Boletim Letras 360º #441

DO EDITOR
 
1. Caro leitor, aqui estão as notícias que circularam nos últimos dias na página do Letras no Facebook e a atualização das demais seções deste Boletim, com outras dicas de leituras e informações.
 
2. Nossa campanha para arrecadar fundos para cobrir despesas com o domínio e a hospedagem do Letras na web, continua (há informações aqui no Facebook e aqui no  Instagram.)
 
3. A todos que acompanham o blog e de alguma maneira ajudaram até agora, muito obrigado! E, obrigado sempre, pela companhia!

Patricio Pron. Foto: Jeosm. 


 
LANÇAMENTOS

Uma antologia para recolocar a obra de Olga Savary em circulação.
 
Olga Savary não foi uma, mas várias: a poeta movida pela natureza do Pará, seu estado natal; a praticante de haicais; a autora dividida entre a carne e a imaginação. Esta antologia cobre toda a carreira da escritora, apresenta de forma panorâmica todas as suas múltiplas vertentes e oferece uma nova porta de entrada para uma obra potente e significativa. O livro coloca novamente uma autora imprescindível em cena. Dessa vez, para nunca mais desaparecer. A antologia Coração subterrâneo é publicada pela editora Todavia.
 
O retorno de Aldous Huxley ao Admirável mundo novo.
 
Quase trinta anos após lançar sua obra-prima e um dos monumentos da ficção científica, Aldous Huxley retorna ao seu Admirável mundo novo. Neste livro, Aldous Huxley se propõe a avaliar as previsões de sua obra original e trata sobre ameaças à humanidade, tais como a superpopulação, a manipulação genética e psicológica, o uso de drogas prescritas como forma de controle social, e a ascensão de regimes autoritários. Huxley compara sua distopia com a de George Orwell, de quem fora professor, e coloca lado a lado acertos e erros de ambas. Alguns dos temas de seu Admirável mundo novo permanecem atuais e urgentes neste seu Retorno, publicado em 1958. São assuntos que ainda repercutem em nosso tempo, como o reforço positivo de comportamentos e a flexibilização da noção de verdade. E de que forma atuam as redes sociais senão como reforços de boa conduta e espaço para veiculação de mensagens falsas? Ao lançar questões para o futuro, propõe que as nações devem educar seus cidadãos para a liberdade, sob risco de caírem na mão de ditaduras. A nova edição traz notas que contextualizam dados e informações do texto original, e um posfácio escrito por Carlos Orsi, pesquisador do Instituto Questão de Ciência, que contextualiza o exercício especulativo de Huxley e também propõe debates para o nosso tempo, como a manipulação emocional da publicidade, a tecnologia a serviço do controle total, e o efeito de hipnose das redes sociais. A tradução é de Fábio Fernandes. E o livro é publicado pela Biblioteca Azul / Globo Livros.
 
Novo livro no catálogo da editora Mundaréu é da escritora romena Tatiana Ţîbuleac.
 
Aleksy sempre recordará aquele verão que passou sozinho com sua mãe em um vilarejo francês, mesmo muitos anos depois. Quando ela foi buscá-lo no instituto, seu ódio, rancor de desprezo por ela o impediam de sequer imaginar que poderia ser um verão marcante, muito menos que ódio, desprezo e rancor pudessem ter outras formas. A força narrativa de Tatiana Ţîbuleac se propõe a desvelar camadas após camadas nas relações familiares, em um testemunho inusitado da hipossuficiência e relevância das relações entre mãe e filho, sem concessões a convenções ou sentimentalismos. O verão em que mamãe teve olhos verdes é traduzido por Fernando Klabin e tem prefácio de Silvia Naschenveng.
 
Cinco ensaios do filósofo húngaro György Lukács sobre Goethe.
 
