Preencha o formulário para participar da promoção. Se você não chegou aqui pelo Facebook, não deixe de findar sua inscrição cumprindo o restante do regulamento desta promoção.

72 horas, de Paul Haggis

Por Pedro Fernandes

Russell Crowe em cena de 72 horas. Às  vezes construir uma realidade paralela pode dar melhor sentido à vida.


Onde reside os limites do real? Onde reside os limites da ficção? Onde reside os limites do amor? São todas perguntas que 72 horas é capaz de nos suscitar. E a resposta para todas elas é a de que não há limites. Ou se há somos nós quem os fazemos.

Para quem foi ao cinema às cegas, sem nada ter visto ou lido sobre o filme encara os primeiros minutos da narrativa com o princípio de mais um daqueles dramas de perdas e que se prolongam por cenas e cenas de lutas na justiça e blá-blá-blá.

Mas, engana-se. A cena seguinte já troca a rotina pelo imprevisto e enche a tela de porrada. Acusada de assassinato, Lara é levada pela polícia enquanto John mal consegue conter o desespero de seu filho de três anos que, assustado com a invasão, só consegue chorar. Eis aí mais uma impressão falsa.

A princípio acharemos esse John com cara de sujeito acomodado, preso a sua rotina de professor. Julgamento mal feito. Ele será capaz de construir um mundo próprio para si; fabricar uma realidade e cair com todas as forças possíveis para provar a inocência de sua esposa.

Daí carregam-se no telespectador as válvulas do suspense. No papel do homem comum que toma atitudes extremas essa personagem migra dos estágios de esperança que o plano de resgate da sua mulher dará certo aos estágios de depressão e desespero.

A troca do que poderia ser um drama barato do início do filme perde-se nessas alterações de estágios de humor da personagem, na feitura e desfeitura constante de seus planos e junto com ela prendemo-nos na cadeira a julgar, uns, de louco e, outros, a torcendo por um desfecho feliz.

Pelo correr das horas, vale a pena ficar suspenso por alguns minutos e entender a movimentação dos nossos próprios limites. Eles não existem, nós somos quem os fazemos.


Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Os segredos da Senhora Wilde

11 Livros que são quase pornografia

Os muitos Eliot

Uma entrevista raríssima com Cora Coralina

Além de Haruki Murakami. Onze romances da literatura japonesa que você precisa conhecer

Boletim Letras 360º #308

Boletim Letras 360º #309

As melhores leituras de 2018 na opinião dos leitores do Letras

A necessidade humana de expressão artística – parte I

Os melhores de 2018: prosa