O retorno do Barão de Wenckheim, de László Krasznahorkai
Por Henrique Ruy S. Santos László Krasznahorkai. Foto: Johan Carlberg Permitam-me, à guisa de introdução, uma breve digressão de caráter anedótico. Em 31 de março de 1913, na famosa sala de concertos Musikverein, em Viena, o compositor austríaco Arnold Schoenberg conduziu uma performance de trabalhos musicais de alguns de seus estudantes, como Alban Berg e Anton Webern, para um público de, segundo relatos, 2 mil pessoas. Ou, poder-se-ia dizer, o que seria mais acertado, “tentou conduzir”. Não foi possível concluir o programa do concerto, uma vez que a audiência, enfurecida pelas “extravagâncias” e pelas verdadeiras “loucuras” da música de Schoenberg e seus discípulos, irrompeu em um inesperado mas contumaz protesto não só contra os músicos e compositores, mas contra toda a organização do evento. Sob pedidos exacerbados de intervenção psiquiátrica e o barulho crescente do tumulto, os envolvidos, plateia e organização, chegaram às chamadas vias de fato, com troca de socos e pontapés...