Goethe e seu tempo é décima obra da coleção Biblioteca Lukács editada pela Boitempo. O livro traz um conjunto de cinco ensaios do filósofo húngaro escritos durante a década de 1930 e dedicados à obra de Johann Wolfgang von Goethe. Considerado um dos pontos culminantes da literatura humanista burguesa, Goethe tem sua trajetória esmiuçada e contraposta à de outros contemporâneos seus, em uma análise engajada do grande romance moderno e de seu conteúdo progressista. Os dois primeiros textos tratam de obras específicas de Goethe e sua construção, ao passo que os três seguintes discutem o contexto social e literário no qual o escritor estava imerso, propondo percepções originais a respeito das motivações, contradições e desafios enfrentados por sua obra.  A tradução é de Nélio Schneider com a colaboração de Ronaldo Vielmi Fortes.
 
Peça de Oduvaldo Vianna Filho sintetiza as dificuldades do engajamento político, as disputas em torno das diferentes correntes estéticas e os dilemas éticos e materiais enfrentados pela esquerda brasileira a partir da ruptura institucional de 1964.
 
Escrito em 1965, este texto traz à cena os embates do protagonista Lúcio Paulo com os demais integrantes de um coletivo teatral do qual participa. Além das disputas por protagonismo, dos conflitos amorosos e dos desentendimentos políticos e estéticos entre os membros do grupo, a peça retrata os embates do jovem com seu pai, Cristóvão, um funcionário público que, aborrecido com os frequentes pedidos de empréstimo por parte do filho, o pressiona a trabalhar em um escritório de advocacia, no qual se forjam atas de assembleias que sequer ocorreram. Concebida por meio de frequentes cortes sequenciais, quase cinematográficos, Moço em estado de sítio sintetiza as dificuldades do engajamento político, as disputas em torno das diferentes correntes estéticas e os dilemas éticos e materiais enfrentados pela esquerda brasileira a partir da ruptura institucional de 1964, com o advento do golpe civil-militar, antecipando elementos de peças posteriores de Oduvaldo Vianna Filho, como Mão na luva e Rasga coração. A peça é publicada pela Temporal Editora.
 
A fabulação lado a lado com o ensaio no livro de Juliano Garcia Pessanha.
 
Escrito com mão levíssima, alternando humor, melancolia e uma aguda meditação sobre os grandes temas que nos movem ao longo das fases da vida, este é um romance híbrido, em que a fabulação vem lado a lado com o ensaio, e a observação das paixões humanas está a par com um repertório vasto a respeito das maiores discussões da filosofia. E, de quebra, uma cachorrinha serve de inusitada plateia para discussões sobre Heidegger. O filósofo no porta-luvas, de Juliano Garcia Pessanha é publicado pela editora Todavia.
 
Coletânea reúne contos clássicos da literatura russa juvenil do fim do século XVIII ao início do XX.
 
A primeira escritora para os pequenos russos foi ninguém menos que Catarina II. Nada mais historicamente justo do que começar nossa viagem por seu “Conto do tsarévitche Cloro”, que, com elementos universais e folclóricos, tornou-se um dos mais conhecidos textos da imperatriz. Seguindo a trilha dos contos populares, estão Nikolai Leskóv, com um relato embebido de cultura russa, e Fiódor Sologub, com um conto maravilhoso para jovens. Lidas e relidas por gerações de russos, as histórias tocantes de “Mumu”, de Ivan Turguêniev, e “Vanka” e “O fugitivo“, de Anton Tchékhov, desvelam fraturas sociais. Impressionado com os dois contos de Tchékhov, Lev Tolstói os lia em voz alta para seus filhos, sendo ele mesmo um dedicado escritor para a infância e a juventude. No seu cinematográfico “O prisioneiro do Cáucaso“, acompanhamos o clássico embate entre russos e tchetchenos ou entre colonizadores e colonizados. Dois admiradores confessos de Tchékhov aparecem também com textos de viés social: Lídia Avílova, que, atenta ao universo infantil, descreve o primeiro dilema ético de uma criança, e Aleksándr Kuprin, que narra a amizade entre uma menina e um elefante e a vida dura de uma trupe de saltimbancos. A autora que mais causava sensação entre jovens russas do início do século XX, Lídia Tchárskaia, retrata protagonistas femininas com delicadeza em “A prova” e “A mãe”. Na vertente mais lúdica do livro, Odóievski encanta com uma viagem fantástica através de um caixinha de música, e Sacha Tchórny e Daniil Kharms anunciam o mundo contemporâneo com textos inventivos, cheios de graça e humor. As histórias nos fazem rir e chorar, nos levam para reinos distantes, para a costa da Crimeia, para as montanhas do Cáucaso, para as mais diversas paisagens imaginadas por artistas russos tão diversos quanto talentosos. Com tradução de Irineu Franco Perpetuo, Moissei Mountian e Tatiana Larkina, o livro organizado por Daniela Mountian é publicado pela editora Kalinka.
 
