Boletim Letras 360º #237

Estamos online com uma nova edição do Boletim Letras 360º, ocasião para revermos quais foram as novidades compartilhadas durante a semana em nossa página no Facebook. 



Segunda-feira, 18/09

>>> Brasil: Vem aí a obra de Liudmila Petruchevskaia

A partir de 2018, os leitores brasileiros poderão ter acesso à literatura de Petruchevskaia em português. A Companhia das Letras, informa a Folha, comprou os direitos de Era uma vez uma mulher que matou o filho da vizinha (título provisório). Uma mulher dá por si a tapar um buraco a meio da noite numa floresta; uma família tranca-se no quarto de forma a combater uma estranha epidemia; um feiticeiro castiga duas belas bailarinas transformando-as numa grotesca performer circense; um coronel é avisado para que não levante o véu da face da sua falecida esposa; e um perturbado pai consegue ressuscitar a filha devorando corações humanos nos seus sonhos. São contos de humor negro, repletos de vinganças, mortes perturbantes e melancolia que estão no livro de uma escritora então considerada um dos grandes nomes da literatura russa contemporânea. No Brasil, apenas um texto da escritora teve publicação na Nova antologia do conto russo, editada pela Editora 34. Petruchevskaia foi perseguida durante o stalinismo e só teve suas peças e livros liberados a partir dos anos 1980; nesse tempo ganhou a vida como cantora.

>>> Uma caixa reúne uma seleção com o melhor da obra de Vinicius de Moraes

Há alguns a editora Companhia das Letras ganhou os direitos de publicação da obra do poeta. Mas, a Nova Fronteira, autora do projeto que agora ganha forma, tinha um contrato para a publicação de uma antologia que é anterior ao da concorrente. A edição organizada pelo poeta Eucanaã Ferraz reúne em dois volumes poesia, prosa, música e teatro - uma alternativa de entrada ao amplo e multissignificativo universo de Vinicius de Moraes.

Terça-feira, 19/09

>>> Estados Unidos: Trabalham numa adaptação de Stoner, de John Williams

Dirigido por Joe Wright, produzido pela Blumhouse Productions de Jason Blum e com Casey Affleck, o ganhador do Oscar pela atuação em Manchester by the Sea, no elenco. A obra, que será adaptada pelo roteirista Andrew Bovell, acompanha meio século da trajetória emocionante de William Stoner, um pobre agricultor que se torna professor universitário por causa da sua paixão pela literatura. O romance não foi um sucesso quando foi publicado pela primeira vez, mas seus méritos literários foram redescobertos no início dos anos 2000, com a revista The New Yorker o chamando de “o maior romance americano que você nunca ouviu falar”. No Brasil, "Stoner" foi editado pela Rádio Londres. A produção ainda não tem data de estreia.

>>> Brasil: Reedição de Eles não usam black-tie, de Gianfrancesco Guarnieri

Este é um texto que sempre obteve excepcional êxito onde quer que seja encenado, tendo ganhado vários prêmios em sua versão cinematográfica, marcou o início do que pode ser chamado “o teatro novo brasileiro”. A peça parte, sem dúvida, de uma visão de mundo romântica. Pressupõe uma série de valores básicos, imutáveis, através dos quais os problemas surgem, fazendo estourar conflitos em que os homens se debatem. Por outro lado, a peça apresenta muitos aspectos da realidade brasileira, fornecendo considerável material para reflexões. As personagens, nascidos de contato direto com o ambiente, estão exemplarmente delineados. Principalmente Romana e Tião. A introdução de uma temática urbana, o conflito de classes, a atuação política de Otávio, o problema fundamental de Tião, são aspectos positivos que contribuem para o desenvolvimento da nova dramaturgia brasileira. A obra ganha reedição pelo selo Civilização Brasileira.

