Jorge Luis Borges na web


Por Pedro Fernandes

O escritor pelas lentes da fotógrafa italiana Paola Agosti.


Quero antes dizer que sou um analfabeto na obra de Jorge Luis Borges. Sim, alguém que leu apenas alguns contos ou poemas perdidos numa vasta obra como é a desse senhor não me faz seu leitor. Além do que, precisaria ler pelo menos um terço daquele que se disse melhor leitor que escritor.

A biblioteca de Borges é uma Babel. E devo levar uma longa vida — que os céus me leia — na assídua leitura. E um dia poderei me aproximar daquilo que foi a biblioteca do escritor argentino, que, pelo pouco que sei, é generosa em proporções e formas. 

O que me faz repetir isso não é acrescentar um ponto na ladainha que a crítica laudatória desenvolve em torno do seu nome. Nem quero reverenciar o mito de complexo, labiríntico. E sim sublinhar o estranhamento que tive quando me deparei pela primeira vez com um texto de Borges. 

Foi “Pierre Menard, autor do Quixote”, do livro Ficções, conto originalmente publicado em maio de 1939 na revista Sur. Com a leitura desse texto, atravessei o mesmo estranhamento (ou seria espanto?) de quando li pela primeira vez algo da obra de José Saramago, João Guimarães Rosa ou Clarice Lispector.

Estranhar-se ou espantar-se é o sentimento ideal para despertar a minha voz interior que, repete, de imediato: é possível que estejas diante da obra de um grande escritor.

E para dizer que não esqueci o aniversário de Jorge Luis Borges, que até o Google homenageou num tosco desenho do seu Doodle, tão bem criticado por José Mário Silva (Bibliotecário de Babel) posto aqui atalho para um interessante achado da web, uma descoberta recente, diga-se.

Borges poeta. Neste áudio, dois textos lidos pelo próprio. Vale a pena ouvir. 
 

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