Juntas duas obras-primas de Arthur Rimbaud.
 
Esta edição reúne as duas obras-primas rimbaudianas: Um tempo no inferno (1873) — a única obra que o autor publicou em vida, numa tiragem pequena, em parte financiada por sua mãe — e Iluminações, com textos escritos até 1875, estão entre os pontos mais altos do poema em prosa. E vão além disso: parecem ora anunciar a autoficção, ora grandes autores da modernidade, como André Breton, James Joyce, Andrei Biéli e Samuel Beckett. A tradução é de Júlio Castañon Guimarães e o livro é publicado pela editora Todavia.
 
Uma espécie de arca que recolhe alguns dos livros censurados ou apreendidos na ditadura civil-militar brasileira.
 
Cadernos do povo brasileiro, de Leila Danziger, é uma espécie de arca que recolhe alguns dos livros censurados ou apreendidos na ditadura civil-militar brasileira, associando-os aos rostos, rastros e nomes dos que foram vítimas da violência de Estado, não apenas sob os governos militares, mas também, recentemente, nas periferias das grandes cidades. A publicação apresenta uma versão da instalação Perigosos, subversivos, sediciosos (Cadernos do povo brasileiro), realizada pela artista em 2017 para a mostra coletiva “Hiatus: a memória da violência ditatorial na América Latina”, apresentada no Memorial da Resistência, em São Paulo, com curadoria de Márcio-Seligmann-Silva, professor da UNICAMP e autor de um dos ensaios do livro, que conta também com um texto de Luiz Cláudio da Costa, orelha de Marisa Flórido César e uma breve apresentação de Leila Danziger. O título da publicação faz referência a uma coleção publicada pela Civilização Brasileira, no início da década de 1960. A editora de Ênio Silveira foi uma das mais atingidas pela censura no Brasil. Cadernos do povo brasileiro, de Leila Danziger, é publicado pela Relicário Edições.
 
Um dos principais poetas de sua geração, Francisco Malmann se lança em narrativa mais longa para contar com humor e desespero o fim de um relacionamento.
 
É impossível atribuir a uma etiqueta a Tudo o que leva consigo um nome, de Francisco Mallmann. É poesia, novela ou performance? A voz que marca todo o livro é de um homem, de uma mulher ou de uma pessoa não binária? Esse é um livro atravessado pelo amor ou pelo ódio? É uma comédia ou um drama? Trata-se de política ou de algo mais trivial? Em vez de se fixar em um único caminho, Mallmann nos mostra as várias possibilidades da linguagem, com fluidez e sensibilidade. O Estado de S. Paulo afirmou sobre o poeta: “Seus textos são sintomas das dores coletivas.” Mallmann, que transita entre escrita, performance, artes visuais e teoria, ganhou notoriedade no Instagram com suas bandeiras, que estampam versos como “AMÉRICA/É MARICA”. Seu primeiro livro, Haverá festa com o que restar, recebeu o terceiro lugar do Prêmio da Biblioteca Nacional e foi finalista dos prêmios Rio de Literatura e Mix Literário. Tudo o que leva consigo um nome é um livro leve e ao mesmo tempo profundo. Ideal para todas as pessoas que não têm medo de atravessar fronteiras e amam uma boa história. O livro é publicado pela editora José Olympio.
 
Nova edição da coletânea de contos de um dos mais notáveis militantes do movimento negro brasileiro, com prefácio de Mário Augusto Medeiros da Silva e ilustrações de Marcelo D'Salete.
 