>>> Brasil: Uma nova edição para A divina comédia

Este é um dos maiores clássicos da literatura universal. Escrito no século XIV, o poema épico de Dante Alighieri é considerado também um dos textos fundadores da língua italiana. Nele, o escritor apresenta uma jornada inesquecível pelo tormento infinito do Inferno e a árdua subida da montanha do Purgatório até o glorioso reino do Paraíso. Dante conseguiu fundir sátira, inteligência e paixão em uma alegoria cristã imortal sobre a busca da humanidade pelo autoconhecimento e pela transformação espiritual. A Nova Fronteira apresenta em três volumes acondicionados numa caixa a clássica tradução de Xavier Pinheiro. A obra reproduz as belíssimas ilustrações de Gustave Doré e ainda o estudo introdutório de Otto Maria Carpeaux.

Quarta-feira, 20/09

>>> Brasil: Uma caixa reúne três volumes em capa dura de três obras clássicas de Jean-Paul Sartre

As traduções de Sérgio Milliet são publicadas agora pela Editora Nova Fronteira. A trilogia Os caminhos da liberdade descreve a penosa trajetória do homem que abandona a sua individualidade para engajar-se nas questões mais urgentes que o cercam: em A idade da razão, ele começa a tomar verdadeira consciência de si mesmo; em Sursis, parte para a descoberta do outro; e Com a morte na alma culmina no abraço a uma causa social extrema: a guerra.

>>> Portugal: A editora de Inês Pedrosa

A escritora portuguesa criou a Sibila, um nome que homenageia as personagens femininas desde a mitologia greco-romana a Agustina Bessa-Luís. Os primeiros quatro títulos já estão escolhidos e pertencem à Coleção Mulheres de Palavra. O cartão-de-visita é um ensaio da autora líbia Joumana Haddad, intitulado Eu matei Xerazade. Confissões de uma mulher árabe em fúria, que sai no próximo mês. Logo em seguida, acontece uma importante reedição, com dois textos inéditos, o esgotadíssimo volume de reportagens de autoria de Maria Antónia Palla, Só acontece aos outros. No início de 2018, será a vez da prêmio Nobel italiana de 1926, Grazia Deledda, com o texto Depois do divórcio, um livro também desaparecido das livrarias há muito. O quarto trata-se de uma outra reedição, o Mundo novo, de Ana de Castro Osório, uma importante feminista da I República. A coleção com que a Sibila Publicações dá início à sua existência tem a particularidade de estar voltada para mulheres romancistas e ensaístas, deixando de parte por enquanto - e pelos primeiros tempos - os autores homens.

Quinta-feira, 21/09

>>> Portugal: O Curso conimbricense, obra de referência, escrita em latim e publicada pelos anos de 1600, vai ser traduzida e editada, em 20 volumes, pela Universidade de Coimbra

Escrito em "difícil e denso latim filosófico", que "muito poucos estudiosos contemporâneos conseguem consultar", o "Curso conimbricense", editado há mais de 400 anos (entre 1592 e 1606), vai ser traduzido para português e publicado numa edição bilingue latim-português e numa versão em inglês. O anúncio foi feito pelo reitor da UC. O projeto, que João Gabriel Silva prevê demore "dois a três anos", envolve a colaboração de especialistas, liderada pelos professores Mário Santiago de Carvalho, Sebastião Pinho e Margarida Miranda. O "Curso conimbricense" consiste "num muito detalhado comentário das obras de Aristóteles, que constituíam na altura a base do ensino universitário em toda a Europa" e foi "adotado em todo o universo jesuíta e muito para além dele". "Estudaram por ele filósofos como Descartes, Espinosa, Locke, Leibniz, Hobbes e Peirce", frisou; foi uma obra de "expansão planetária", sustentou o reitor, indicando que ela também foi traduzida para mandarim e para japonês e que há notícia de que também existiram versões em tâmil, na Índia e no Sri Lanka, e que foi geral o seu uso no Brasil e frequente na restante América Latina. "A condição de obra de referência" do Curso conimbricense manteve-se até "muito tarde", de tal modo que Karl Marx a considerou precisamente "de referência" para "a interpretação de Aristóteles", na sua dissertação de doutoramento, em 1839 (dois séculos e meio depois, portanto, da sua publicação inicial).

