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Mostrando postagens de abril 1, 2026

O estrangeiro, de François Ozon

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Por Pedro Fernandes Em 1967 Luchino Visconti realizou uma adaptação para o cinema de O estrangeiro , de Albert Camus, daqueles romances, diga-se, indispensáveis ao desenvolvimento de algumas das nossas extensões existenciais por nos oferecer um protagonista radicalmente preso na certeza de que as nossas ações apenas nos pertencem e é exclusivamente nossa toda responsabilidade do que fazemos ou deixamos de fazer porque não existe o sentido inerente à vida. O filme do cineasta italiano era até agora a versão mais bem avaliada. Tantos anos depois, quando as diretrizes do existencialismo parecem circunscritas a um tempo fora do nosso em que, contraditoriamente, fixou-as como prática, François Ozon (depois de Zeki Demirkubuz) achou por bem retomar tal interesse. Fez uma obra que concorre com a leitura de Visconti. E aqui com uma qualidade a mais: embora universal e atemporal, o absurdismo camusiano aparece como se uma coisa muito distante de nós e é possível que não exista uma razão para is...