Publicado pela primeira vez em 1972, O carro do êxito é o único livro de contos de Oswaldo de Camargo, um dos mais notáveis intelectuais negros do século XX. A obra apresenta uma perspectiva pouco usual na literatura brasileira: personagens negros não apenas na luta, mas no triunfo. O título — alusão ao poema de Mário de Andrade, “O carro da miséria” — é uma prévia de histórias que retratam o negro descobrindo que “é possível ser na vida, apesar dela”, como afirma o sociólogo Mário Augusto Medeiros da Silva no prefácio desta edição. As catorze narrativas reunidas neste volume, que conta com ilustrações de Marcelo D'Salete, mesclam a ficção e as experiências do escritor, tendo como pano de fundo a vida urbana em São Paulo. O leitor é levado por Camargo — e Lírio da Conceição, um dos personagens que perpassam a coletânea — a um orgulhoso passeio pelas redações da chamada Imprensa Negra, pelos eventos da Associação Cultural do Negro e por diálogos essenciais sobre raça e identidade. Esta nova edição recupera o trabalho de Oswaldo de Camargo iniciado nos anos 1970, com questões incontornáveis como negritude, militância e representação, e prova que O carro do êxito é fundamental não apenas para o debate e a luta antirracistas, mas para a literatura brasileira como um todo. O carro do êxito é publicado pela Companhia das Letras.
 
Nova tradução de um dos textos clássicos da literatura grega do século IV a. C.

Para medir a influência da Ciropédia na cultura ocidental, basta lembrar alguns de seus maiores admiradores. Muito antes de se difundir como leitura obrigatória de empresários interessados em lições de liderança, a obra de Xenofonte sobre a vida do imperador persa Ciro já contava com leitores ilustres: ainda na Antiguidade, Alexandre, o Grande, e Júlio César aprenderam com o texto, que séculos depois também serviria de inspiração para filósofos iluministas como Rousseau e Montaigne. É sabido que Thomas Jefferson tinha dois exemplares do livro em sua biblioteca. Mas o beneficiário mais notório de Xenofonte foi certamente Maquiavel, cuja obra mais famosa, O príncipe, talvez não existisse tal como a conhecemos sem o legado da Ciropédia. Consciente de que “o homem, por natureza, de todos os animais é o mais difícil de ser governado pelo homem”, Xenofonte, que lutou no Exército persa um século após as conquistas do grande imperador, fez da “educação de Ciro” uma mescla de biografia e exaltação, extraindo dela ensinamentos que perduram até hoje. Traduzido do grego antigo por Lucia Sano, professora de língua e literatura gregas da Unifesp, a edição conta com texto de orelha de Renato Janine Ribeiro, para quem “nunca há liderança sem alguma aceitação, admiração e, por isso, obediência. Essa já é uma boa razão para lermos este livro, prestando atenção no que mudou — ou não — 2 600 anos depois da educação de Ciro”. A edição é da Fósforo.
 
Mario Prata comemora sessenta anos de carreira em um divertido romance sobre o mito de origem do esporte mais amado do Brasil.
 
O que você sabe sobre a origem do futebol? Inventado pelos ingleses, o que o liga a chineses e florentinos? Como se calcula o tamanho do gol, quem teve a brilhante ideia de usar a bola, como foram criadas as regras fundamentais do esporte mais popular do mundo? E afinal, o que a sala de maconha ― que existe mesmo no Palácio de Buckingham! ― tem a ver com essa história? Para contá-la, trocando passes entre o real e o imaginário, mesclando personagens históricos e fictícios em improváveis tabelinhas, Mario Prata nos transporta para a Universidade de Cambridge, na Inglaterra de 1859, usando como narrador um tal John H. Watson ― ainda apenas um professor de Educação Física, mas que anos depois ficaria mundialmente conhecido como o futuro parceiro de Sherlock Holmes. Revelando detalhes sobre os primórdios do futebol que nem os britânicos conhecem, e turbinando-os com privilegiado senso de humor, O drible da vaca combina imaginação livre e pesquisa profunda, inspiração e transpiração. O resultado é um gol de placa, que diverte e surpreende a todos. O livro é publicado pela editora Record.
 
