Biblioteca Mindlin - Um mundo em páginas



José Mindlin. Apaixonado pelos livros, o jornalista, advogado e empresário reuniu, em mais de 80 anos de garimpagem, quase 40 mil títulos e raridades de valor inestimável, além de uma rara e rica coleção de gravuras, a única que se tem notícia no Brasil.


O filme-documentário já teve em cartaz na TV Brasil e na TV Escola. Trata-se de um filme que antes de servir ao registro de uma das personalidades mais significativas para a cultura do livro no Brasil é um gesto de homenagem ao bibliófilo José Mindlin e que depois de ser homenagem é um gesto de beleza artística em que dialogam num mesmo território mundos diversos, vozes diversas. E exala e pulsa, sobretudo, literatura.

Sob direção de Cristina Fonseca, o filme conta a história de José Mindlin e de sua fantástica biblioteca de livros raros, uma das maiores e mais importantes bibliotecas particulares do Brasil e da América Latina, dando foco a preciosidades inestimáveis que dão conta da formação histórica e literária no país. Apaixonado pelos livros, o jornalista, advogado e empresário reuniu, em mais de 80 anos de garimpagem, quase 40 mil títulos e raridades de valor inestimável, além de uma rara e rica coleção de gravuras, a única que se tem notícia no Brasil.

O documentário foi gravado em três países diferentes - Brasil, França e Portugal. Discute a questão do livro e sua história, o modernismo literário brasileiro, com ênfase para a proximidade de Mindlin com escritores como Mario de Andrade, Carlos Drummond de Andrade, Guimarães Rosa, Graciliano Ramos, João Cabral de Melo Neto, as vanguardas literárias do Brasil e da França, do Concretismo e do livro objeto e ainda a relação do livro com o cinema e com a música.

Vi esse filme também como uma rica peça de arte ou um poema imagético, tão rico quanto os poemas do concretismo, tecido por um coro de vozes que se entrecruzam e criam uma espécie de livro eletrônico que conta, através da biblioteca e suas obras, um pouco da própria história do livro. A oralidade, representada pela literatura dos Índios Xavantes, desemboca na invenção de Gutenberg e finda nas últimas experiências mais radicais na área, como a informática.

Do coro de vozes destacam-se a do próprio bibliófilo José Mindlin, a da cantora Maria Bethânia, a do Nobel de Literatura José Saramago, a do roteirista Jean Claude Carrière, a do poeta Haroldo de Campos, além dos intelectuais Antonio Candido, Arlindo Machado e Boris Schnaiderman. Um exercício de ver, vê-se, indispensável!


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