando resolver algo essencialmente antropológico. Poderíamos negar que a arte de contar histórias acompanha a humanidade desde que recebemos esse designativo? Das pinturas rupestres e canções folclóricas às cartas de amor e à invenção do cinema, é revelador parar e considerar o quanto do que nos rodeia constitui uma história, real ou imaginária. E, ainda mais, como somos capazes de atribuir uma história a coisas que não a possuem — como um encontro entre dois estranhos na rua, um objeto perdido ou uma frase tirada de contexto. As histórias são uma ferramenta essencial para a construção da identidade e, portanto, tanto indivíduos quanto grup...