A partir das memórias familiares e da figura do próprio pai, Mia Couto tece este belo romance que transita entre a Moçambique pré e pós-independência.
 
Diogo Santiago é um intelectual moçambicano respeitado e de muito prestígio. Professor universitário em Maputo e poeta, ele volta pela primeira vez em anos à Beira, sua cidade natal, às vésperas do ciclone que a arrasou em 2019, para receber uma homenagem de seus conterrâneos. Mas o regresso à Beira é também o regresso a um passado longínquo, à sua infância e juventude, quando Moçambique ainda era uma colônia portuguesa. Menino branco, ele é filho de um pai jornalista e poeta, e de uma mãe absolutamente prática e com os pés no chão. Do pai, recorda das viagens que fez com ele ao local de terríveis massacres cometidos pela tropa colonial, da perseguição e prisão pela polícia política, a PIDE, e, sobretudo, de seu amor pela poesia. Entre vivos e mortos, Santiago revisita os personagens que fizeram parte de sua história. O mapeador de ausências é publicado pela Companhia das Letras.
 
Chega ao Brasil um segundo romance de Patricio Pron.
 
Eles vivem em Madri nos dias de hoje. Ela é arquiteta, tem medo de fazer projetos para o futuro e busca algo que não consegue (ou não sabe direito) definir. Ele escreve ensaios, está com ela há cinco anos e nunca pensou em ficar solteiro novamente, ainda mais em um novo “mercado” sentimental no qual se sente deslocado e mesmo desatualizado. Pelas rachaduras de seu colapso como casal imiscuem-se as amizades, seus conselhos e suas vidas — quase sempre com muito mais dúvidas do que certezas. É a “geração Tinder”, em que uma pessoa elimina toda e qualquer possibilidade de aproximação com outra em apenas um passar de dedo. Uma geração em que todas as vidas estão expostas e, no limite, todos parecem desencantados e sem objetivos. Os estertores e o fim de um casal também dizem muito sobre um momento histórico e uma série de ideias vigentes sobre o afeto. E a radiografia desse tempo é difícil: mães e pais que se sentem obrigados a performar, novas tecnologias que parecem reinventar a intimidade, experimentos de criação de uma autoimagem para outros que muitas vezes nem sequer conhecemos. Ela e Ele, agora com quase quarenta anos, começam a habitar esses novos espaços possíveis em paralelo, sem lágrimas românticas mas com um forte anseio misterioso de que talvez um dia seus caminhos voltem a se encontrar. A tradução de Amanhã teremos outros nomes é de Gustavo Pacheco e o livro é publicado pela editora Todavia.
 
EVENTO

O Instituto Moreira Salles organiza exposição sobre Carolina Maria de Jesus.
 
A exposição “Carolina Maria de Jesus: Um Brasil para os brasileiros” é dedicada à trajetória e à produção literária da autora mineira que se tornou internacionalmente conhecida com a publicação de seu livro Quarto de despejo, em agosto de 1960. Tem como objetivo apresentar sua produção autoral que incluiu a publicação, em vida, de outras obras. Além de destacar suas incursões como compositora, cantora, artista circense. Uma multiartista. A exposição tem curadoria do antropólogo Hélio Menezes e da historiadora Raquel Barreto, com a colaboração de uma equipe externa e autônoma ao IMS na elaboração do projeto. A pesquisa literária nos manuscritos inéditos da escritora é feita pela doutora em letras Fernanda Miranda. Com entrada gratuita, o evento abre no dia 25 de setembro de 2021 e segue até 30 de janeiro de 2022 no IMS Paulista. Mais informações aqui

REEDIÇÕES
 
Clássico de João do Rio ganha sua primeira edição anotada, contextualizando histórica e culturalmente o Rio de Janeiro retratado sob o olhar de um dos maiores cronistas brasileiros.
 
