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Jesus falava palavrão, de Eloésio Paulo

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Está aí um perfeito texto este do professor Eloésio Paulo. Vejo nele um apanhado de todos os posts que já publiquei por aqui cujo alvo estava o discurso religioso e suas imagens toscas. Notifico por este espaço porque, como Eloésio Paulo, creio que estamos – no atual desrumo – prestes a montar colônias de desmiolados. É que o poder da religião tem se metamorfoseado a ponto de atingir o reino da palavra – essa que pode tanto construir quanto destruir. É um poder superior ao da Inquisição porque é um poder sutil e cerceador. E esse poder está nas mãos não dos católicos, que se engalfinharam de vez no mercantilismo a ponto de não sabermos mais onde que termina a religião e onde que começa o capitalismo; esse poder está nas mãos de evangélicos, ou aquilo a que denominei de neo-cristãos. Esses são piores do que qualquer Inquisição. São cegos. Donos únicos da verdade. E acham que o mundo está dividido, incisivamente, entre Deus e o Diabo. Sendo que ao Diabo vão to...

A necessidade humana de expressão artística – parte I

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Por Pedro Fernandes Bisão, na Caverna de Altamira Se fizermos uma pequena viagem pelo que chamamos evolução da pintura, desde a Pré-História à contemporaneidade, teremos a oportunidade de algumas observações acerca da Arte que talvez nos ajude a melhor compreensão de alguns dos seus “problemas” antigos e modernos. Digo isso porque, apesar de não me ligar diretamente ao terreno das artes plásticas, mas em específico ao da literatura, (a literatura é uma forma de arte e como forma arte é influenciada por movimentos semelhantes aos que ocorrem noutros campos artísticos, como o das artes plásticas) ouço muitas vezes certos desaforos acerca de alguma obra de arte. Não quero, contudo, discutir aqui a questão “o que é arte”, mesmo sabendo que ela é inerente. Os desaforos de que falo (e esse é um dos problemas que perpassa toda a trajetória de constituição da arte) são aqueles do tipo “Como pode uma bobagem destas obter tanto valor no mercado?” ou “Isto, até eu faço! Mas, se fosse ...

Quincas Berro d'Água, de Sérgio Machado

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Por Pedro Fernandes É sempre necessário louvar iniciativas como as da Companhia das Letras, agora responsável pela obra de Jorge Amado, de trazer ao público a completa reedição de uma obra que não pode nunca se deixar perder nos labirintos do esquecimento. Jorge Amado é um dos nossos pilares mais importantes, tanto que as obras que escreveu tiveram, em grande parte, uma ou mais adaptações para diversos gêneros televisivos e sempre com o mesmo efeito de audiência e público. É por causa desse trabalho editorial que reapareceu em 2008 uma irreverente obra do escritor,  A morte e a morte de Quincas Berro D'água . Possivelmente tenha sido essa reedição o que terá levado Sérgio Machado a trazer o texto de 1961 para a grande tela. Mas, antes de escrever duas notas sobre adaptação é preciso logo colocar em questão sobre o porquê de sublinhar o título original da obra. Não é apenas para lembrar ao leitor / espectador que está diante de um texto que antes do cinema é uma obra ...

Um ano para Jorge Amado

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Por Pedro Fernandes 1. A volta à literatura de Jorge Amado já tem rendido muito; claro estamos às vésperas, pode-se dizer seu centenário. Se desde 2008, uma das maiores editoras brasileiras se dedica ao exaustivo trabalho de reedição de toda a obra do mestre brasileiro, em 2010, duas outras ações são tão marcantes quanto. 2. A primeira delas foi a realização do Seminário Acadêmico Internacional Jorge Amado (divulgado em nossa rede social), figurado em dois grandes centros de discussão do Brasil: a cidade tão ilustrada nos seus romances, Salvador, e São Paulo. Dos dias 24 a 28 de maio passado, grandes nomes da crítica literária brasileira voltaram às obras de Jorge à cata de novos sabores. Terão encontrado; não apenas pela extensa obra, mas pela riqueza evocada em cada um dos títulos. 3.  Louvo a iniciativa, principalmente pelo fato de que o Centro-Sul tem um saldo devedor para com a obra de Jorge Amado, sobretudo, a crítica literária que agora cumpre...

Ferreira Gullar, Prêmio Camões 2010

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Depois do cabo-verdiano Arménio Vieira, o título do Prêmio Camões vai para um dos mais importantes nomes da literatura em língua portuguesa, Ferreira Gullar distinguido, no último dia 30 de maio de 2010, por um trabalho literário que incorpora produções na área do romance, da poesia e da dramaturgia. A novidade é que o escritor anda a preparar seu novo livro, já de título - Em alguma parte alguma . Abaixo, deixamos um texto do poeta "Poesia e Realidade" seguido de um vídeo apresenta o poeta lendo um trecho do seu mais famoso texto, Poema Sujo , de 1975. * Não pode nenhum poeta - nem ninguém - ter a pretensão de estabelecer rumos e regras para a poesia. Não resta dúvida de que a poesia, como qualquer outro fenômeno social, está sujeita a determinações do espaço e do tempo históricos mas o modo como essas determinações atuam sobre a produção do poema é absolutamente impossível de prever-se. O estudo das escolas e estilos literários indica a presença de traços...

Sem Destino, de Dennis Hopper e Peter Fonda

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Bem ao gosto de grande parte da juventude americana dos anos 1960, Sem Destino  conta a história de dois motoqueiros, Billy (Dennis Hopper) e Wyatt (Peter Fonda), que cruzam o país em busca de liberdade. Ao som de Jimi Hendrix e Steppenwolf ("Born to be wild"), entre outros, e regada a aditivos químicos e sexo livre, a viagem dos dois se tornou símbolo do espírito hippie e de contracultura que marcaram a época. A exibição do filme no Festival de Cannes de 1969 rendeu uma Palma de Ouro de Melhor Direitor Estreante para Dennis Hopper. Quanto ao sucesso de público, o orçamento relativamente baixo do longa (cerca de US$340 mil) obteve uma arrecadação mais de uma centena de vezes superior a seus custos. Além de Hopper e Fonda, Sem Destino  tem também atuação destacada de Jack Nicholson, no papel de George Hanson, um advogado alcoólatra que reluta em experimentar maconha, além de uma seqüência que se tornou memorável, com os personagens em delírio pela ação do LSD. A boa rece...