O dom do crime, de Marco Lucchesi



Não bastasse a dúvida imortal que continua mobilizando os leitores de Dom Casmurro, se Capitu traiu ou não Bentinho, eis que chega às livrarias um livro que bem pode instaurar outra indagação: afinal, as personagens do enlace amoroso construído por Machado de Assis teriam existido fora da ficção? 

Trata-se de O dom do crime, o novo livro do escritor Marco Lucchesi. Esta é sua primeira incursão pela prosa; até agora, conhecíamos o poeta, o ensaísta e o tradutor. Tal como apresentado na sinopse divulgada pela casa editorial responsável pela publicação, o escritor “mistura prosa e poesia, numa linguagem que encanta e hipnotiza”.   

O ponto de partida do livro é uma acontecimento situado no Rio de Janeiro de 1866: o médico-cirurgião José Mariano da Silva matou a esposa Helena por suspeita de adultério e se defendeu, como era legal no seu tempo, utilizando-se do argumento de defesa da honra. O fato é suficiente para que Lucchesi trace um paralelo com uma das obras mais conhecidas do Bruxo do Cosme Velho.

Mas, calma! Tudo aqui ainda são ficções. O dom do crime é apenas um romance. Como informa a mesma sinopse da editora Record, “os dados de ordem informativa, factual, foram longamente pesquisados e comprovados, em papel velho e fontes congêneres”, mas “tudo passou pelo crivo de Lucchesi. Mas, para além disso, o romance traz uma flutuação permanente entre literatura e documento, história e ficção”.

Certamente, um desses livros que busca seduzir o leitor pela boa construção de um enredo e pelo uso preciso da verossimilhança. 
 


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