Vida vertiginosa é uma das maiores obras sobre a belle époque carioca. Nela, João do Rio lança um olhar investigativo sobre o Rio de Janeiro, então capital de um Brasil em franco processo de modernização. O prefeito Pereira Passos iniciou em 1903 uma série de reformas higienistas, urbanísticas e de costumes, com o intuito principal de adequar a cidade aos padrões de desenvolvimento europeus. A crônica pioneira de João do Rio é resultado de suas deambulações, sua flânerie, por uma cidade efervescente, em completa transformação. Publicado originalmente em 1911, Vida vertiginosa é o testemunho criativo de um homem que registrava e pensava um mundo novo que apenas se insinuava. Um mundo que, na profunda velocidade que lhe é característica, não parou até hoje de multiplicar-se e acelerar-se na vertigem. A atualidade do livro fala por si só: conduzidos por um dos maiores cronistas brasileiros de todos os tempos, seus leitores e leitoras estão a um passo de descobrirem-se personagens. As 25 crônicas reunidas nesta antologia abordam temas como a competitividade no ambiente profissional, a realidade paralela vivida nas favelas, o complexo de inferioridade como legado do passado colonial, a decadência do sistema educacional, a crise da privacidade, o feminismo nascente e a importância dada às aparências, aspectos já presentes na sociedade da época. Esta é a primeira edição anotada desse clássico, construída para que leitores e leitoras contemporâneos possam conhecer o contexto histórico e cultural do Rio de Janeiro da belle époque. A edição conta ainda com introdução, cronologia e bibliografia do autor. Todo o material de apoio é assinado por Giovanna Dealtry, pesquisadora e professora de literatura brasileira do Instituto de Letras da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). O livro é publicado pela editora José Olympio.
 
Obra-prima do realismo inglês, David Copperfield é o grande romance de formação de Charles Dickens e seu livro mais pessoal.
 
Um dos maiores romances da literatura mundial, David Copperfield tem entre seus leitores gerações sucessivas de escritores do porte de James Joyce, Kakfa, Virginia Woolf e Tolstói, para quem é fonte de inspiração permanente. A lista inclui também o próprio Charles Dickens, que considerava o livro “seu filho favorito”. Publicada como folhetim entre 1849 e 1850, a história é um clássico relato de formação de um menino descobrindo um mundo que é, ao mesmo tempo, mágico, assustador e terrivelmente real. Dickens constrói esse universo de forma brilhante, emprestando a ele partes substanciais de sua própria biografia, mas usando como amálgama a sua inventividade incomparável como ficcionista e as tintas mais acuradas do realismo inglês do século XIX. Assim, seguimos a vida de David, desde a sua infância pobre e difícil até a descoberta da vocação de escritor, numa jornada repleta de aventuras cômicas, sentimentais e por vezes trágicas. É impossível não se comover com o destino de David e não se deliciar com o fabuloso elenco de personagens que cruzam e acompanham seu caminho — o padrasto cruel Murdstone; o irresponsável Micawber; a frívola e encantadora Dora; e o humilde porém traiçoeiro Uriah Heep. A nova edição inclui todas as 38 ilustrações originais de Phiz; tradução de Bruno Gambarotto e publicação da Zahar.
 
Num único volume, toda ficção escrita pelo autor chileno, desde sua estreia com o aclamado Bonsai até o inclassificável Múltipla escolha.
 
Alejandro Zambra é sem dúvida uma das principais vozes da literatura mundial hoje. Neste volume, estão reunidos de forma inédita Bonsai (2006), A vida privada das árvores (2007), Formas de voltar para casa (2011), Meus documentos (2013) e Múltipla escolha (2014). O livro traz ainda nove histórias dispersas, publicadas em revistas, jornais e antologias. O que há em comum aqui é o tom, cristalino, delicado, com que Zambra conduz suas tramas. “O tom é a sua grande invenção”, anotou o argentino Alan Pauls, um dos que fazem parte da irmandade cada vez mais numerosa de admiradores de Alejandro Zambra. Bonsai é a história de um amor, o de Julio e Emilia, e é a história do fim deste amor. Não seria errado dizer que é também uma história sobre a consciência do fim. Em A vida privada das árvores, um homem, Julián, e sua enteada, Daniela, distraem as horas enquanto esperam que a mãe da menina volte para casa. O romance se passa numa única noite, e dentro dela estão uma série de histórias sobre a vida das árvores — e sobre todos nós. O terceiro, Formas de voltar para casa, marca uma virada, coloca em cena os anos 1970 no Chile, os anos do golpe de Pinochet, mas também, e sobretudo, a década de 1980 e a geração daqueles que eram crianças ou adolescentes durante a ditadura. Meus documentos reúne onze romances de formação em miniatura; contos de amor e descoberta, nos quais a intimidade se mescla ao ar sangrento do passado chileno — o mesmo ar que se espalha por toda a radicalidade de Múltipla escolha. Um conjunto impressionante de histórias perfeitas. Com traduções de Miguel Del Castillo, Josely Vianna Baptista e José Geraldo Couto, o livro é publicado pela Companhia das Letras.
 