>>> Brasil: Uma obra que reúne o teatro completo de Nelson Rodrigues

São 17 peças que escreveu ao longo de quase quarenta anos e revolucionou o teatro brasileiro. Sua escrita polêmica e inovadora abalou os alicerces da nossa sociedade, dividindo opiniões, provocando intensos debates e tornando o teatro brasileiro conhecido internacionalmente. Dividida em dois volumes, esta edição segue a organização estabelecida pelo crítico Sábato Magaldi, em meados de 1980, sob a supervisão do próprio Nelson. Uma caixa preparada pela Nova Fronteira reúne dois livros: no primeiro, peças psicológicas e peças míticas; no segundo, tragédias cariocas. Os livros contam ainda com um caderno de fotos de montagens históricas e textos críticos do próprio Nelson Rodrigues.

>>> Brasil: A Rádio Londres reapresenta Minotauro, romance do escritor Benjamin Tammuz

No dia de seu quadragésimo primeiro aniversário, Alexander, um agente secreto em plena crise existencial, avista, em um ônibus de Londres, uma garota com a metade de sua idade e logo a reconhece como a mulher que vem procurando por toda a sua vida. É o começo de uma obsessão que leva o homem a usar seu fascínio e todas as técnicas de sua profissão para interferir na existência da jovem, comunicando-se com ela exclusivamente por cartas. As vidas de quatro pessoas se encontram e se entrelaçam neste grande romance, híbrido originalíssimo de spy novel e reflexão existencial, formando um enredo intrincado e cheio de suspense que cativa o leitor desde a primeira linha e o conduz lentamente até o culminante final. A tradução é Nancy Rozenchan.

Sexta-feira, 22/09

>>> Brasil: O primeiro volume dos diários de Ricardo Piglia

Já havíamos anunciado que a Editora Todavia iria trazer esta novidade. Eis então Anos de formação. Os diários de Emilio Renzi. Em 1957, o adolescente Ricardo Emilio Renzi Piglia, morador de uma cidade nas cercanias de Buenos Aires, começou a escrever um diário. A princípio não parecia haver muita coisa para contar. Pequenas anedotas de família, a descoberta do amor, o cotidiano tedioso da Argentina do seu tempo, as primeiras grandes amizades, o entusiasmo pelos livros. Nos dez anos cobertos pelo volume, tempo decisivo entre o ingresso na universidade e a publicação de seu primeiro livro, "A invasão", Piglia abraçou o anarquismo, se viu às voltas com algumas namoradas (que o despedaçaram emocionalmente) e, sobretudo, fez da leitura um ato criativo e da escrita uma forma de leitura mais potente. Também aparecem as bebedeiras, as longas caminhadas por uma Buenos Aires repleta de cafés e livrarias, o cinema (Godard e James Bond), Jorge Luis Borges, a política. Tudo reconstruído com a mão segura de um grande ficcionista. Estes diários (que podem ser lidos como um monumental romance de formação) são escritos por Emilio Renzi, alter ego que Ricardo Piglia elegeu em diversos livros para dar voz às suas obsessões. É a história de um artista quando jovem tentando encontrar o seu lugar no mundo, entre erros e acertos. Um livro central para o nosso tempo, escrito numa prosa altamente literária que não abdica da discussão de ideias, do prazer do texto e da imaginação mais poderosa.

>>> Brasil: Uma nova caixa reúne o melhor do teatro de William Shakespeare

A edição é da Nova Fronteira e organizada pela professora Liana de Camargo Leão, especialista e pesquisadora da obra de Shakespeare. A tradução: da consagrada ensaísta e crítica de teatro Barbara Heliodora. São três volumes: no primeiro, as peças mais icônicas no gênero que o consagrou, a tragédia: "Romeu e Julieta", "Hamlet", "Otelo", "O mouro de Veneza" e "Macbeth". Já o segundo volume é dedicado às comédias: "A megera domada", "Sonho de uma noite de verão", "O mercador de Veneza", e "A tempestade". E no volume que encerra esta seleção as peças históricas: "Ricardo III", "Ricardo II", "Júlio César" e "Antônio e Cleópatra".

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