O que é a poesia?

Apolo e as musas.

A pergunta assim posta não é tão fácil de responder. Pelo menos com o mesmo nível de sintetismo que a indagação é feita. Em torno da pergunta, quaisquer poeta ou crítico literário já terá se debruçado à cata de uma resposta. E, acreditem: por mais estapafúrdias que possam ter sido as respostas, como as que insistem em negar a existência da poesia ou as que vêem a sua presença em quaisquer coisa, todos estão certos. Tudo passa pelo lugar que assumimos na leitura do mundo. O que estou antecipando, com isso, é que um conceito fechado para o que é poesia é, necessariamente, uma visão particular que indivíduo tenha da existência. Ou como há dito Victor Hugo: "um poeta é um mundo preso num homem". Isso a coloca como eternidade, cujo princípio, meio e fim têm um sentido inesgotável em si própria. 

Que faríamos sem a poesia? Viveríamos do mesmo modo? Os céticos dirão que sim; os que têm alguma crença sobre a existência dirão que melhor nem pensar. Como me situo no segundo grupo, prefiro recordar aqui o que hão dito alguns poetas, começando por T. S. Elitot: "A poesia não é uma liberação das emoções, senão a escapatória delas; não é uma expressão da personalidade, senão uma evasão da dita personalidade." Assim entende Eliot sobre esse mistério da imaginação feito das emoções e sonhos e convertido em vozes, imagens ou palavras que todas as pessoas num dado momento criam e nos fazem sentirmo-nos especiais. Sim, porque o domínio pleno sobre a linguagem, o trabalho árduo sobre a palavra prefigura meio dado somente àqueles que concebem a linguagem como morada do ser: o poeta.

Como, então, reconhecer(se) poeta? Carlos Drummond de Andrade disse certa vez: "Entendo que poesia é negócio de grande sensibilidade, e não considero honesto rotular-se de poeta quem apenas verseja por dor-de-cotovelo, falta de dinheiro ou momentânea tomada de contato com as forças líricas do mundo, sem se entregar aos trabalhos cotidianos e secretos da técnica, da leitura, da contemplação e mesmo da ação." Ainda sobre a poesia, Frederico García Lorca: "Todas las cosas tienen su misterio, y la poesía es el misterio que tiene todas las cosas". O poeta então, é aquele agraciado com o exercício pleno não somente sobre o reino da linguagem, mas com o exercício pleno sobre os mistério das coisas. Seu trabalho é silencioso porque lida com os movimentos secretos do mundo, com o que está sob a camada palpável.

Walt Whitman assim adverte: "Um grande poema não é o fim para um homem ou para uma mulher, mas bem o princípio". "La poesía es un arma cargada de futuro" - inteira Gabriel Celaya, ao que Derek Walcott completa: "Um poema é um debate com Deus, e me imagino que Ele entende isto."



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texto composto por notas e transcrições de partes do original "Qué es la poesía", de Winston Marinque Sabogal para o blog Papeles Perdidos.


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