Livro finalista do Prêmio São Paulo de Literatura e primeira seleção do Prix Médicis Étranger, F traz uma narradora desumana e violenta para um debate extraordinário sobre literatura, cinema e música.
 
O cineasta Orson Welles lançou sua obra-prima, Cidadão Kane, aos vinte e cinco anos. Com a mesma idade, Ana, a protagonista deste romance, planeja executar sua própria obra-prima: matar Orson Welles. Assassina de aluguel conhecida pela sutileza na execução de seus serviços, Ana mata porque tem talento e ganha bem por isso – mas prefere trabalhos cujos alvos são pessoas de índole duvidosa. Não que isso faça diferença: ela não acredita que o mundo possa vir a ser um lugar melhor. O que importa, isso sim, é a arte — e, para Ana, matar é uma arte. Em seu plano ambicioso para assassinar Welles, a jovem acaba se envolvendo em uma trama complexa que sai de seu controle. Perdida entre memórias do passado e alucinações do presente, ela não tem escapatória a não ser registrar no papel tudo o que acredita ser verdade. Ambientado entre salas de cinema, discotecas e quartos minúsculos em Paris, Los Angeles e Rio de Janeiro, F é um romance feroz que celebra, de forma única, as fronteiras incontornáveis e fluidas entre realidade e ficção. A nova edição do romance de Antônio Xexernesky é publicada pela Companhia das Letras.
 
Trágico, sensual e cheio de vigor, Sula é um impactante relato sobre a amizade entre duas mulheres e a pressão que a sociedade exerce sobre o desejo feminino. Uma das principais obras da ganhadora do prêmio Nobel de literatura, este segundo romance de Toni Morrison é obra inescapável da literatura mundial.
 
Quando meninas, Nel e Sula compartilharam segredos e sonhos no pobre meio-oeste dos Estados Unidos. Mas então Sula fugiu para viver seus sonhos e Nel se casou. Dez anos depois, Sula retorna e ninguém, muito menos Nel, confia nela. Como é possível voltar a se conectar com um passado que carrega tanta mágoa e um segredo tão profundo? Vista como pária pelas pessoas que se ressentem de sua força, Sula é uma mulher intransigente, uma força rebelde que desafia a pequenez de um mundo que tenta controlá-la. Ao contar essa história, Toni Morrison explora, com a habilidade literária que lhe é característica, o papel do medo em nossas vidas. Publicado depois do aclamado O olho mais azul, Sula faz da amizade de duas crianças negras em Ohio a janela para uma reflexão profunda sobre o poder que o passado exerce no ser humano. A tradução de Débora Landsberg é publicada pela Companhia das Letras.
 
DICAS DE LEITURA
 
Esta semana vamos aos ensaios. Aos ensaios escritos por escritores e sobre obras de outros escritores. Os livros selecionados nesta breve lista foram publicados recentemente entre nós.
 
