Bom dia RN, da história de uma foto a uma coleção de livros

Por Pedro Fernandes



1. A foto apresentada acima data de 2006. Eu era quase recém-chegado a Mossoró e ao curso de Letras. Estou à saída do Teatro Lauro Monte Filho, situado na belíssima Praça Vigário Antônio Joaquim. Aqui uma curiosidade: a praça que se situa entre o teatro e a Catedral de Santa Luzia, apesar do nome, abriga um conjunto de estátuas que celebram Dix-Sept Rosado. Sim, a oligarquia está em toda parte. Na foto, não dá para ver as estátuas - é noite e a câmera do celular não faz milagres - mas o conjunto arquitetônico está bem atrás de mim. 

2. Por este ano e desde o ano anterior, 2005, circulava pelo Rio Grande do Norte um ciclo feito de um conjunto de vozes interessado por colocar em órbita discussões acerca das mais variadas manifestações históricas, culturais e literárias potiguares. O nome do projeto de seminários, Bom Dia. Agregou mais de uma centena de professores, jornalistas, intelectuais, políticos, mestres e doutores, pesquisadores, testemunhas e viventes da nossa história.

3. Ao todo, setes seminários: o primeiro sobre o ex-presidente Café Filho, natural do Rio Grande do Norte; o segundo sobre o Padre João Maria, figura integrada ao imaginário místico-religioso do estado; os 70 anos da Intentona Comunista foi tema do terceiro encontro; depois, uma leitura sobre os sertões e suas representações em materiais diversos, incluindo a literatura e as artes plásticas; o quinto evento sublinhou o cinquentenário de publicação de Literatura Oral, do folclorista Luís da Câmara Cascudo; em seguida, a discussão sobre os traços do modernismo; e, por fim, uma visita aos itinerários do nosso processo de colonização e suas implicações na nossa formação.

4. Desse ciclo de vozes, tive o mérito de participar de dois momentos - Bom dia: Literatura oral e Bom dia: América de 500 anos. Em Mossoró, esses seminários foram no referido Teatro Lauro Monte Filho. Na foto, estou à saída de uma tarde no primeiro deles.

5. Agora, todas as falas que integraram esses eventos se materializaram em textos escritos e aparecem numa coleção de grande primor e indispensável àqueles que se interessam por suas raízes ou simplesmente tem sede por assuntos pouco tocados nas rodas acadêmicas do Estado. São sete volumes que trazem os textos correspondentes aos sete encontros.

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