1. Homo Poeticus, de Danilo Kiš. Em termos de recepção no Brasil, a obra do escritor sérvio padece de um curioso paradoxo: é incensada pela crítica e quista pelos leitores, mas sua circulação havia parado com dois livros no final dos anos oitenta do século passado. De maneira que sua reentrada por essas terras não pode ser desprezada, sobretudo quando o que nos chega é uma face ainda mais desconhecida de sua atividade criativa — a do ensaísta. Jorge Luis Borges, Gustave Flaubert, Vladimir Nabokov, Marquês de Sade e James Joyce estão entre alguns dos escritores contemplados nas reflexões de Kiš. A tradução é de Aleksandar Jovanović e foi publicada pela editora Âyiné.
 
2. Lições de Literatura e Lições de Literatura Russa, de Vladimir Nabokov. Apresentados sempre juntos, estes dois livros primorosos foram reeditados na estreia da editora Fósforo. No primeiro encontramos, por exemplo, dois dos textos mais famosos do escritor russo: sua leitura sobre Ulysses, de James Joyce e sobre A metamorfose, de Franz Kafka. No outro, textos sobre, entre outros nomes, Nikolai Gógol, Ivan Turguêniev, Fiódor Dostoiévski, Liev Tolstói, Anton Tchekhov e Maksim Górki. Todo esse material resulta de um conjunto de aulas ministradas por Nabokov em universidades estadunidenses entre os anos de 1940 e 1950. A tradução desses dois volumes é de Jorio Dauster; cada livro da nova edição é enriquecido com alguns textos de suporte.
 
3. Mecanismos internos e Ensaios recentes, de J. M. Coetzee. A obra do escritor sul-africano não encerra apenas nos limites do destacado romancista que conhecemos. O primeiro título de outra casadinha publicada recentemente por aqui — esta pela editora Carambaia — já era nosso conhecido. Reúne ensaios publicados entre 2000 e 2005, alguns como prefácios de livros e outros na prestigiada New York Review of Books. Walt Whitman, Willian Faulkner, Samuel Beckett, Saul Bellow, Gabriel García Márquez, Nadine Gordimer, Günter Grass, V. S. Naipaul e Robert Musil são alguns dos escritores contemplados nessas leituras. Junto com a reedição deste trabalho traduzido por Sérgio Flaksman, este e a mesma casa editorial publicaram um segundo volume com textos de Coetzee escritos entre 2006 e 2017; são vinte e três ensaios que contemplam obras de autores como Gustave Flaubert, Liev Tolstói, J. W. Goethe, Daniel Defoe, Philip Roth, Robert Walser, Samuel Beckett, Ford Madox Ford, Antonio Di Benedetto e Patrick White.
 
VÍDEOS, VERSOS E OUTRAS PROSAS
 
1. Confluência dos astros? No dia 19 de agosto de 1929 nasceu Haroldo de Campos; um dia depois, dois anos antes, Décio Pignatari. Os dois se juntariam mais tarde a Augusto de Augusto, para compor um dos momentos de potência criativa na literatura brasileira. Recordamos os dois aniversariantes nestas duas entradas do blog da Revista 7faces para alguns dos seus poemas: aqui, os de Haroldo de Campos; e aqui, os de Décio Pignatari.
 
2. Uma maneira de traduzir a complexidade de Finnegans Wake, romance de James Joyce publicado em 1939. Ximena Pérez Grobet performa sobre neste trabalho que agora é parte do acervo da Thomas Fisher Rare Book Library da Universidade de Toronto, no Canadá. Utilizando-se de uma edição clássica de 1965 da Faber & Faber, o livro foi desmontado e transformado numa peça de tricô; o tratamento respeita a ordem original das páginas, preserva a mesma capa, mas suas dimensões foram estendidas: findaram em quatro volumes cobrindo as quatro partes das 450 páginas da edição original. É possível ver alguns registos do livro aqui e a performance neste vídeo
 
BAÚ DE LETRAS
 
1. Esta semana publicamos em nosso Twitter este poema de Fiama Hasse Pais Brandão. Recordamos que neste mês de agosto é aniversário da poeta portuguesa — ela nasceu a 15 de agosto de 1938. No blog, o leitor encontra três publicações sobre Fiama e em torno da sua obra: este breve perfil editado em 2008; este texto sobre o seu livro Movimento perpétuo; e este ensaio que comenta aspectos gerais da sua literatura.

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